“Um fundo que rende 107% do CDI perde, em dez anos, para um ETF que rende apenas 100%. Chega mais dinheiro para o cliente.” A conta, feita pelo gestor Leonardo Vasques, ajuda a explicar por que os ETFs de renda fixa — fundos de índice negociados em Bolsa — estão entre as classes de investimento que mais crescem no mercado brasileiro. O tamanho do avanço impressiona. Hoje há cerca de R$ 59 bilhões alocados nesses produtos. Há menos de um ano, era um terço disso. “O crescimento foi acentuado e muito rápido”, diz o gestor.A conversa aconteceu no programa Carteiros do Condado, apresentado por Lucas Collazo e Davi Fontenele. Nascido para comentar cartas de gestoras, o programa recebeu Vasques, gestor de carteiras da XP Asset Management.O gestor lembra que o ETF não tem o come-cotas, a mordida semestral do Imposto de Renda que alcança os fundos comuns. “O come-cotas é perverso porque é um imposto invisível. O cliente não vê na rentabilidade do fundo”, afirma.Veja mais: “Nunca nada tão óbvio esteve tão barato”, diz Appel, da Adam, sobre alocação em IAO peso do imposto invisívelDuas vezes ao ano, no fim de maio e no fim de novembro, a Receita reduz a quantidade de cotas do investidor para recolher 15% sobre o ganho. No ETF, isso não acontece — e a diferença se acumula ano após ano.Num país com juros de 14% a 15% ao ano, deixar de pagar esse imposto a cada semestre faz o investidor entrar no ano seguinte com cerca de 2% de patrimônio a mais. “Vou fazendo juros sobre juros, que vão criando a diferença”, explica Vasques.Há outras vantagens. O ETF de renda fixa não exige a guia de imposto (a DARF) a cada venda, porque o recolhimento é automático, feito pela corretora. A alíquota também é fixa: o investidor sabe desde o primeiro dia se vai pagar 15% ou 25%, sem prazo mínimo.O crescimento recente tem explicação simples: a classe é nova. O primeiro ETF brasileiro é de 2004, mas o de renda fixa só chegou em 2018. “A gente demorou um tempão para ir para a classe que realmente atrai o investidor no Brasil”, diz o gestor.E também: Dahlia vê nova ordem mundial enfraquecer o dólar e redesenhar o BrasilUm fundo que se compra como açãoMas o que é, afinal, um ETF? “É um fundo, a coisa mais simples possível”, resume Vasques. A diferença para os fundos das plataformas é que ele é negociado em bolsa, na B3 (B3SA3), e pode ser comprado e vendido a qualquer momento do dia.Ao contrário de uma ação ou de um fundo imobiliário, o ETF é aberto: a quantidade de cotas sobe e desce todos os dias. Por isso ele negocia sempre perto do valor real da carteira, sem os descontos que costumam castigar outros fundos listados.Isso derruba o medo mais comum, o da liquidez. “Você não tem que olhar quanto o ETF negocia. Tem que olhar o que tem dentro do ETF”, afirma o gestor. Com ativos líquidos por trás, é possível negociar valores grandes sem mexer no preço.E o que faz o gestor de um fundo que apenas segue um índice? “Eu não escolho o ativo, mas tenho que escolher o índice”, diz Vasques. Foi ele quem pôs de pé o primeiro ETF do país, o PIBB11, numa iniciativa do BNDES, com emissão de R$ 600 milhões.Leia tambémImposto da herança: por que antecipar doação de bens pode sair pela culatraCom estados estudando elevar o ITCMD, alta renda corre para doar patrimônio, mas especialistas dizem que a antecipação nem sempre reduz o imposto a pagar; entendaNos Estados Unidos, o passivo já superou o ativoO contraste com o exterior é grande. Nos Estados Unidos, o mercado de ETFs soma cerca de US$ 15,5 trilhões e cresce a dois dígitos há uma década. Só neste ano, já captou mais de US$ 1 trilhão, rumo a um novo recorde.A concentração assusta. Um único fundo, o VOO, que replica o índice S&P 500, passou de US$ 1 trilhão. Somados, os três maiores ETFs de S&P 500 valem mais que toda a indústria brasileira de fundos, de cerca de R$ 10 trilhões.Lá fora, os fundos tradicionais perdem espaço rápido para os ETFs, também por vantagem de imposto. E existe o ETF ativo, em que o gestor escolhe os ativos — modalidade ainda não permitida no Brasil, onde todos seguem um índice.Aqui, o potencial é enorme: os ETFs representam apenas 1% da indústria de fundos.