Xi apresenta China como líder da nova ordem global em IA, desafiando domínio dos EUA

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XANGAI/PEQUIM, 17 Jul (Reuters) – O presidente ⁠da China, Xi Jinping, apresentou nesta sexta-feira Pequim como a defensora de uma nova ordem global ⁠em inteligência artificial, aproveitando a principal conferência de tecnologia da China para promover a tecnologia de código aberto e desafiar a ‌influência dos Estados Unidos sobre as regras que regem esse setor em rápida evolução.Em um discurso na cerimônia de abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC), em Xangai, Xi pediu aos países que aproveitem a “oportunidade histórica” da IA de código aberto e se comprometeu a ajudar as nações ‌em desenvolvimento a desenvolver capacidades de IA, alertando contra o surgimento de “novas injustiças históricas” decorrentes do acesso desigual à tecnologia.Essas declarações representaram a articulação mais clara de Xi até o momento sobre a ambição da China de moldar a governança global da IA, enquadrando seus modelos de código aberto como um bem público global e posicionando Pequim como uma alternativa a Washington em um momento crucial na corrida pela liderança tecnológica.Comparando a importância da IA à invenção do motor a vapor e da eletricidade, Xi delineou uma visão na qual a China compartilha tecnologia e conhecimento em IA com países do Sul ⁠Global, ‌ao mesmo tempo em que lidera os esforços globais para criar padrões que regulem a tecnologia emergente.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta sextaÍndices futuros dos EUA recuam com sell-off de ações de fabricantes de chips O discurso apresentou a coalizão de IA da China ⁠como rival da iniciativa internacional “Pax Silica”, liderada pelos EUA, que visa garantir as cadeias de abastecimento globais de IA e de minerais críticos, embora Xi tenha evitado citar Washington.A mídia estatal chinesa tem retratado cada vez mais a estratégia de IA de Pequim como uma resposta ao que chama de tentativa liderada pelos EUA de erguer uma “Cortina de Ferro da IA”.Em um comentário publicado na quinta-feira, Yuyuan Tantian, uma conta de destaque nas redes sociais afiliada à emissora estatal CCTV, afirmou que a China busca construir “uma nova ordem” ao “reunir as forças ​de toda a humanidade e de todos os países para construir um ecossistema de IA de código aberto e que abranja todos os fatores”.A conferência WAIC destacou as mudanças no cenário da IA, com os modelos chineses de IA abertos ganhando terreno rapidamente em relação aos ​sistemas proprietários de empresas norte-americanas, como a OpenAI e a Anthropic.A startup Moonshot AI, sediada em Pequim, revelou nesta sexta-feira o Kimi K3, que descreveu como o maior modelo de IA aberta do mundo em número de parâmetros, um mês depois que o governo dos EUA retirou abruptamente os modelos de IA de ponta da Anthropic devido a preocupações com a segurança.A Reuters informou no início deste mês que Pequim está avaliando restrições ao acesso internacional a alguns dos principais modelos de IA da China, destacando a crescente tensão entre sua promoção da IA de código aberto e ‌uma agenda de segurança nacional cada vez mais rigorosa.Xi também defendeu que os sistemas de IA ​permaneçam sob controle humano e instou os países a estabelecerem mecanismos de alerta precoce e resposta a emergências para gerenciar os riscos da IA, em suas declarações mais claras até o momento sobre a segurança da IA.Ele ainda instou à adoção de medidas para se proteger contra cenários de perda de controle, alertando para os perigos representados por sistemas ⁠autônomos de IA que poderiam escapar da supervisão e do ​controle humanos.CHINA SE POSICIONA PARA “LIDERAR O MUNDO”A ​China oferecerá treinamento em IA e desenvolverá centros de cooperação em IA com os países do Brics, da ASEAN, da América Latina e da União Africana, disse Xi, alinhando sua diplomacia ⁠em IA com os principais blocos do Sul Global, onde Pequim já exerce ​influência significativa.As declarações foram feitas um dia após o lançamento da Organização Mundial de Cooperação em IA (WAICO), criada pela China, que contou com a adesão de 29 países membros. Xi chamou a organização de “marco na história do desenvolvimento mundial da IA” e afirmou que ela atende às demandas das nações do Sul Global por maior ​participação na governança da IA.Analistas afirmaram que o momento escolhido transformou o que poderia ter sido um discurso político rotineiro em uma declaração que vincula os avanços tecnológicos da China a uma plataforma diplomática formal.“Temos o líder do segundo país mais ​poderoso do mundo, um país que ainda registra ⁠avanços tecnológicos reais apesar de tudo o que está acontecendo com os EUA, se levantando e expondo a visão da China sobre a IA”, disse Alfredo Montufar-Helu, diretor-gerente da Ankura China Advisors.Esse impulso ⁠institucional reflete um esforço mais amplo da China para evitar ser vista como um mero seguidor de regras em um setor cada vez mais moldado por empresas norte-americanas, controles de exportação dos EUA e parcerias tecnológicas lideradas por Washington, segundo analistas.“A mensagem de Xi é clara: a China não vai seguir ninguém, tanto em tecnologia de IA quanto em padrões. Em vez disso, a China vai liderar o mundo em ambos os aspectos”, disse George Chen, presidente da área de prática digital da The Asia Group, uma consultoria.The post Xi apresenta China como líder da nova ordem global em IA, desafiando domínio dos EUA appeared first on InfoMoney.

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