Quem acompanha política pelas redes sociais pode ter a impressão de que o debate domina o cotidiano dos brasileiros. Mas os dados mostram um cenário bem diferente. Segundo o cientista de dados Renato Dolci, diretor de Dados da Timelens, política representou apenas 4,14% de todas as conversas monitoradas na internet brasileira em 2024.A análise foi apresentada por Dolci durante participação na edição especial do programa Mapa de Risco, do InfoMoney, dedicada às estratégias das campanhas eleitorais para 2026.Para o especialista, as redes sociais acabam distorcendo a percepção sobre o peso da política no dia a dia da população.“As redes sociais nos embaraçam a visão e nos dão a ideia de que o planeta está polarizado todos os dias, de que as pessoas só falam de política. Mas, quando a gente vai para a rua, percebe que isso não é verdade. A gente discute muito menos política do que qualquer outro assunto”, afirmou.Segundo Dolci, o monitoramento de todos os temas discutidos nas plataformas digitais ao longo de 2024 mostrou que a política ocupa uma parcela relativamente pequena das conversas.“Nós monitoramos absolutamente todos os assuntos discutidos na internet brasileira em 2024. Política equivaleu a 4,14% de tudo o que foi discutido. É muito pouco diante da sensação que nós temos, principalmente quem trabalha com política e acaba vivendo esse assunto todos os dias”, disse.Outro dado chamou a atenção do pesquisador é que a maior parte do conteúdo político publicado nas redes parte de um grupo relativamente pequeno de usuários.“Algo em torno de um milhão de pessoas no Brasil postaram 65% de tudo o que foi falado sobre política. Ou seja, existe muito barulho, mas não necessariamente muita gente participando desse debate. A gente costuma confundir volume de pessoas com volume de barulho”, afirmou.Na avaliação de Dolci, esse comportamento ajuda a explicar por que as campanhas eleitorais passaram a priorizar grupos altamente engajados, capazes de influenciar a circulação de conteúdos e pautar parte do debate público, mesmo sem representar a maioria do eleitorado.“O que chama atenção é que esse barulho está muito conectado aos debates culturais, morais e de identidade. Esse grupo é muito ativo, produz muito conteúdo e acaba dando a impressão de que todo o país está discutindo política o tempo inteiro. Mas essa não é a realidade da maior parte da população”, afirmou.Para o cientista de dados, compreender essa diferença é fundamental para analisar as estratégias eleitorais de 2026. Enquanto as redes sociais amplificam o embate entre grupos mais mobilizados, a maioria dos eleitores permanece distante do debate político cotidiano e tende a decidir o voto com base em outros fatores, como economia, segurança e percepção sobre os candidatos.“É muito barulho, mas não necessariamente é tanta gente. Esse é um ponto importante para entender como as campanhas se organizam e por que nem tudo o que domina as redes sociais necessariamente representa o sentimento do eleitor brasileiro”, concluiu.O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post Internet parece polarizada, mas política representa só 4% das conversas appeared first on InfoMoney.
