Após citar informações falsas sobre a origem das urnas eletrônicas em um evento com diplomatas estrangeiros, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou, em nota, ter posto em dúvida o processo eleitoral. O senador havia dito que as máquinas usadas em eleições no Brasil tem origem na empresa venezuelana Smartmatic, informação desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A declaração foi dada nesta terça-feira em um evento em Brasília.No texto, Flávio acrescenta ainda que o envio de observadores internacionais para o acompanhamento de eleições é “uma prática adotada em diversas democracias e reforça a transparência no sistema eleitoral”. Leia abaixo a nota na íntegra:“O senador e pré-candidato à Presidência da Repúplica, Flávio Bolsonaro, não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro. O convite para a presença de observadores internacionais segue uma prática adotada em diversas democracias e reforça a transparência no sistema eleitoral”Leia tambémDatafolha deve medir impacto eleitoral do tarifaço na disputa entre Lula e FlávioPesquisa divulgada na sexta-feira será a primeira do instituto após anúncio da sobretaxa de 25% sobre produtos brasileirosFlávio Bolsonaro: Não abriremos mão da energia fóssil, e lei será organizadaFlávio voltou a defender segurança jurídica e a flexibilização de licenciamento ambiental, além de uma modernização legislativa para favorecer a construção de data centers no BrasilO pré-candidato discursou nesta terça-feira no encontro “Debatendo o Brasil”, organizado pelo site The Brazilian Report e a agência Novo Selo Comunicação. Estavam presentes membros do corpo diplomático de 42 países, como Estados Unidos, Israel, Reino Unido, África do Sul, Austrália, Paraguai, União Europeia e Alemanha, entre outros.Na fala, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — que se tornou inelegível por uma reunião com embaixadores na qual teceu ataques ao sistema eleitoral do país — mencionou dados inverídicos sobre uma empresa venezuelana que aparece em documentos da CIA divulgados pela gestão Trump na semana passada.— O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes — disse Flávio Bolsonaro.Antes, o parlamentar havia feito referência a documentos da CIA tornados públicos na semana passada, que levantam suspeitas sobre o processo eleitoral venezuelano. A papelada faz parte de um pacote de conteúdos divulgados pela Casa Branca após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aliado da família Bolsonaro, realizar um pronunciamento levantando suspeitas de interferência estrangeira nas eleições americanas de 2020.O documento em questão, apesar de apontar que oficiais da Venezuela desenvolveram interesse e “alguma capacidade” em manipular sistemas eletrônicos de votação, não obteve confimação definitiva de que fraudes eletrônicas de grande escala foram executadas com sucesso no país. Ao discursar, Flávio citou especificamente a empresa venezuelana Smartmatic, repetindo uma informação falsa já desmentida no passado pelo TSE:— E uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, é que tenha uma programação para alteração das votações naquele país — afirmou Flávio, acrescentando o dado equivocado: — Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana.A Smartmatic não fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras. Em 2017, quando a informação falsa começou a viralizar nas redes, o TSE publicou uma nota a desmentindo. “As urnas eletrônicas brasileiras foram projetadas por técnicos a serviço da Justiça Eleitoral e são produzidas, sob a sua direta coordenação, por empresas selecionadas por meio de processos licitatórios públicos e de ampla concorrência”, diz a nota. Novos desmentidos foram publicados pelo tribunal nos ciclos eleitorais seguintes, como em 2020 e 2022. Questionado nesta terça-feira, o TSE reafirmou que não há relação entre as urnas e a empresa venezuelana.A Smartmatic já celebrou contratos com a Justiça Eleitoral brasileira. No entanto, eles versavam sobre a prestação de serviços de conexão de dados e voz e não envolviam a programação ou operação das urnas eletrônicas. A empresa venezuelana até chegou a participar de uma licitação para fabricar urnas para as eleições de 2020, mas perdeu a disputa para uma concorrente.O próprio Flávio lembrou à plateia da condenação do pai pelo TSE , que, durante encontro com embaixadores no Palácio do Planalto em 2022, também teceu acusações infundadas sobre o sistema eleitoral brasileiro:— Alguém que tinha uma preocupação com a transparência, a segurança do nosso sistema eleitoral e apenas manifestava as suas preocupações para que os embaixadores levassem esse cenário de preocupação para os seus países — argumentou, minimizando o episódio.O TSE, no entanto, entendeu que o pai de Flávio praticou abuso de poder político e usou indevidamente meios de comunicação ao atacar, sem provas, as urnas eletrônicas na reunião às vésperas da campanha à reeleição na qual acabou derrotado. Segundo a acusação, ao transmitir o discurso com ataques às urnas eletrônicas na TV Brasil e em redes sociais, Bolsonaro teve “expressivo alcance na difusão de informações falsas já reiteradamente desmentidas”.The post Após citar dados falsos sobre urnas, Flávio diz não duvidar do processo eleitoral appeared first on InfoMoney.
