Mesmo em meio à frustração do mercado com a perspectiva de cortes mais lentos da Selic, a frente de habitação da Caixa Econômica Federal projeta um novo ano forte para o crédito imobiliário, com perspectiva de crescimento robusto na carteira habitacional, puxado pelo Minha Casa Minha Vida – ainda que a Faixa 4 esteja longe do ponto ideal.“A gente quer fechar o ano crescendo nessa faixa de 30% em crédito concedido total, somando pessoa física e jurídica”, disse Raul Gomes, líder da Superintendência Nacional Habitação Pessoa Jurídica (SUHAJ) da Caixa Econômica Federal, em entrevista exclusiva ao InfoMoney durante o Construsummit, em Florianópolis.O momento é particularmente relevante para a instituição, cuja carteira de crédito imobiliário atingiu a marca de R$ 1 trilhão.O banco mantém ritmo recorde nas concessões, com cerca de 3 mil contratos por dia e mais de R$ 1 bilhão liberado diariamente em financiamento habitacional. Segundo o executivo, a Caixa segue com ampla liderança no setor, especialmente no segmento de habitação de interesse social. “Se a gente faz por dia 3 mil contratos, eu diria que os outros grandes bancos não chegam a 100 ou 200 contratos nesse mesmo universo de habitação para baixa renda”.A força da operação vem sendo sustentada pelo Minha Casa Minha Vida, que, de acordo com Gomes, ganhou tração adicional com a criação da faixa voltada à classe média, a Faixa 4; a entrada de recursos do fundo social; e o lançamento do Casa Reforma Brasil como marcos de expansão da política habitacional.O crescimento também se espalha entre as diferentes frentes de atuação do banco. A Caixa financia tanto a produção dos empreendimentos, na ponta das construtoras, quanto o comprador pessoa física. No ano passado, o banco liberou R$ 69 bilhões para financiar a produção e deve alcançar R$ 80 bilhões neste ano, alta de cerca de 15%. Já na pessoa física, o avanço foi ainda mais acelerado. “No primeiro trimestre, a pessoa jurídica cresceu 15%, mas a pessoa física cresceu mais, cresceu 30% em relação ao ano passado”, afirmou.Leia tambémDinheiro preocupa mais que saúde, família, violência e trabalho, diz pesquisaOrçamento apertado, dívidas e medo de emergências moldam a insegurança financeira no paísFaixa 4Gomes disse que a faixa voltada à classe média ainda está em fase de maturação. Entre janeiro e maio de 2026, a Caixa contratou 20,9 mil imóveis nessa categoria, somando R$ 6 bilhões – “O crédito concedido cresceu 40%, mas ainda não é tão relevante em número porque a base comparativa era mais baixa”, explicou.Para Gomes, a expansão dessa faixa depende de um ajuste entre demanda e oferta. “A produção tem que vir junto. Se o cliente hoje tem renda de R$ 13 mil, mas não encontra um imóvel disponível dentro daquela faixa de preço, ele não consegue acessar o programa”, disse. Na avaliação do executivo, esse mercado deve ganhar mais corpo ao longo do tempo, mas em velocidade menor do que as faixas de renda mais baixa, onde há mais subsídio e maior aderência ao perfil da demanda.JurosGomes ressaltou que a base do Minha Casa Minha Vida segue resiliente, mesmo com o juro alto. Isso porque as taxas cobradas do cliente final no programa são definidas por regras do FGTS e não acompanham diretamente a oscilação da Selic. “O Minha Casa Minha Vida fica meio blindado dessa discussão, diretamente blindado. A taxa de juros foi fixada”, afirmou. “Por isso eu digo que o programa é hoje o grande porto seguro do setor.”O executivo reconhece que houve uma piora de humor no setor diante da postergação dos cortes de juros e do risco de manutenção de um ciclo monetário restritivo por mais tempo. “O mercado de média e alto padrão é muito sensível à taxa de juros. Todos tinham expectativa de cortes maiores em 2026, e essa frustração faz o comprador ficar de novo com o pé atrás”, disse.Leia mais: Desenrola para adimplentes: alívio financeiro ou problema adiado?InadimplênciaA inadimplência da habitação da Caixa segue em patamar considerado baixo. O índice de atraso acima de 90 dias ficou em 1,56% em março, ante 1,42% no mesmo mês do ano passado, 1,73% em 2024 e 2,04% em 2023. “É um cenário de extrema estabilidade”, disse. “Existe preocupação, claro, porque moradia é um gasto prioritário para a família, mas quando a situação aperta muito acaba afetando também o financiamento. Não é algo alarmante, mas é algo que exige cuidado.”A Caixa, afirmou Gomes, vem tentando reduzir ao máximo os casos em que o cliente perde o imóvel por inadimplência. “A coisa que a Caixa menos quer é quebrar esse sonho da pessoa e ter que consolidar a propriedade por causa da inadimplência”, disse. “Nosso papel é tentar que a operação seja o mais sustentável possível, para a parcela caber no orçamento da família.”Segundo Gomes, esse cuidado passa por critérios rígidos de concessão. “A gente só libera o crédito cuja parcela fique dentro do limite legal e financeiro do cliente. Em geral, até 30% da renda bruta familiar”, afirmou.The post Caixa vê crédito habitacional recorde e aposta em força do Minha Casa Minha Vida appeared first on InfoMoney.
