Barrada na Europa, Binance diz que 70% dos resgates foram para carteiras pessoais

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As novas regras europeias para o mercado cripto barraram a Binance no bloco, e usuários começaram a deixar a plataforma. No entanto, a maior exchange do mundo sustenta que boa parte dos recursos está indo para carteiras de autocustódia, aquelas em que a própria pessoa controla suas criptomoedas, sem uma empresa intermediando. A estimativa é que até 70% do dinheiro sacado da plataforma recentemente na Europa seguiu esse caminho.Para a corretora, esse é o efeito colateral de uma regra que pretendia trazer o mercado cripto para dentro de um ambiente mais controlado, e não para empurrar as pessoas para fora dele. “Restringir o acesso à Binance não faz com que a atividade cripto desapareça. Os usuários migram para outros lugares e, em muitos casos, parecem estar migrando para fora do perímetro regulamentado, onde pode haver menos salvaguardas, menos suporte ao cliente, opções de recuperação limitadas e menor visibilidade para as autoridades”, afirma a Binance.A Europa passou a exigir que todas as corretoras de cripto tenham uma licença para operar no bloco, seguindo o chamado MiCA (a sigla em inglês para Mercados de Criptoativos). Quem não obtivesse a autorização até 1º de julho teria de encerrar suas atividades na região. A Binance não conseguiu a licença a tempo. A empresa chegou a pedir autorização na Grécia em janeiro, mas desistiu no fim de junho, depois de meses de análise que envolveram também reguladores da Irlanda e da Letônia. Com isso, a partir de julho a corretora deixou de aceitar novos clientes europeus e suspendeu serviços como negociação, depósitos e aplicações que rendem juros. Os usuários ainda conseguem sacar o que têm e encerrar posições. A companhia diz que agora tentará conseguir a licença pela França.Segundo o jornal Wall Street Journal, a autoridade europeia que supervisiona os mercados, a ESMA, orientou os reguladores de cada país a recusar o pedido da Binance por causa de falhas no combate à lavagem de dinheiro. Pesa também o passado da empresa: em 2023, a Binance admitiu nos Estados Unidos ter violado regras contra lavagem de dinheiro e sanções, num acordo de US$ 4,3 bilhões, e seu fundador, Changpeng Zhao, chegou a cumprir prisão. Na França, a corretora ainda responde a uma investigação sobre suspeita de lavagem. A chefe da Binance na Europa, Gillian Lynch, contesta as reportagens e diz que a empresa continua comprometida com a região.A corretora defende que uma empresa por trás pode identificar movimentações suspeitas, ajudar o cliente quando algo dá errado e cooperar com a polícia, enquanto carteiras de autocustódia não oferecem esse intermediário. “O objetivo deve ser manter os usuários em plataformas responsáveis ​​e bem supervisionadas que tenham escala, controles e capacidade para proteger os usuários e apoiar as autoridades”, diz a nota.No Brasil, o Banco Central também vem apertando as regras para corretoras de criptomoedas, que devem apresentar até 30 de outubro um pedido obrigatório de autorização de funcionamento. Além disso, o órgão restringiu o uso de stablecoins, criptomoedas atreladas ao dólar, para operações de câmbio, em junho, avisou bancos e fundos que considera ilegais certas estruturas montadas para importar criptoativos, o que encareceu essas operações de um dia para o outro. Há ainda uma proposta em estudo para segurar por até 24 horas as transferências de stablecoins acima de US$ 10 mil enviadas para carteiras próprias ou para fora do país, para checar antes se há sinal de lavagem de dinheiro.O próprio setor alerta que regras muito duras podem deslocar parte da atividade para o mercado paralelo e para a autocustódia, o mesmo risco que a Binance aponta na Europa. Do outro lado, o regulador aposta que trazer essas operações para dentro de um ambiente supervisionado, mesmo que isso afaste alguns agentes, protege melhor o sistema no longo prazo.The post Barrada na Europa, Binance diz que 70% dos resgates foram para carteiras pessoais appeared first on InfoMoney.

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