“Um fundo que rende 107% do CDI perde, em dez anos, para um ETF que rende apenas 100%. Chega mais dinheiro para o cliente.” A conta, feita pelo gestor Leonardo Vasques, ajuda a explicar por que os ETFs de renda fixa — fundos de índice negociados em Bolsa — estão entre as classes de investimento que mais crescem no mercado brasileiro.O tamanho do avanço impressiona. Hoje há cerca de R$ 59 bilhões alocados nesses produtos. Há menos de um ano, era um terço disso. “O crescimento foi acentuado e muito rápido”, diz o gestor.A conversa aconteceu no programa Carteiros do Condado, apresentado por Lucas Collazo e Davi Fontenele. Nascido para comentar cartas de gestoras, o programa recebeu Vasques, gestor de carteiras da XP Asset Management.O gestor lembra que o ETF não tem o come-cotas, a mordida semestral do Imposto de Renda que alcança os fundos comuns. “O come-cotas é perverso porque é um imposto invisível. O cliente não vê na rentabilidade do fundo”, afirma.Veja mais: “Nunca nada tão óbvio esteve tão barato”, diz Appel, da Adam, sobre alocação em IAO peso do imposto invisívelDuas vezes ao ano, no fim de maio e no fim de novembro, a Receita reduz a quantidade de cotas do investidor para recolher 15% sobre o ganho. No ETF, isso não acontece — e a diferença se acumula ano após ano.Num país com juros de 14% a 15% ao ano, deixar de pagar esse imposto a cada semestre faz o investidor entrar no ano seguinte com cerca de 2% de patrimônio a mais. “Vou fazendo juros sobre juros, que vão criando a diferença”, explica Vasques.Há outras vantagens. O ETF de renda fixa não exige a guia de imposto (a DARF) a cada venda, porque o recolhimento é automático, feito pela corretora. A alíquota também é fixa: o investidor sabe desde o primeiro dia se vai pagar 15% ou 25%, sem prazo mínimo.O crescimento recente tem explicação simples: a classe é nova. O primeiro ETF brasileiro é de 2004, mas o de renda fixa só chegou em 2018. “A gente demorou um tempão para ir para a classe que realmente atrai o investidor no Brasil”, diz o gestor.E também: Dahlia vê nova ordem mundial enfraquecer o dólar e redesenhar o BrasilUm fundo que se compra como açãoMas o que é, afinal, um ETF? “É um fundo, a coisa mais simples possível”, resume Vasques. A diferença para os fundos das plataformas é que ele é negociado em bolsa, na B3 (B3SA3), e pode ser comprado e vendido a qualquer momento do dia.Ao contrário de uma ação ou de um fundo imobiliário, o ETF é aberto: a quantidade de cotas sobe e desce todos os dias. Por isso ele negocia sempre perto do valor real da carteira, sem os descontos que costumam castigar outros fundos listados.Isso derruba o medo mais comum, o da liquidez. “Você não tem que olhar quanto o ETF negocia. Tem que olhar o que tem dentro do ETF”, afirma o gestor. Com ativos líquidos por trás, é possível negociar valores grandes sem mexer no preço.E o que faz o gestor de um fundo que apenas segue um índice? “Eu não escolho o ativo, mas tenho que escolher o índice”, diz Vasques. Foi ele quem pôs de pé o primeiro ETF do país, o PIBB11, numa iniciativa do BNDES, com emissão de R$ 600 milhões.Leia tambémImposto da herança: por que antecipar doação de bens pode sair pela culatraCom estados estudando elevar o ITCMD, alta renda corre para doar patrimônio, mas especialistas dizem que a antecipação nem sempre reduz o imposto a pagar; entendaNos Estados Unidos, o passivo já superou o ativoO contraste com o exterior é grande. Nos Estados Unidos, o mercado de ETFs soma cerca de US$ 15,5 trilhões e cresce a dois dígitos há uma década. Só neste ano, já captou mais de US$ 1 trilhão, rumo a um novo recorde.A concentração assusta. Um único fundo, o VOO, que replica o índice S&P 500, passou de US$ 1 trilhão. Somados, os três maiores ETFs de S&P 500 valem mais que toda a indústria brasileira de fundos, de cerca de R$ 10 trilhões.Lá fora, os fundos tradicionais perdem espaço rápido para os ETFs, também por vantagem de imposto. E existe o ETF ativo, em que o gestor escolhe os ativos —A porta de entrada para o difícilPara os apresentadores, o ETF é também um atalho. “É um excelente instrumento para criar acessibilidade a temas que não são fáceis de acessar”, diz Collazo, citando a corrida por empresas de memória da Coreia do Sul, no rastro da inteligência artificial.A força dos números aparece no dia a dia. Vasques cita fundos com R$ 50 milhões a R$ 60 milhões de patrimônio que já receberam ordens de R$ 100 milhões, maiores que o próprio fundo, sem sustos. “Isso ajuda a dar segurança para quem vai operar”, conclui.The post A vantagem tributária que ajuda a explicar o avanço dos ETFs de renda fixa no Brasil appeared first on InfoMoney.
