A Polícia Federal afirmou, em representação ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que as provas coletadas pelas investigações apontam que a servidora da Câmara dos Deputados, Mariângela Fialek, tinha aval do presidente da Câmara, Hugo Motta, para atuar na indicação de emendas parlamentares por Eduardo Cunha (Republicanos), que não ocupa mandato parlamentar.Procurado, Motta ainda não se manifestou. No sábado, o presidente da Casa já havia dito que a decisão de Dino que bloqueou bens do chefe do PL, Valdemar Costa Neto, fruto da mesma investigação, era uma tentativa de “criminalizar a política”.No documento, citado pelo ministro Flávio Dino, a corporação aponta que a existência de indícios que sustentam a tese de que Fialek, conhecida como Tuca, atuava sob ordens da presidência da Câmara.“Tudo indica que Tuca contava com pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas em favor de Cunha, intensificando um altíssimo grau de promiscuidade na deliberação do chamado orçamento secreto”, afirma a PF.No documento produzido pelos investigadores, a Polícia Federal argumenta que o conjunto de elementos coletados, como a interceptação de diálogos mantidos entre Tuca e Cunha, revelam que o ex-presidente da Câmara operava com poderes equivalentes ou até superiores aos de parlamentares em exercício, interferindo no direcionamento de recursos federais sem qualquer autorização institucional.“Isso revela um quadro de gravíssimo desvio de finalidade, pois as emendas, criadas para atender demandas legítimas de representantes eleitos, acabam subordinadas a um esquema informal coordenado por quem não mais responde ao eleitorado, ao Parlamento ou às regras republicanas de transparência”, dizem os investigadores.Leia também“Não aguento mais esses mineiros enrolados”, escreveu Cunha, em fala citada por DinoEm mensagem à servidora da Câmara, ex-deputado pede troca de emenda de Governador Valadares Dino bloqueia R$ 6 mi de Cunha após PF ver indicação de emendas mesmo sem mandatoPolícia Federal identificou diálogos entre Cunha e servidora da Câmara sobre direcionamento de emendasNa decisão, Dino determinou o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens do ex-deputado federal Eduardo Cunha em uma investigação que apura o desvio de emendas parlamentares da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. A decisão, assinada em 6 de julho, também suspendeu imediatamente a execução de todas as despesas públicas ligadas às emendas sob suspeita.Todas as emendas identificadas pela Polícia Federal foram empenhadas no final de 2025, quando Hugo Motta já ocupava a presidência da Casa.“Consoante atestam diálogos em aplicativos de mensagens e numerosas planilhas compartilhadas entre os investigados, Eduardo Cosentino da Cunha, sem exercer mandato parlamentar, parece ter atuado, até muito recentemente, como mandante do (re)direcionamento de valores públicos, especialmente em prol de sua anunciada campanha ao cargo de Deputado Federal pelo Estado de Minas Gerais”, escreveu Dino.Neste sábado, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reagiu àinvestigação contra Valdemar Costa Neto, afirmando que a Polícia Federal estaria tentando criminalizar a atividade política. Na decisão assinada no último dia 6, o ministro Flávio Dino afirmou que não se trata de afirmar que toda irregularidade administrativa configure, por si só, algum ilícito criminal, mas defendeu que a falta de rastreabilidade do dinheiro público gera indícios de possível peculado ou desvio.The post PF: servidora contava com aval de Motta para promover desvios de emendas para Cunha appeared first on InfoMoney.
