O Itamaraty negou nesta sexta-feira (24) vistos de entrada a dois altos funcionários do Departamento de Estado americano, chefiado pelo republicano Marco Rubio. Identificados pelo jornal Washington Post como Riley M. Barnes e Samuel D. Samson, os dois viriam com a justificativa oficial de discutir liberdade de expressão no contexto das eleições. Em abril, Samson foi descrito como o responsável por travar a “guerra cultural de Trump contra a Europa” pelo jornal The New York Times.Segundo o veículo americano, no entanto, o objetivo da viagem era questionar a integridade do processo eleitoral. A negativa por parte do governo brasileiro ocorreu antes da reportagem. A avaliação interna levou em consideração que o pedido de visto com esta finalidade ocorreu em um momento em que o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) questionou as urnas eletrônicas, inclusive em um evento com diplomatas. Observou-se haver, então, um risco de instrumentalização da visita em um contexto pré-eleitoral.Leia tambémQuem são os funcionários de Rubio que Trump quer mandar ao Brasil para contestar urnaItamaraty confirmou que a entrada foi negada para Riley Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto do Departamento de Estado americanoTSE convida diplomatas americanos para explicar funcionamento da urna eletrônicaEm nota, órgão disse que sua área internacional foi procurada pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar sobre visita de integrantes do governo americano, mas sem informação sobre qual seria a pauta; Itamaraty negou vistos a dois americanos que viriam ao Brasil discutir eleiçõesSamuel Samson ocupa atualmente a função de Subsecretário Adjunto de Estado no Gabinete de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL). Segundo a biografia disponível no site do Departamento de Estado, ele defende o “desenvolvimento de políticas para preservar a herança civilizacional ocidental da América, bem como outros projetos regionais e estruturais para promover a agenda ‘América em Primeiro Lugar’”.Filha de mãe filipina e pai americano, Samson é descrito pelo jornal americano como sendo católico desde a infância e adolescência. Por três anos ele trabalhou como diretor de parcerias estratégicas da organização sem fins lucrativos American Moment, apoiada pelo então senador J.D Vance, atualmente vice-presidente dos EUA. O grupo tem como objetivo ajudar jovens líderes conservadores a conseguirem carreiras no governo.Em abril, Samson foi personagem de uma reportagem do jornal The New York Times intitulada “O diplomata de 27 anos que trava a guerra cultural de Trump contra a Europa”. Segundo a matéria, Samson viajou ao continente para cultivar laços entre Washington e grupos de extrema-direita europeus, como o partido alemão Alternativa para a Alemanha (AfD).Em março, ele esteve em um encontro secreto em Londres com Nigel Farage, um dos principais defensores do Brexit e atualmente líder do partido Reform UK, com quem discutiu aborto e censura. Meses depois, em maio, viajou à Paris onde tentou convencer uma comissão de Direitos Humanos de que Marine Le Pen, líder do partido Reagrupamento Nacional (RN) , havia sido injustamente condenada por desvio de recursos do Parlamento Europeu.Ao jornal americano, Magali Lafourcade, diretora da comissão independente que aconselha o governo francês no tema, disse que Samson a questionou se eles pretendiam intervir a favor de Le Pen. Ela descreve a conversa com o americano como “circular” e afirmou ter se negado a posar para uma foto com Samson.“Para mim, pareceu mais uma busca por desinformação”, disse ela ao jornal, acrescentando que relatou o encontro governo francês sob a alegação de possível interferência estrangeira.Na França, Samson e colegas visitaram também o escritório da ONG Repórteres Sem Fronteira, onde criticaram a legislação europeia que regula big techs e redes sociais. Na conversa, Samson argumentou que a lei impedia nomes da direita de se expressarem online e afirmou que a França “gradualmente se tornava a Coreia do Norte”.Em uma outra viagem à Europa em dezembro, Samson passou pela Áustria, Eslováquia e Hungria, na época ainda governada pelo conservador Viktor Orbán. Em um discurso no Instituto Húngaro de Assuntos Internacionais, entidade vinculada ao governo conservador do país, ele afirmou que “Claramente, essa não é uma Europa de liberdade de expressão e autogoverno”.Samson, que na época desejava rebatizar seu gabinete para “Gabinete de Direitos Naturais”, acrescentou que pretendia empreender “ações direcionadas para resistir tanto aos autoritários tradicionais quanto aos ideólogos modernos que buscam minar esses bens sociais fundamentais”.Em setembro de 2025, Samson participou de uma reunião com representantes da AfD em Washington. Os políticos do partido afirmaram temer que a sigla possa ser banida na Alemanha, enquanto os americanos criticaram a legislação europeia que regular redes sociais. Também foi tema da conversa a teoria da conspiração de que líderes europeu buscam substituir a população branca por imigrantes.Já o outro funcionário americano barrado pela diplomacia brasileira é Riley M. Barnes, subsecretário para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho. Desde fevereiro, ele também é Coordenador Especial de Assuntos Tibetanos. No mês seguinte, assumiu a função de Embaixador para a Liberdade Religiosa Internacional. Antes, Barnes ocupou outros cargos no Departamento de Estado. Ele também já foi redator sênior de discursos do senador republicano do Texas John Cornyn.The post Funcionário dos EUA que teve visto negado é nome de Trump para “guerra cultural” appeared first on InfoMoney.
