O mercado brasileiro de medicamentos para a obesidade acaba de mergulhar em uma agressiva guerra de preços, conforme destaca um novo relatório do Morgan Stanley. Segundo o documento, essa nova dinâmica transferiu o destino das ações do setor para as mãos da elasticidade da demanda.Recentemente, a Eurofarma cortou os preços de suas cópias autorizadas de semaglutida em 38% para o Extensior e em 23% para o Poviztra, o que aproxima os produtos ao valor de lançamento do Ozivy, da EMS.Essa compressão de preços faz com que a tese de crescimento do setor dependa puramente da sensibilidade do consumidor, segundo os analistas do Morgan Stanley: o preço mais baixo precisa expandir os volumes formais de venda o suficiente para compensar os descontos aplicados.A análise detalha de que forma a resposta do mercado a esses estímulos de preço vai ditar o sucesso financeiro das empresas envolvidas.“Em nossa visão, este é um momento fundamental para a tese. A questão central é se os preços mais baixos serão mais do que compensados pela elasticidade da demanda, impulsionando uma expansão de mercado mais rápida apesar da compreensão de preços”, afirma o relatório.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai e tenta sustentar os 172 mil pontosBolsas dos EUA começam semana de forma mistaSe essa elasticidade se provar forte, o banco de investimentos avalia que a redução no custo financeiro pode trazer um efeito benéfico para as grandes redes de farmácias. O documento destaca que o estímulo dos preços mais baixos deve acelerar a migração de pacientes que hoje compram medicamentos no mercado informal de fórmulas manipuladas para o canal varejista formal.“Isso poderia apoiar melhores condições econômicas para as varejistas e potencialmente margens mais fortes, mesmo com a concorrência intensa continuando a pressionar os preços de tabela”, explicam os analistas.Riscos no canal de venda diretaAlém da pressão deflacionária nas gôndolas provocada pela elasticidade, o modelo tradicional de distribuição começa a enfrentar a concorrência de canais alternativos da própria indústria. A Novo Nordisk lançou no Brasil o projeto piloto NovoCare Farmácia, uma plataforma que permite a compra online direta de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus via validação de receita digital.A instituição financeira pontua o motivo pelo qual a categoria de emagrecimento abre espaço para esse tipo de canal, ameaçando diretamente redes como a RS Saúde (RADL3).“Esses medicamentos possuem ticket alto, são guiados por receita e frequentemente comprados como itens isolados, tornando as condições econômicas do canal direto ao consumidor mais atraentes do que em áreas terapêuticas de menor valor ou dependentes de cesta”, ressalta o documento.Por possuírem alto valor agregado e serem comprados sozinhos, os tratamentos de GLP-1 tornam o formato DTC (Direto ao consumidor) economicamente viável para os laboratórios. O Morgan Stanley argumenta que o impacto inicial para a RD Saúde é administrável porque a regulação brasileira exige parceria com farmácias licenciadas para a entrega. O risco real se intensifica caso a Eli Lilly (que vive um momento forte com o Mounjaro) decida replicar a estratégia de venda direta.Leia tambémMulher é presa pela PF no Galeão com canetas emgracedoras sem autorizaçãoPassageira de 30 anos desembarcava de voo vindo de Foz do Iguaçu com 11 frascos de medicamentos sem a documentação exigida para importação regular, segundo a polícia.Comportamento digitalA antecipação dessa batalha de mercado já se reflete no comércio exterior. O relatório do Morgan Stanley aponta que o valor total das importações brasileiras de medicamentos polipeptídicos subiu +50% em relação ao mês anterior, impulsionado pela Dinamarca, sede da Novo Nordisk, que multiplicou seus embarques para o Brasil em cerca de 36 vezes para abastecer o mercado antes da chegada massiva de novas cópias de semaglutida.Nas ferramentas de busca, porém, o ímpeto geral do consumidor pelo segmento de marca vem desacelerando no ambiente virtual. “O interesse geral de busca por GLP-1 no Brasil continua a desacelerar, apesar de um pico pós-lançamento do Ozivy”, aponta a instituição.Leia mais: Canetas emagrecedoras ficam mais baratas e redesenham setores da Bolsa brasileiraAs pesquisas por marcas consolidadas e pelo princípio ativo tirzepatida recuaram ao longo dos últimos meses.A única reação expressiva registrada pelas ferramentas de monitoramento ocorreu justamente nas semanas de lançamento do produto da EMS, o que sugere que o consumidor digital está transferindo sua atenção e seu interesse de busca das marcas pioneiras para as novas alternativas de menor preço.The post “Elasticidade da demanda” ditará o rumo das canetas emagrecedoras no Brasil; entenda appeared first on InfoMoney.
