A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante dos medicamentos Ozempic e Wegovy, viu seu valor de mercado saltar com o lançamento das canetas emagrecedoras e chegou a ser a empresa mais valiosa da Europa, ultrapassando, inclusive, gigante francesa LVMH, dona de mais de 70 marcas de luxo como Louis Vuitton e Moët & Chandon. Desde a estreia de outras farmacêuticas no segmento, o valor de mercado da empresa caiu de mais de US$ 425 bilhões para os atuais US$ 212 bilhões, mas algumas estratégias da companhia podem fazê-la voltar às primeiras posições do ranking. Uma delas é usar o Brasil como ‘laboratório’ para o lançamento de um canal de vendas da companhia, com foco em venda direta para consumidores de medicamentos para diabetes e obesidade: Ozempic, Wegovy e Rybelsus. Chamado de NovoCare Farmácia, o programa foi criado por uma parceria entre Novo Nordisk e AS Medicamentos, empresa responsável por toda a operação como venda, logística e faturamento e com cobertura nacional. Na plataforma, pacientes com prescrição médica válida podem comprar medicamentos diretamente no site, com integração direta com o programa de suporte ao paciente da empresa, o NovoDia. Todo o processo é feito online, com validação digital. “[O canal de vendas] é uma evolução natural da estratégia da Novo Nordisk. A iniciativa representa um avanço estratégico ao integrar a etapa final da jornada do paciente ao ecossistema NovoCare. “, diz Natalia Ortiz, Diretora Senior de Marketing da área Cardiometabólica da Novo Nordisk, em entrevista ao InfoMoney. Leia tambémCanetas emagrecedoras com preços reduzidos da Eurofarma chegam às farmáciasValores do produto em doses iniciais chegam a partir de R$ 295 e dose de 1 mg tem redução de até 48%A executiva reforça ainda que o canal de vendas não altera a atuação de clínicas, hospitais, distribuidores ou outros parceiros comerciais. “O novo canal funciona como mais uma opção de compra, de forma a complementar o ecossistema atual”, diz. A aproximação da Novo Nordisk com os pacientes por meio do canal de venda direta é uma iniciativa inédita desenvolvida para o contexto brasileiro, mas pode ser expandida, inclusive para outros medicamentos, dependendo do sucesso da estratégia. “A intenção é expandir e implantar a venda de outros produtos do portfólio da Novo Nordisk na plataforma no futuro, com tratamentos para outras condições de saúde”, afirma Ortiz. A política de preço do novo canal será mantida em linha com os outros canais de e-commerce de medicamentos, mas a executiva explica que pacientes que participam do programa de suporte ao paciente já conseguem condições mais atrativas. “Os pacientes têm acesso a preços diferenciados na compra de medicamentos da Novo Nordisk, atendimento online de educadores físicos, nutricionistas, psicólogos e profissionais de enfermagem, além de parcerias com empresas referência em alimentação saudável, bem-estar, entre outros”, afirma. Embora não tenha aberto dados sobre investimentos do novo canal, a iniciativa é considerada estratégica e alinhada com a visão da companhia dinamarquesa. Em outra frente de crescimento no Brasil, a Novo Nordisk apresentou, na semana passada, uma nova proposta à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Em nota, a empresa informou que o pedido prevê um desconto de 59% para o governo e foi estruturado para atender aos critérios de custo-efetividade exigidos pelo Ministério da Saúde. Segundo a farmacêutica, a iniciativa busca tornar sustentável a oferta do tratamento para obesidade na rede pública.‘Caneta em Pílula’Enquanto isso, nos Estados Unidos, a disputa não é mais apenas no mercado de canetas emagrecedoras, mas de pílulas. Após a aprovação de comercialização de medicamento oral para perda de peso em território americano, a Novo Nordisk superou suas previsões de lucro para o primeiro trimestre e elevou as perspectivas para o ano inteiro. A venda da pílula no Brasil ainda depende de aprovação da Anvisa. O pedido de análise foi feito em 30 de janeiro e, embora não haja estimativa de prazo para a conclusão da análise, o tempo médio de aprovação de medicamentos é de um ano e meio. The post A estratégia da Novo Nordisk para vender canetas emagrecedoras direto ao consumidor appeared first on InfoMoney.
