Com fee fixo, “próximo passo é usar ETF para tudo”, diz CEO da BlackRock no Brasil

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Os ETFs estão em franco crescimento, mas estão longe do teto, diante da migração estrutural da indústria para o modelo de remuneração baseada em taxa fixa (fee-based). E o próximo passo será usar os fundos de índice “para tudo”, na avaliação de Bruno Barino, CEO da BlackRock no Brasil.“A transição para o fee-based no Brasil está sendo muito mais rápida do que muitos esperavam. O segundo passo será usar os ETFs como building blocks para tudo”, disse Barino na sexta-feira (24), em participação na Expert XP 2026, em São Paulo.No fee-based, o assessor de investimentos passa a buscar maior eficiência de custos dentro dos portfólios, ambiente no qual os ETFs se destacam devido às suas baixas taxas de administração e alta liquidez. Barino lembrou que, nos Estados Unidos, mais de 70% dos planejadores de patrimônio utilizam carteiras modelo constituídas por ETFs, permitindo que o alocador ganhe escala e foque o seu tempo na estruturação patrimonial e tributária do cliente, em vez de despender energia na seleção individual de ativos.Segundo Fabiano Cintra, head de Seleção de Fundos na XP, há uma movimentação estrutural acontecendo na formação de portfólios, que evolui de um modelo antigo “produto a produto” para um modelo de alocação holístico, separando o Beta (índices de mercado eficientes via ETFs) do Alfa (gestão ativa de valor).“É uma revolução irrefreável e é muito importante que a gente estejamos sintonizados em como que o ETF tem se integrado no dia a dia da assessoria, dos investimentos, para que isso possa fazer parte também das nossas recomendações”, afirmou Cintra.Leia tambémGalípolo: “Convicção é de que cenário atual ainda demanda juro em patamar restritivo”Segundo o presidente do BC destacou na Expert XP, a economia brasileira e o mercado de trabalho seguem resilientes, enquanto as expectativas de inflação continuam sendo fonte de preocupação para o BCMônica Camino, Head de U.S. Offshore da Vanguard, trouxe o histórico do mercado americano após a crise financeira de 2008 para ilustrar a mudança na relação do investidor com os custos e com o papel do assessor.“O papel do assessor começou a mudar de um vendedor/corretor de produtos para, de fato, um planejador financeiro, levando em consideração os objetivos e as necessidades do investidor final e como auxiliá-lo a atingir suas metas”, explicou Camino. Ela ressalta ainda a atratividade dos ETFs irlandeses (UCITS) para investidores latino-americanos, principalmente por conta das classes de acumulação que reinvestem rendimentos com maior eficiência tributária, o que não é feito nos Estados Unidos por questões regulatórias.ETF no País da renda fixa é de… renda fixaAlém das mudanças na distribuição, a consolidação da classe no Brasil passa pelo aumento da oferta, que vem se dando, no Brasil, principalmente entre produtos de renda fixa.Leandro Bousquet, CEO da XP Asset, apontou que a gestora ampliou sua prateleira para mais de 22 fundos de índice, destacando que mais de 60% da captação líquida da indústria de ETFs no Brasil no primeiro semestre veio da renda fixa, favorecida também por eficiências fiscais operacionais em relação à compra direta de títulos públicos.Leia tambémExpert XP: Por que o consórcio virou ferramenta de formação de patrimônioEm painel na Expert XP 2026, executivos explicam como a restrição ao crédito imobiliário, a tecnologia e o papel dos assessores financeiros impulsionaram o setor a dobrar de tamanho em dez anos“Para que o ETF seja um produto de alocação e permita carteiras automatizadas, a grade de produtos precisa ser completa. O Brasil é um país onde a renda fixa tem um share muito relevante nos portfólios. Nosso trabalho é oferecer uma prateleira completa e, com a grade pronta, dar o segundo passo: criar carteiras modelo onde o cliente possa alocar em todas as classes de ativos”, destacou Busquet.Apesar do crescimento recente, os ETFs ainda representam pouco mais de 1% do total da indústria de fundos no Brasil, contra patamares próximos a 30% nos Estados Unidos. Para os especialistas, a disparidade demonstra que o mercado brasileiro está apenas nos primeiros passos de um processo inevitável de convergência global.“Precisamos fazer a lição de casa, que passa por educação do cliente, capacitação do assessor, ampliação da grade de produtos e melhoria na experiência do usuário na plataforma”, concluiu Bousquet.The post Com fee fixo, “próximo passo é usar ETF para tudo”, diz CEO da BlackRock no Brasil appeared first on InfoMoney.

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