As ações da Ânima (ANIM3) operam em forte queda nesta quarta-feira (7), após a companhia anunciar a aquisição de 100% das quotas das Faculdades Metropolitanas Unidas Educacionais (FMU), instituição de ensino superior em recuperação judicial com sede em São Paulo. A operação foi avaliada em R$ 410 milhões em valor patrimonial (equivalente a um valor empresarial de R$ 560 milhões). Por volta das 10h15 (horário de Brasília), os papéis desabavam 29,62%, cotados a R$ 2,02.A grande questão reside no valor pago, apesar das oportunidades no radar com a compra. Em relatório assinado pelo analista Vinicius Figueiredo, o Itaú BBA avaliou que a aquisição da FMU pela Ânima Educação (ANIM3) pode gerar oportunidades de integração operacional e comercial dentro do ecossistema da companhia ao longo do tempo.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta quartaÍndices futuros dos EUA têm leves ganhosVale, Ânima, Romi, Camil, Melnick e mais ações para acompanhar hojeConfira os principais destaques do noticiário desta quarta-feira (15)Segundo o BBA, existe potencial relevante de expansão da rentabilidade da instituição adquirida. A Ânima estima que, caso as margens operacionais da FMU se aproximem dos níveis registrados por grandes instituições comparáveis do grupo, o lucro operacional do ativo poderia crescer dos atuais R$ 53 milhões para cerca de R$ 97 milhões a R$ 131 milhões, sem considerar eventual crescimento de receita.Apesar do potencial estratégico da aquisição, o Itaú BBA ressalta que a avaliação do ativo e o impacto sobre a alavancagem financeira devem permanecer como os principais pontos de atenção dos investidores. Para a casa, o múltiplo pago pela aquisição e o aumento do endividamento serão fatores centrais na análise da operação.A Ânima estima que sua alavancagem líquida ajustada aumentará de 2,39 vezes no primeiro trimestre de 2026 para aproximadamente 2,73 vezes após a conclusão da aquisição. Segundo o Itaú BBA, embora o aumento pareça administrável em termos absolutos, ele amplia a sensibilidade da companhia à execução operacional e à geração de caixa, especialmente em um cenário em que os juros permaneçam elevados por mais tempo do que o esperado.Apesar do potencial de criação de valor, o analista do Bradesco BBI, Marcio Osako vê a operação com cautela. O preço pago representa um prêmio significativo frente aos múltiplos do setor, mesmo considerando ganhos de eficiência futuros, além de elevar a alavancagem da Ânima de aproximadamente 2,4 vezes para 2,7 vezes a relação Dívida Líquida/EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em base pro forma (1T26).“Outro ponto de atenção é a elevada exposição da FMU aos cursos EAD e híbridos, que devem responder por cerca de 30% das receitas da instituição e podem enfrentar desafios decorrentes do novo marco regulatório do setor”, comenta o analistas. Dessa forma, embora a aquisição agregue uma marca tradicional e relevante em São Paulo, o BBI acredita que o valuation elevado limita o potencial de geração de valor no curto prazo e aumenta a dependência da execução bem-sucedida das sinergias projetadas.Para o Morgan Stanley, a aquisição da FMU adiciona novos compromissos financeiros em um momento em que os juros não estão caindo no ritmo anteriormente esperado, prolongando o peso da dívida da Ânima e reduzindo a velocidade com que melhorias operacionais podem se transformar em valor para os acionistas.O Goldman Sachs, por sua vez avaliou positivamente o acordo anunciado pela Ânima e destacou o mérito estratégico, já que a FMU possui nota máxima (5 de 5) na avaliação institucional do Ministério da Educação (MEC), mas apresenta rentabilidade inferior à da Ânima e de seus pares. O banco destaca que essa diferença abre espaço para ganhos de eficiência e criação de valor, mas ressalta que o principal foco dos investidores deve ser a estratégia de alocação de capital da empresa. Apesar da geração positiva de caixa nos últimos trimestres, a Ânima ainda deve encerrar 2026 com alavancagem estimada em 2,8 vezes dívida líquida/Ebitda após IFRS 16, segundo a metodologia do Goldman, nível considerado elevado em um cenário de juros altos por mais tempo no Brasil.O Goldman também chama atenção para o preço pago pela aquisição. Segundo o fato relevante da companhia, a transação representa um múltiplo de 10,5 vezes EV/Ebitda da FMU antes do IFRS 16, podendo ser maior caso as condições de earn-out sejam atingidas. Em comparação, as ações da Ânima negociam atualmente a um múltiplo de 3,3 vezes EV (valor da firma)/Ebitda no mesmo critério.Embora considere a FMU um ativo de qualidade, com potencial de crescimento nos segmentos presencial, digital e híbrido, o JPMorgan avaliou que o aumento da alavancagem deveria ser mal recebido pelo mercado, já que a expectativa era de redução do endividamento.Recomendação para ações da ÂnimaO Goldman Sachs mantém recomendação de compra para as ações da Ânima, com preço-alvo de 12 meses de R$ 5,50. A avaliação considera uma metodologia de fluxo de caixa descontado de dez anos, com custo médio de capital (WACC) de 15% e crescimento na perpetuidade de 3%.O Morgan Stanley, Bradesco BBI e Itaú BBA reiteram classificação de compra e preço-alvo de, respectivamente, R$ 6, R$ 7 e R$ 5,50.O JPMorgan, por sua vez, mantém recomendação neutra para as ações da Ânima.The post Ânima (ANIM3) desaba 30% após compra da FMU: por que negócio desagradou tanto? appeared first on InfoMoney.
