Como a América Latina pode aproveitar seu potencial em minerais críticos?

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Os minerais críticos estão se consolidando como ativos estratégicos que sustentam a transição energética, a política industrial e as aplicações de defesa e a América Latina poderia se favorecer desse momento, mas a necessidade elevada de capital, as lacunas tecnológicas e a dependência de processamento em países asiáticos, em especial a China, são entraves para o desenvolvimento dessa atividade. O diagnóstico está em relatório da agência de classificação de risco Moody´s.O estudo cita que o ambiente competitivo da América Latina para minerais críticos é bifurcado entre produtores estabelecidos de grande escala e novos participantes, com barreiras mais elevadas para os participantes mais novos e de menor porte. Produtores incumbentes de grande escala e em conformidade regulatória, como a Corporación Nacional del Cobre (Codelco) e a Sociedad Química y Minera de Chile (SQM), do Chile, e a Vale (VALE3), do Brasil têm uma vantagem competitiva. Mas participantes mais novos enfrentam barreiras de entrada mais elevadas, particularmente para obter financiamento sem operações estabelecidas ou contratos firmes de offtake, mesmo que tenham recursos de alta qualidade e operações de baixo custo. Enquanto isso, os regimes regulatórios latino americanos estão se tornando mais complexos e com maior fiscalização, elevando os riscos de licenciamento, estendendo os prazos e aumentando a intensidade de capital — mudanças que afetam desproporcionalmente participantes menores e mais novosA empresa de classificação de risco explica que, apesar dos fortes fundamentos da região para minerais críticos, as condições latino-americanas são mais complexas para projetos downstream do que para a mineração upstream, devido aos obstáculos estruturais persistentes.Leia também: Brasil movimentou US$ 11,4 bilhões com exportações de minerais críticos em 2025“Além dos recursos de alta qualidade, os investidores valorizam suporte regulatório, infraestrutura adequada, parcerias técnicas, execução eficaz de políticas ambientais e sociais e gestão disciplinada da exposição aos ciclos de commodities. A incerteza em torno das políticas públicas e regulatória permanece um risco central, podendo provocar atrasos mesmo em projetos que, em outras condições, seriam atrativos”, lista a Moody´s.A agência explica que projetos bem estruturados, de baixo custo e alinhados a políticas terão desempenho melhor que aqueles com risco maior de refinanciamento e execução. Assim, grandes empresas estabelecidas, como Codelco, SQM e Vale, continuarão a atrair investimentos, juntamente com grandes empresas globais, como a BHP e a Rio Tinto, e novos participantes do segmento de lítio.“No entanto, a incerteza em torno das políticas, limitações de infraestrutura, desafios ambientais e sociais e volatilidade de preços tendem a pressionar a qualidade do perfil de crédito, elevar os custos de financiamento e atrasar a execução dos projetos”, alerta.Leia também: EUA queriam acordo que limitava investimentos em minerais críticos – Brasil recusouO relatório destaca ainda que a viabilidade econômica de um projeto pode depender de restrições de infraestrutura e logística, como acesso à energia de baixo custo, água e transporte, que podem ou não estar disponíveis nas proximidades. “Sistemas rodoviários deficientes e a falta de acesso a portos tornam os custos de produção de lítio muito mais altos na Argentina do que no Chile”, destaca.Congestionamento portuário e redes de transporte envelhecidas também podem atrasar as exportações e elevar os custos até mesmo para mineradoras estabelecidas no Chile e no Peru. “Os riscos técnicos e de execução também são considerações importantes para os investidores. A produção de materiais para baterias exige conhecimentos químicos avançados, controle consistente do processo e a capacidade de cumprir as rigorosas especificações de qualidade exigidas por clientes globais”, cita o estudo.A Moody´s avalia que muitas operadoras latino-americanas não têm essa experiência, o que aumenta a sua dependência de parceiros tecnológicos estrangeiros e o risco de atrasos, excessos de custos ou operações de subescala. A China, por exemplo, tem experiência, cadeias de abastecimento integradas e economias de escala que os novos participantes não conseguem replicar rapidamente.Os riscos de mercado e a volatilidade dos preços adicionam mais uma camada de incerteza para projetos de minerais críticos, com forte oscilação de preços, mesmo com demanda robusta de transição energética de longo prazo, destaca o estudo.