Integrantes da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, avaliam que a reação organizada de aliados, com argumentos convergentes e disparados ao longo do dia nas redes sociais, ajudou a conter os danos políticos diante da decisão do governo americano de aumentar tarifas sobre produtos brasileiros.Nesta quinta-feira, bolsonaristas não repetiram o que foi diagnosticado como um erro no ano passado: o comportamento, por exemplo, de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que exaltou o anúncio de tarifas e fez um agradecimento a Donald Trump. Um dos fatos considerados importantes para minimizar o desgaste veio da Casa Branca. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela aplicação das medidas. Horas depois, Flávio usou o mesmo argumento para atacar o adversário nas redes sociais. Leia tambémFlávio Bolsonaro anuncia plano de governo voltado às mulheres com IA própriaProjeto ‘Brasil Por Elas’ tem ao todo 12 propostas, como zerar a fila de creches e incentivar o empreendedorismo femininoFlávio pede mais prazo para depor em caso de calúnia sobre Lula após cobrança da PFDefesa do senador nega “descaso” com a PF em razão de ausência de agenda do senador para prestar depoimentoInterlocutores do presidenciável do PL dizem que hoje é mais difícil para Lula culpar Flávio pelo aumento das tarifas do que antes. O entendimento é que, com o posicionamento oficial de um integrante do alto escalão do governo americano contra o presidente brasileiro, é mais fácil tentar indicar para a opinião pública que Lula teria responsabilidade pelo tarifaço.Apesar do movimento dos bolsonaristas, a campanha do senador do PL admite que o senador tem enfrentado desgastes e citaram uma preocupação com a divulgação de uma foto, feita pelo site ICL, em que Flávio aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, morto em março. Segundo investigações da Polícia Federal, ele seria um dos integrantes do grupo “A Turma”, que atuava como uma espécie de milícia particular do banqueiro Daniel Vorcaro.Também houve apreensão com a pesquisa Quaest divulgada na terça-feira, que aponta que Lula aparece com 40% das intenções de voto, contra 28% de Flávio, que fica em segundo lugar. Na pesquisa anterior, de junho, o petista tinha 39%, e o senador, 29%.Aliados de Flávio avaliam que a pesquisa foi o principal fato negativo da semana e a repercussão pode desgastá-lo perante a opinião pública e passar uma sensação de enfraquecimento.A pesquisa Quaest, que foi divulgada antes da decisão do governo americano, também indicou que a maioria dos brasileiros atribui a responsabilidade pela imposição de tarifas a Flávio. Segundo o instituto, 51% citaram que concordam com Lula no embate político e 30% com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.Flávio tem acumulado desgastes com o tarifaço. Em julho de 2025, quando Trump falou em aplicar medidas similares, Flávio adotou uma linha diferente da atual. Em entrevista à CNN Brasil dias após o anúncio das tarifas, afirmou que a solução para a crise não estava nos Estados Unidos e sustentou que as sanções deixariam de existir caso Jair Bolsonaro pudesse disputar as eleições.Agora, aliados do pré-candidato do PL dizem que o cenário é outro e que Flávio conseguiu usar as últimas semanas para se preparar e ter um discurso político para evitar se associar à medida.Entre as ações citadas estão declarações públicas do senador contra o aumento da tarifa e as viagens que ele fez aos EUA para tentar negociar uma não aplicação da punição ou adiamento.A campanha de Flávio diz, por outro lado, que Lula não tomou as mesmas iniciativas e que não se empenhou para se reunir pessoalmente ou por telefone com o governo americano. O entorno do pré-candidato tem uma avaliação de que o governo Lula evitou adotar uma negociação conciliadora com a gestão de Trump. Como exemplo disso, aliados de Flávio citam uma declaração feita por Lula no início de junho em que ele chamou Rubio, filho de imigrantes cubanos, de “latino-americano frustrado”.Como outros fatores de desgaste, a campanha presidencial do PL também aponta que há dificuldades na negociação do Brasil com outros países além dos EUA e que essas crises não têm relação com Flávio.São citadas exigências sanitárias de países da União Europeia sobre a carne brasileira e a tarifa aplicada pela China sobre carnes que excedem a cota de importação.The post Para campanha de Flávio, justificativa de Rubio ajuda a conter desgaste por tarifaço appeared first on InfoMoney.
