A Vale apresentará seus dados de produção e venda após o fechamento do mercado nesta terça-feira (21). Para analistas do Santander e da Genial, os números devem mostrar um período de recuperação operacional da mineradora, mas com pressões relevantes de custos. Ambas as instituições projetam EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em torno de US$ 3,8 bilhões e consideram a divisão de minério de ferro como o principal motor dos resultados da companhia.DestaquesAs duas casas projetam EBITDA próximo de US$ 3,8 bilhões, indicando resultados sólidos mesmo com pressão de custos.A Genial sugere forte recuperação da produção de minério de ferro após o trimestre afetado pelas chuvas, estimando 85,3 milhões de toneladas.O Santander destaca a contribuição da divisão de Metais para Transição Energética (ETM), que deve responder por cerca de 28% do EBITDA consolidado.Ambas as instituições projetam C1 ao redor de US$ 25/t, refletindo impactos de câmbio, diesel, petróleo e frete.Leia tambémIbovespa: Cautela geopolítica e espera por Vale impedem recuperação após quedasPreocupações com a inflação global seguem no radar, em meio à alta do petróleoVotos de acionistas da Vale já computados indicam vantagem de Ollie para conselhoO resultado final, porém, ainda dependerá de novos votos a serem computados, incluindo os de detentores de ADRs, que serão representados na AGE pelo JPMorgan Chase BankO Santander estima EBITDA consolidado de US$ 3,85 bilhões entre abril e junho, queda de 1% na comparação trimestral e crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a Genial projeta EBITDA de US$ 3,8 bilhões, recuo de 1,7% frente ao primeiro trimestre e avanço de 11,8% na base anual. As estimativas ficam próximas ou ligeiramente acima do consenso de mercado.Na avaliação da Genial, o segundo trimestre deve marcar uma forte recomposição dos volumes de minério de ferro após um início de ano prejudicado pelas chuvas. A corretora estima produção de 85,3 milhões de toneladas, alta de 22,5% em relação ao trimestre anterior e avanço de 2,1% na comparação anual. O movimento seria sustentado pela normalização das condições climáticas e pela maturação dos projetos de expansão em Capanema, Vargem Grande e Brucutu, em Minas Gerais.O Santander também vê um trimestre operacionalmente sólido. Embora não tenha divulgado projeção de produção total de minério de ferro, o banco estima embarques de 80,6 milhões de toneladas, crescimento de 4% na comparação anual, impulsionados justamente pelo avanço dos projetos de expansão de Capanema e Vargem Grande. O desempenho é parcialmente compensado pelas paralisações ainda vigentes nas operações de Fábrica e Viga.Em relação aos preços, o Santander projeta preço realizado de US$ 94,70 por tonelada para os finos, enquanto a Genial estima US$ 95,2 por tonelada. Segundo a corretora, apesar da resiliência da referência de 61% de teor de ferro, parte do ganho deve ser compensada por ajustes no sistema de precificação provisória e pela redução dos prêmios de qualidade.No mercado de pelotas, a Genial vê desempenho mais favorável. A expectativa é de preço realizado de US$ 136,7 por tonelada, alta de 2,1% em relação ao trimestre anterior. A corretora destaca que a combinação entre preços internacionais ainda sustentados e a valorização dos produtos de maior qualidade deve amenizar parte das pressões sobre os resultados.Os custos continuam sendo o principal ponto de atenção para os analistas. O Santander estima custo caixa C1, da mina ao cliente e excluindo compras de terceiros, de US$ 25 por tonelada, acima dos US$ 24 registrados no primeiro trimestre, refletindo efeitos cambiais, alta do petróleo, inflação do diesel e aumento dos custos de frete. A Genial trabalha com projeção semelhante, de US$ 25,2 por tonelada.Apesar do avanço dos custos, a Genial avalia que o movimento representa um pico temporário, não uma deterioração estrutural da competitividade da companhia. Segundo a casa, os fatores que pressionaram o período incluem a valorização do real frente ao dólar, o carregamento de custos de produção do trimestre anterior, reajustes do diesel e os impactos decorrentes da desconsolidação da Aliança Energia.A corretora também chama atenção para a alta do frete unitário, estimado em US$ 22,3 por tonelada, avanço de 24% na comparação trimestral. Ainda assim, a exposição da Vale à volatilidade do mercado de fretes é limitada, uma vez que mais de 90% dos contratos da companhia estão protegidos por acordos de médio e longo prazo, deixando o combustível marítimo como principal variável de risco.Na divisão de Metais para Transição Energética (ETM), o Santander segue vendo contribuição relevante para os resultados. O banco estima EBITDA de US$ 1,07 bilhão para a unidade, equivalente a cerca de 28% do EBITDA consolidado. A produção de cobre é projetada em 94 mil toneladas, enquanto a de níquel deve atingir 48 mil toneladas.Leia mais:Confira o calendário de resultados do 2º trimestre de 2026 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 2T26 ganha destaque: veja ações e setores para ficar de olhoA Genial também destaca o desempenho dos metais básicos, mas estima números um pouco diferentes. A corretora projeta produção de cobre de 97,7 mil toneladas e de níquel de 42,8 mil toneladas. Embora o níquel deva ser impactado por paradas de manutenção, os preços dos dois metais permanecem em patamares favoráveis, ajudando a sustentar a rentabilidade da divisão.Em termos de recomendação, a Genial manteve classificação de manter, mas com viés construtivo. A casa afirma que uma eventual confirmação da recuperação operacional, da manutenção dos prêmios e do caráter transitório da alta dos custos pode abrir espaço para uma revisão positiva da recomendação após a divulgação dos números. O preço-alvo é de R$ 86 para VALE3 e US$ 17 para os ADRs negociados em Nova York, implicando potencial de valorização de cerca de 16%. Já o Santander não divulgou recomendação ou preço-alvo no relatório analisado.Vale (VALE3): comparação das estimativas para o 2T26IndicadorSantanderGenialEBITDA consolidadoUS$ 3,85 bilhõesUS$ 3,8 bilhõesVariação trimestral do EBITDA-1,0%-1,7%Variação anual do EBITDA+12,0%+11,8%Produção de minério de ferron/d85,3 MtVariação trimestral da produçãon/d+22,5%Variação anual da produçãon/d+2,1%Embarques de minério de ferro80,6 Mtn/dPreço realizado do minério de ferro finoUS$ 94,7/tUS$ 95,2/tCusto caixa C1US$ 25,0/tUS$ 25,2/tVariação trimestral do C1+4,2%+6,9%Frete unitárion/dUS$ 22,3/tProdução de cobre94,0 kt97,7 ktVariação anual do cobre+2,0%+5,5%Produção de níquel48,0 kt42,8 ktVariação anual do níquel+19,0%+6,0%EBITDA da divisão ETMUS$ 1,07 bilhãon/dMargem ETM44%n/dParticipação da ETM no EBITDA28%n/dRecomendaçãon/dManter (viés construtivo)Preço-alvo VALE3n/dR$ 86,00Preço-alvo ADRn/dUS$ 17,00Potencial de valorizaçãon/d+16%The post Vale: produção de minério de ferro pode superar 85 mi toneladas; veja o que esperar appeared first on InfoMoney.