“Os preços do lítio subiram para cerca de USD80/kg no final de 2022, antes de cair para cerca de USD10/kg em 2024, enquanto os preços do cobre também flutuaram com as expectativas de crescimento global e os ciclos de demanda chineses. Essa volatilidade aumenta o custo do capital, complica o financiamento e atrasa as decisões finais de investimento. Projetos com contratos de offtake de longo prazo, baixos custos e balanços patrimoniais sólidos podem suportar mais facilmente esses ciclos do que aqueles que dependem de mercados à vista ou financiamento externo contínuo”.A Moody´s diz também que, como a construção de capacidade de refino e processamento é intensiva em capital, tecnicamente complexa e exige prazos longos, os projetos na América Latina dependem frequentemente de parcerias com fornecedores consolidados.A agência lembra que essas parcerias viabilizam o acesso a conhecimento técnico especializado, asseguram a demanda por meio de compradores previamente definidos e contribuem para a mitigação do risco de financiamento. “Projetos de lítio no Chile e na Argentina, bem como produtores de níquel e lítio no Brasil, firmaram parcerias com empresas asiáticas para tecnologia e contratos de offtake (compra mínima) de longo prazo.Entenda a demanda por minerais críticosMinerais críticos são matérias-primas essenciais para a transição energética, tecnologias avançadas e segurança nacional, e enfrentam riscos elevados de oferta devido à escassez geológica, à concentração geográfica ou à limitação de alternativas.A elasticidade dos preços no médio prazo é relativamente baixa, com a demanda proveniente de investimentos impulsionados por políticas em bens de capital de longa vida útil, como EVs, redes elétricas, geração de energia renovável e armazenamento em escala de rede — e não do consumo discricionário.MineralUsoCobreEssencial para a eletrificação, incluindo EVs, infraestrutura de recarga, expansão da rede elétrica e sistemas de energia renovável. Sua alta intensidade de uso e seus substitutos limitados sustentam um crescimento forte e contínuo da demandaCobaltoCrítico para estabilizar as composições químicas das baterias de íon-lítio, especialmente em EVs e armazenamento de energia. A demanda geral crescerá em termos absolutos à medida que a penetração dos EVs aumentarLítioFortemente ligado às baterias de íon-lítio para EVs e armazenamento de energia. O crescimento será rápido e impulsionado por políticas públicas, apoiado por mandatos de adoção de EVs e metas de descarbonização da rede elétricaNíquelCada vez mais associado às baterias de veículos elétricos, especialmente às composições químicas com alto teor de níquel, que melhoram a densidade energética e a autonomia dos veículos, além da demanda estável por aço inoxidável. A mudança para o níquel grau bateria (classe I) continuará a diversificar o crescimento da demanda dentro do mercadoNióbioCrucial para o aço de alta resistência e baixa liga, que melhora a durabilidade ao mesmo tempo que reduz o peso no desenvolvimento de infraestrutura. A adoção em aplicações automotivas leves e em aplicações de energia está aumentandoTerras rarasUm grupo de 17 elementos usados em ímãs permanentes para motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e eletrônica avançada. O crescimento se acelerará com a eletrificação, a expansão da energia renovável e a ampliação da infraestrutura digital, com poucos substitutos viáveis para aplicações de alto desempenho. O desenvolvimento de data centers aumenta o uso de terras raras para o polimento de nanochipsFonte: Moody´sThe post Como a América Latina pode aproveitar seu potencial em minerais críticos? appeared first on InfoMoney.

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