A Nvidia pode valer US$ 4,8 trilhões, mas seus funcionários ainda precisam pagar pela comida no refeitório da empresa.A fabricante de chips que impulsiona o boom da inteligência artificial, comandada pelo CEO Jensen Huang, é hoje a empresa mais valiosa do mundo em valor de mercado, acima de gigantes de tecnologia como Google, Apple e Amazon. Mas isso não significa que a companhia ofereça almoço grátis.Gergely Orosz, engenheiro de software e autor da newsletter The Pragmatic Engineer, chamou atenção para a política de alimentação da Nvidia em uma sequência de posts no X, após visita recente à sede da empresa em Santa Clara, na Califórnia.Leia tambémEm San Francisco, salário de US$ 180 mil no setor de tecnologia já não é suficienteÀ medida que OpenAI e Anthropic se preparam para abrir capital, profissionais de tecnologia com salários de seis dígitos reclamam que não conseguem competir com a nova elite da IA. Alguns já duvidam que conseguirão bancar a permanência na cidadeMeta prepara negócio de nuvem para vender poder computacional de IAPlano colocaria empresa para disputar mercado com AWS, Azure e Google Cloud“Lanches e café não são grátis: você precisa pagar por eles. Isso seria incomum nas big techs, mas aqui não parece ser grande problema para os desenvolvedores”, escreveu Orosz.Ex-funcionários ouvidos pelo Business Insider esclareceram que as refeições na cafeteria da empresa são subsidiadas, e não gratuitas. Embora o café normalmente seja de graça, os funcionários precisam pagar por algumas bebidas engarrafadas e por itens vendidos nos cafés dentro do campus.A Nvidia não respondeu de imediato ao pedido de comentário da Fortune.A política de alimentação da empresa, ao que tudo indica, existe há mais de uma década. Um blog de um ex-estagiário que trabalhou na Nvidia em 2014 mostra que, já naquela época, a comida era subsidiada, não gratuita, e custava em média cerca de US$ 6 — algo próximo de US$ 8,50 em valores atuais. Entre as opções na época estavam frango com massa, frango com arroz, fish and chips e sanduíches.A política da Nvidia destoa da adotada por outras empresas de tecnologia de porte semelhante. O caso mais emblemático é o do Google, que ajudou a inaugurar a tendência dos benefícios generosos aos funcionários que por anos definiram o ambiente de trabalho nas empresas de tecnologia. Diferentemente da Nvidia, o Google oferece café da manhã, almoço e jantar gratuitos em cafeterias espalhadas por seus escritórios. Sua sede, o Googleplex, em Mountain View, teria cerca de 30 pontos de alimentação para os funcionários.Ainda assim, no Google, a comida é vista como algo secundário em relação às conexões que ela ajuda a criar, segundo Ruth Porat, diretora de investimentos do Google e da controladora Alphabet. Ela afirmou que as chamadas micro-kitchens, abastecidas com doces e lanches, ficam espalhadas pelo escritório para aproximar funcionários de áreas diferentes que, de outra forma, talvez não conversassem com frequência.“O acaso é muito valioso, e fazer as pessoas se reunirem para refeições é uma maneira de colocar lado a lado funcionários de diferentes áreas, trabalhando em coisas distintas, para de repente trocarem ideias”, disse Porat em entrevista publicada na semana passada.Na Nvidia, porém, a abordagem em relação à comida reflete não só a cultura da companhia, mas também a filosofia de seu fundador.Huang cofundou a Nvidia em 1993 e transformou a empresa de uma fabricante promissora de chips para videogames no motor da revolução da inteligência artificial.O CEO trabalha sete dias por semana, inclusive aos fins de semana e feriados. Ele já disse que é movido pelo medo de que a Nvidia possa sair do mercado, mesmo depois de a companhia se tornar a mais valiosa do planeta.“Você conhece aquela expressão ‘a 30 dias de quebrar’? Eu uso isso há 33 anos”, disse Huang em entrevista ao apresentador de podcast Joe Rogan, no ano passado. “Mas a sensação não muda. O sentimento de vulnerabilidade, de incerteza, de insegurança — isso não vai embora.”A dedicação de Huang ao trabalho pesado também aparece nos conselhos que dá aos jovens. Em um discurso para estudantes de Stanford, em 2024, ele afirmou: “Desejo a vocês boas doses de dor e sofrimento.” Segundo ele, o desconforto muitas vezes leva aos melhores resultados.Em todo o Vale do Silício, a era dos benefícios ilimitados vem se desfazendo discretamente. A Meta, que em determinado momento oferecia café da manhã, almoço e jantar gratuitos em sua sede em Menlo Park, hoje distribui vouchers de refeição. Mas, em 2024, a empresa demitiu duas dezenas de funcionários que, segundo ela, abusavam do uso desses vouchers. O Twitter, agora X, já foi famoso por seu refeitório gourmet, com um novo cardápio por dia, mas muitas opções de alimentação foram cortadas depois que Elon Musk comprou a empresa em 2022.Ainda assim, é difícil argumentar contra a abordagem da Nvidia.Enquanto outras empresas gastaram milhões para manter seus funcionários alimentados, a Nvidia recompensou seus trabalhadores com participação acionária. Seu plano de compra de ações para funcionários está entre os mais generosos do setor, com desconto de 15% e regra de lookback de dois anos, o que significa que os funcionários podem comprar ações da Nvidia com 15% de desconto sobre o menor preço registrado nos dois anos anteriores.Com o papel acumulando alta de cerca de 1.400% nos últimos cinco anos, os funcionários que mantiveram suas ações acabaram extraindo da Nvidia muito mais valor do que teriam obtido com um almoço grátis.2026 Fortune Media IP LimitedThe post “Sem almoço grátis”: Nvidia vale quase US$ 5 tri, mas ainda não mima funcionários appeared first on InfoMoney.
