A Vale (VALE3) divulgou na terça-feira seu relatório de vendas e produção do segundo trimestre de 2026, com destaque para a produção de minério de ferro, que alcançou o maior volume para um segundo trimestre desde 2018. O balanço da mineradora será divulgado em 30 de julho. Os números foram bem recebidos e, num dia de ânimo geral para a Bolsa brasileira, os papéis fecharam com ganhos de 3,96%, a R$ 75,10. Na avaliação do Bradesco BBI, a Vale apresentou mais um conjunto de resultados operacionais robusto. Embora a produção dos três metais tenha ficado amplamente em linha com suas estimativas, os volumes de vendas superaram em todos os segmentos, sugerindo um potencial de alta de cerca de 5% em relação à estimativa de EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 3,7 bilhões. A XP Investimentos classificou o relatório de produção como ligeiramente positivo, com produção de minério de ferro amplamente em linha as estimativas e envios acima das expectativas. Na ponta negativa, a corretora citou as pressões de custos.Segundo os analistas da XP, analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, os volumes de vendas de minério de ferro, pelotas e níquel acima do esperado, combinados com preços realizados mais elevados de cobre e níquel, sustentam um aumento de 5% na estimativa de EBITDA no 2T26, para US$ 3,9 bilhões. O Itaú BBA também revisou para cima sua estimativa de Ebitda pro forma para o período, para cerca de US$ 3,83 bilhões, alta de 5,5% em relação à projeção anterior de US$ 3,63 bilhões.De acordo com BBA, o trimestre foi marcado pelas vendas acima do espera e pela resiliência dos preços realizados do minério de ferro.Leia tambémAcionistas da Vale elegem Ollie como novo presidente do conselho de administraçãoOllie já atuava como Lead Independent Director (LID) no conselho de administração da Vale e sua candidatura contava com o apoio da PreviIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa dispara 2% e volta aos 176 mil pontos com VALE3 e WEGE3Bolsas dos EUA recuam, enquanto petróleo avança Para o JPMorgan, os números da Vale foram positivos, impulsionados por volumes mais fortes de finos/ROM (minério bruto) e preços de pelotas ligeiramente melhores, sustentados por prêmios mais firmes.Na mesma linha, a equipe do BTG liderada pelo analista Leonardo Correa avalia que a mineradora reportou uma prévia sólida, com os volumes de cobre e os preços realizados se destacando como os principais pontos positivos da divulgação.Pressão de custosSegundo a Genial Investimentos, o principal ponto de atenção no relatório operacional da Vale (VALE3) continua sendo a dinâmica de custos. A casa destaca que a companhia não divulgou indicadores como custo C1, que envolve mina, ferrovia e porto, e frete, mantendo suas estimativas em US$ 25,2 por tonelada para C1 e US$ 22,3 por tonelada para frete.A Genial ressalta ainda que dois fatores podem pressionar o resultado financeiro da mineradora no balanço previsto para 30 de julho. O primeiro é o impacto de US$ 88 milhões em ajustes de preços provisórios ainda não liquidados, relacionados principalmente a cobre e níquel, após a queda das cotações do ouro. O segundo é a provável redução da receita proveniente do ouro como subproduto, cujo volume produzido recuou para 108 mil onças, queda de 10,7% na comparação trimestral.Considerando esses efeitos, a Genial estima que o Ebitda pro forma da Vale no segundo trimestre de 2026 fique em aproximadamente US$ 3,83 bilhões, cerca de 7% acima do consenso de mercado. Apesar da pressão esperada em custos e subprodutos, a projeção indica um resultado operacional acima das expectativas.O BTG também destaca que as pressões de custo no curto prazo, vindas de diesel, câmbio e manutenção, devem afetar os resultados do 2T. No entanto, o banco enxerga as pressões de custo como majoritariamente exógenas e não reflexo de qualquer deterioração na capacidade de execução da Vale. Segundo o banco, a administração continua entregando desempenho operacional mais forte, alocação de capital sólida e maior consistência.Vale está no caminho certo para atingir metasOlhando para o futuro, os analistas do Bradesco BBI, Rafael Barcellos e Renato Chanes, veem a Vale no caminho certo para atingir suas metas de produção para o ano de 2026 em todas as commodities.O Goldman Sachs também acredita que a mineradora está no caminho para cumprir o guidance de produção para o ano, mas observa que os investidores estão cada vez mais atentos ao desempenho de custos diante dos desafios macroeconômicos.O Goldman Sachs projeta um resultado mais fraco para a Vale, com Ebitda ajustado estimado em US$ 3,7 bilhões, abaixo do consenso de US$ 3,8 bilhões. A expectativa é de pressão causada por volumes de vendas de metais básicos inferiores ao esperado e custos mais elevados, influenciados pela valorização do real, aumento dos preços do petróleo e fretes, além da queda nos preços de subprodutos.RecomendaçõesApesar da prévia operacional reforçar a visão de execução operacional consistente em todas as operações, a XP Investimentos manteve recomendação neutra diante das pressões de custos e dos níveis atuais de valuation. A Genial Investimentos também reiterou classificação neutra e preço-alvo de R$ 86.O BTG e BBA reiteraram recomendação de compra para ações da Vale, com preço-alvo de, respectivamente, R$ 90 e R$ 95.O Goldman Sachs, BBI e JPMorgan mantiveram classificação de compra, com preço-alvo de US$ 18, US$ 19 e US$ 20 por ADR, nesta ordem. Já o Morgan Stanley manteve classificação neutra e preço-alvo de US$ 16,50.The post Vale (VALE3) tem melhor 2º tri para minério desde 2018 e ação sobe cerca de 4% appeared first on InfoMoney.
