A renda fixa terminou o primeiro semestre de 2026 na frente de quase todo o mercado. O CDI rendeu quase 7%, superando o Ibovespa e deixando para trás a média dos multimercados, que avançou menos da metade. Com a Selic caminhando para 14% ao ano e o juro real no maior patamar desde 2008, o consenso das casas e gestoras para os próximos seis meses segue inclinado para os títulos de renda fixa, ainda que com espaço para diversificar. Confira a seguir as principais recomendações para o segundo semestre por classe de ativo, e entenda quais ajustes são necessários realizar no portfólio para chegar a salvo no fim de um ano que ainda terá eleições, El Niño e mais ameaças.Pós-fixados são colchão da carteiraO Tesouro Selic e os fundos e CDBs atrelados ao CDI continuam no topo das recomendações para quem quer liquidez e baixo risco. Com a Selic caminhando para 14% ao ano, o pós-fixado paga bem sem exigir aposta na direção dos juros, o que o mantém como a reserva natural em um semestre marcado pela eleição presidencial, que sempre traz volatilidade. Mas o foco deve ser principalmente para reserva de emergência e colchão de liquidez para aproveitar oportunidades.Tesouro IPCA+: a estrela do consensoOs títulos atrelados à inflação concentram as apostas para o segundo semestre. O juro real acima de 8% coloca as taxas no maior patamar desde 2008, e casas e gestoras veem uma janela rara para travar rendimento acima da inflação por vários anos. A NTN-B 2035 chegou a pagar em torno de 7,39%, e a preferência recai sobre a barriga da curva, com vencimentos intermediários entre cinco e dez anos. O recado que acompanha a indicação é carregar o papel até o vencimento, já que a atualização diária dos preços pode gerar oscilações fortes no meio do caminho.Prefixados pedem dose tática e cautelaAs taxas nominais elevadas tornam os prefixados atraentes no papel, mas a recomendação predominante é de cautela. A XP prefere os vértices intermediários e evita alongar demais, num cenário em que o preço do título anda no sentido contrário da taxa e qualquer piora nas expectativas de juros machuca quem precisa vender antes do vencimento. Emissões como um prefixado do C6 perto de 14,80% ilustram o tipo de retorno disponível para quem aceita o risco.Ativos isentos de IR têm espaçoO crédito privado isento de Imposto de Renda aparece como uma das formas de turbinar a renda fixa. Papéis de infraestrutura como debêntures da Ecovias, além de emissões de Energisa, Sabesp, Equatorial e Klabin, entram nas carteiras pela combinação de spread e isenção. CRAs e fundos de crédito completam a lista, com a ressalva de olhar a qualidade do emissor num momento de mercado primário mais seco.Bolsa exige seleção e viés defensivoO Ibovespa avançou 6,70% no semestre e perdeu para o CDI, o que eleva a régua para a renda variável. A palavra de ordem passa a ser stock picking, com preferência por setores defensivos como bancos, elétricas, saneamento, telecomunicações e seguradoras. A Embraer (EMBJ3) surge como um dos nomes de maior consenso, ao lado de Itaú (ITUB4), Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3;PETR4) entre as ações mais recomendadas, enquanto varejo e construção ficam de fora das preferências. El Niño entra no radar da alocaçãoO fenômeno climático, com alta probabilidade de se formar em versão forte, ameaça pressionar preços de alimentos, inflação e, por tabela, os juros. No mercado, a leitura beneficia as geradoras de energia, com Energisa (ENGI11), Equatorial (EQTL3), Eneva (ENEV3) e Axia (AXIA3) entre as citadas, e tende a penalizar o agronegócio, com nomes como SLC e Banco do Brasil no lado mais exposto. O tema aparece principalmente como uma camada de proteção a ser considerada na montagem da carteira.Renda fixa em dólar abre janela históricaO Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, e a postura mais dura de Kevin Warsh à frente do banco central americano sustenta retornos elevados nos títulos em dólar. Analistas enxergam uma janela histórica para travar renda fixa na moeda americana, com preferência por Treasuries e a avaliação de que o hedge cambial não compensa nesse caso. ETFs negociados na B3 facilitam o acesso do investidor local.Multimercados: escolha bem o gestorA classe fechou o semestre para trás, com o índice IHFA em 3,26%, abaixo da poupança, e resgates que passaram de R$10 bilhões. Apenas cinco de cerca de 220 fundos macro superaram o CDI no período, o que reforça que o retorno depende cada vez mais da seleção do gestor, e não da classe como um todo. Para quem tem horizonte longo, os analistas ainda veem espaço, desde que a escolha seja criteriosa e atenta aos custos.The post 8 recomendações para ajustar o portfólio para o 2º semestre, da renda fixa à bolsa appeared first on InfoMoney.
