(Bloomberg) — Os EUA interromperam pela segunda noite seguida uma sequência de quase duas semanas de ataques contra o Irã, enquanto a República Islâmica sinalizou que se absteria de qualquer retaliação e mantinha conversas com Omã sobre o Estreito de Ormuz.Após atacar o Irã por 13 dias, os EUA aparentemente se contiveram desde o final de sexta-feira, sem qualquer explicação ou anúncio, levantando questões sobre o próximo movimento do presidente Donald Trump. O exército do Irã disse neste domingo (26) que Teerã havia interrompido suas respostas como resultado disso.“Os EUA podem ter elaborado outros cenários para os próximos dias, mas a situação atual não é o que eles desejam”, disse o porta-voz iraniano Mohammad Akraminia à TV estatal. “Se os americanos insistirem em continuar a guerra e os ataques aéreos, a geografia da guerra se expandirá.”Leia tambémEUA suspendem ataques aéreos ao Irã, mas tensão permanece em meio a negociaçõesMesmo com a suspensão dos ataques entre EUA e Irã, outros focos de tensão continuam ativos na região; noo sábado, os rebeldes houthis do Iêmen anunciaram ataques com mísseis e drones contra a Arábia SauditaLeia tambémIrã vendeu US$ 18 bi em petróleo durante guerra e cessar-fogo, diz ministroAs vendas geraram mais de 60% da receita de petróleo prevista no orçamento anual do Irã, disse Mohsen PaknejadA trégua ocorreu enquanto uma reunião de fim de semana entre autoridades iranianas e omanitas indicava uma nova tentativa de resolver a questão crucial da navegação ao redor de Ormuz, um gargalo global que tem estado no centro do conflito que os EUA e Israel iniciaram no final de fevereiro.Perguntado no programa Meet the Press da NBC neste domingo se Trump havia decidido não escalar o conflito, o embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, disse que “não iria tão longe”.“O presidente está mantendo todas as opções na mesa”, disse Waltz. “O que o presidente está fazendo agora, como vimos o tempo todo, é dar espaço às negociações.”O embaixador descreveu as negociações como “contínuas, acontecendo em todos os níveis”, desde discussões sobre questões técnicas até “o mais alto nível” da liderança iraniana e norte-americana. Ele não deu detalhes.Tensão no Mar VermelhoCom o tráfego na crucial via navegável de Ormuz essencialmente paralisado, confrontos entre os militantes houthis do Iêmen e a Arábia Saudita também aumentaram as tensões ligadas a outro gargalo — o Estreito Bab el-Mandeb, no sul do Mar Vermelho.Os houthis, apoiados pelo Irã, afirmaram ter disparado mísseis e drones contra instalações ligadas à gigante do petróleo Saudi Aramco nas cidades portuárias de Jizan e Yanbu no sábado. Não houve confirmação imediata do governo saudita ou da Aramco.As autoridades sauditas emitiram brevemente alertas de emergência, antes de declarar que o perigo havia passado. Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita respondeu atacando posições militares houthis no final de sábado, segundo a Yemen TV, um canal afiliado ao governo internacionalmente reconhecido do país.A escalada no Mar Vermelho agrava uma pressão já severa sobre os fluxos regionais de energia causada pela paralisação quase total do tráfego via Ormuz, anteriormente o canal para um quinto do suprimento global de petróleo bruto.Na sexta-feira, a coalizão liderada pela Arábia Saudita atacou o porto de onde normalmente se originam os ataques marítimos dos houthis no Mar Vermelho. Os houthis também anunciaram que bloqueariam portos sauditas e atacaram três petroleiros ligados à Arábia Saudita no mar.Leia também: Gargalo marítimo não está apenas em Ormuz: conheça os estreitos mais vitais do mundoPreço do petróleo em riscoQualquer interrupção sustentada nas rotas de exportação da Arábia Saudita no Mar Vermelho — pelas quais o país está enviando milhões de barris de petróleo por dia como rota alternativa, principalmente de Yanbu — provavelmente elevaria ainda mais os preços do petróleo bruto.O petróleo Brent disparou cerca de 27% nas últimas duas semanas, com o agravamento dos confrontos entre EUA e Irã e a abertura efetiva de uma segunda frente pelos houthis na guerra. O índice de referência global fechou na sexta-feira a US$ 96,78 o barril.Trump, cada vez mais frustrado com Teerã por se recusar a reabrir Ormuz, disse no final de sexta-feira que os EUA estão “com as armas carregadas e prontos” para grandes ataques contra o Irã. Ele acrescentou que não havia decidido se seguiria adiante, depois de dizer ao Axios alguns dias atrás que estava considerando um “ataque massivo”.O New York Times noticiou que Trump e seus conselheiros decidiram, por enquanto, adiar os planos de escalar os ataques dos EUA, em parte devido a preocupações de que a guerra pudesse esgotar os estoques já reduzidos de interceptores antimísseis Patriot e outras armas de defesa aérea na região.Waltz negou isso no domingo, afirmando que os militares dos EUA têm tudo o que precisam para conduzir sua campanha.Leia também: Os três pontos que reacenderam o temor com inflação global e abalaram os mercadosEm busca de acordoTrump tem dito consistentemente que “prefere uma solução diplomática, mas continua mantendo todas as opções se o Irã continuar com atividades terroristas no Estreito de Ormuz ou contra aliados”, disse o porta-voz da Casa Branca, Steven Cheung, em comunicado. Seria “sensato para o Irã trabalhar em direção a um acordo negociado”.Os vice-ministros das Relações Exteriores do Irã e de Omã se encontraram em Teerã na sexta e no sábado para discutir a gestão da navegação marítima no Estreito de Ormuz, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da República Islâmica, Esmail Baghaei, no Telegram.“As conversas foram construtivas e alguns progressos foram feitos”, disse Baghaei, sem dar detalhes. Ele afirmou que consultas técnicas e políticas estavam em andamento e que não houve mudança no status do tráfego através do estreito.A aparente nova agressão dos houthis no Mar Vermelho ocorreu apesar de uma trégua instável entre o reino saudita e o Iêmen, que está em guerra civil há 12 anos.Os houthis sobreviveram a uma campanha de bombardeios de aproximadamente sete anos liderada pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos e ainda controlam áreas que contêm a maior parte da população do Iêmen, de mais de 40 milhões de pessoas. O Irã é o principal financiador e patrocinador dos houthis, embora o grupo seja mais autônomo do que outros proxies, como o Hezbollah no Líbano.©2026 Bloomberg L.P.The post Irã segue EUA e suspende ataques enquanto negocia com Omã novas regras para Ormuz appeared first on InfoMoney.
