Investimentos alternativos, como private equity, imóveis e infraestrutura, estão ganhando espaço nas carteiras de investidores individuais, mas a expansão da alocação exige atenção ao risco, ao prazo e à escolha do gestor, afirmaram especialistas durante painel sobre o tema realizado na Expert XP 2026 nesta sexta-feira (24), em São Paulo. A discussão ocorreu em um momento em que os juros reais elevados tornam a renda fixa mais atraente para os investidores brasileiros. Para os participantes, porém, a concentração em uma única classe de ativos pode limitar a diversificação da carteira e deixar de lado oportunidades ligadas à economia real.Segundo os especialistas, investimentos alternativos podem ampliar a diversificação de uma carteira, mas exigem mais do que a busca por uma classe de ativos com potencial de retorno. A análise da estratégia, do risco, do prazo e da capacidade do gestor de selecionar e desenvolver os investimentos é parte central da decisão.Para Thiago Bronzi, sócio e líder de investimentos para rodovias na Pátria Investimentos, o termo “alternativos” vem perdendo parte do sentido original à medida que esses ativos passam a ser acessados por um grupo maior de investidores.“O alternativo está se tornando mainstream, porque, apesar do risco que é inerente, o private equity e o imobiliário são lastreados em ativos reais, e isso traz uma segurança na volatilidade”, afirmou.Segundo Bronzi, a diversificação proporcionada por esses investimentos é uma tendência de longo prazo. “É uma tendência irreversível que haja uma alocação para os alternativos em função da complementariedade que essa classe traz para uma carteira”, disse.A tese também foi defendida por Marcus Valpassos, sócio gestor imobiliário na Icatu Vanguarda. Para ele, o cenário de juros reais elevados no Brasil dificulta a migração de investidores para ativos de maior risco, mas não elimina as oportunidades na economia real.“É impossível dissociar o patamar atual de juros de um cenário de risco fiscal”, afirmou. Segundo Valpassos, o ambiente atual é “extremamente desafiador”, mas a análise da economia real apresenta um quadro diferente.Leia tambémExpert XP: Como o Brasil virou peça-chave na estratégia global da NBA e da NFLEm painel na Expert XP, executivos da NBA e da NFL revelaram como o Brasil se tornou prioridade nas estratégias de expansão internacional das ligasO gestor citou a queda do desemprego e o desempenho de setores como imóveis, logística, shopping centers e hotelaria como fatores que podem influenciar a avaliação de investimentos ligados a ativos reais.“Se a gente concluir que parte relevante dos juros no Brasil é fruto de um acréscimo de risco, uma carteira bem administrada age como amortecedor de volatilidade”, afirmou.Para Valpassos, a construção de uma carteira capaz de atravessar diferentes ciclos econômicos é uma das principais oportunidades para os investidores no setor imobiliário. “A oportunidade da década no meu setor é montar uma carteira que tenha essas características de resiliência”, disse.Longo prazo e criação de valorNa avaliação de Chu Kong, head de private equity na XP Asset, o investimento em private equity pode ser dividido em três etapas: a definição da tese, a criação de valor e a saída do investimento.“O início é a tese de investimento. A gente é criador de teses de investimento, que é como você investe e o que vai proporcionar de retorno ao seu investidor. O meio é a criação de valor. O fim é a saída”, afirmou.Como exemplo, o executivo citou o investimento na LiveMode, empresa responsável pela operação da CazéTV, canal de conteúdo esportivo criado pelo streamer Casimiro Miguel. Segundo Guilherme Teixeira, sócio do prive equity da XP Asset e conselheiro da LiveMode, a tese de investimento estava relacionada ao crescimento da oferta de conteúdo esportivo em plataformas de streaming.Leia tambémExpert XP: Vamos melhorar o superávit “custe o que custar”, afirma DuriganMinistro da Fazenda afirmou que o compromisso fiscal é parte central do quebra-cabeça da economiaA CazéTV ganhou projeção após a transmissão de partidas de futebol e, posteriormente, ampliou sua presença no mercado de direitos esportivos. “Nosso aporte fez com que a companhia consolidasse esse modelo de negócio”, afirmou Teixeira.O caso, segundo os participantes, ilustra uma das principais características do private equity: o retorno não depende apenas da compra de um ativo, mas da capacidade do gestor de contribuir para a expansão e a transformação da empresa investida.Erros estão no curto prazo e na escolha do gestorAo final do painel, os especialistas foram questionados sobre os principais erros cometidos por investidores que começam a olhar para os ativos alternativos.Para Valpassos, um dos problemas é a concentração excessiva no curto prazo e a subestimação de riscos que se manifestam ao longo do tempo.“Acho que é pensar muito no curto prazo, ignorar riscos sistêmicos que acontecem ao longo do tempo e abrir mão de oportunidades na economia real que dão segurança quando você consegue fazer uma gestão consciente dos dois ativos”, afirmou.Bronzi destacou a escolha do gestor como um dos principais pontos de atenção.“O fundamental para quem está vindo do investimento tradicional para o alternativo é a seleção do gestor. O bom gestor vai conseguir separar, de todos os ativos disponíveis, aqueles que têm valor”, disse.Para ele, o investidor deve entender quem está responsável pela gestão do recurso. “O primeiro passo é entender com quem está investindo, porque esse vai ser o representante naquela seleção de valor”, afirmou.Chu concordou. “Para você entrar em alternativos, que representam riscos, comece pela seleção do seu time e seu gestor, com um track record robusto”, disse.The post Viraram “mainstream”? Investimentos alternativos ganham espaço nas carteiras appeared first on InfoMoney.
