Mesmo com um operacional consolidado, ainda havia espaço para incorporar uma nova camada de inteligência artificial à leitura do mercado. A decisão expõe uma mudança relevante no day trade: ferramentas quantitativas começam a ganhar espaço até entre profissionais experientes, não para substituir métodos já validados, mas para buscar mais precisão, agilidade e confirmação.Ivy Hypolito, trader e analista CNPI-P, e Sérgio Gargantini, trader, CEO e desenvolvedor principal do software ASG, concederam uma entrevista ao InfoMoney na Expert XP 2026. Eles detalharam como o software foi incorporado ao operacional e por que a parceria pretende aproximar a ferramenta tanto de veteranos quanto de operadores ainda em formação.Parceria com a ASGA experiência como usuária evoluiu, e Ivy tornou-se parceira da ASG. Segundo a analista, a aproximação ganhou força quando percebeu que a ferramenta com IA atendia a dúvidas recorrentes de seus alunos, como a identificação de regiões, o gatilho da entrada, a condução da posição e a saída. “É a maior dor dos meus alunos, algo que a ASG resolvia”, declara.Ao perceber que a ferramenta de IA poderia organizar essas informações sem executar as ordens, a trader enxergou uma forma de ampliar a autonomia dos alunos e reduzir a dependência de direcionamentos externos.“Quando eu vi a possibilidade de uma ferramenta resolver todas as dores dos meus alunos, foi fantástico”, conta Ivy. “A única coisa que ela não faz é clicar por eles, o que eu acho bom”.Gargantini afirma que o interesse genuíno de Ivy foi decisivo para a parceria. Além da experiência, o desenvolvedor cita a credibilidade e a preocupação da analista com outros operadores, principalmente com os iniciantes. Por isso, o projeto pretende ampliar o alcance da ferramenta sem abrir mão de uma comunicação responsável.“É levar a ASG para o maior número de pessoas, mas com responsabilidade, com ética, com compromisso”, assegura.Leia também: Ferramenta ASG transforma leitura de fluxo em sinais objetivos para tradersBusca por evoluçãoMesmo com uma estratégia já validada, Ivy afirma que nunca deixou de procurar maneiras de aprimorar sua leitura. Nesse processo, o software passou a atuar como uma camada adicional de confluência, capaz de elevar a confiança antes de uma tomada de suas decisões. “A ASG veio para se juntar com o meu operacional. É mais uma confirmação para fazer as minhas entradas”, explica Ivy.O primeiro contato aconteceu por acaso em um evento. Ela imaginou que a ASG fosse um robô ou uma ferramenta de copy trade. Entretanto, sua percepção mudou ao visualizar a ferramenta com IA exibindo suas linhas de referências no gráfico.“Quando eu vi ali as linhas traçadas, onde o mercado parava — porque, com o meu operacional, eu já identifico isso na tela também, então eu já tenho minhas regiões de interesse — eu falei: caramba, está de uma forma muito clara aqui, tudo que teoricamente eu demoro um tempo para identificar no meu gráfico”, recorda.Depois disso, Ivy pediu acesso para testar a ferramenta. Embora pretendesse avaliá-la por mais tempo, afirma que em apenas dois dias a ferramenta se encaixou perfeitamente com o método que já utilizava. A experiência contrariou sua resistência a determinadas soluções tecnológicas. “O Sérgio me deixou testar. E, assim, a princípio, eu ia testar por um tempo. Porém bastou eu abrir a ferramenta por dois dias, que ela se encaixou com tudo no meu operacional”, relata.Leia também: De advogada a trader: Ivy Hypolito levou 4 anos para mudar de carreiraMudanças no operacionalNa prática, a ferramenta passou a participar de diferentes etapas, da identificação das regiões ao gerenciamento da operação. “Melhorou em todos esses quesitos — confirmação, validação, assertividade, até a própria condução da operação —, porque não basta saber o ponto que você entra, depois tem a questão: eu entrei, e agora, onde eu saio?”, afirma.Além disso, Ivy destaca a redução do tempo de preparação antes do início do pregão. Antes, ela precisava dedicar mais tempo para mapear as regiões de interesse. Agora, essas referências já estão plotadas no gráfico ao abrir a ferramenta. “A partir do momento que eu abro a ferramenta, ela já está lá com todas as regiões de interesse demarcadas”, explica.Outro ponto destacado pela analista é que a ASG não descaracterizou sua estratégia. O software passou a apoiar a decisão de manter ou encerrar a posição. “Então, com a ASG, você consegue ver se está acelerando ou desacelerando e você pode continuar ou preferencialmente sair daquele movimento, encerrar o trade”, comenta Ivy. “Então você consegue ter muito mais clareza da região de finalização do trade também”, prossegue.Ainda assim, a decisão permanece nas mãos do operador. Para ela, a inteligência artificial deve potencializar qualidades e reduzir pontos vulneráveis, mas não assumir completamente a execução.Dessa maneira, experiência humana e processamento quantitativo funcionam como elementos complementares. “Se eu usar a inteligência artificial ao meu favor, para potencializar as qualidades que eu tenho ou melhorar as que eu não tenho, eu acho que é um potencial muito grande”, ressalta.Leia também: De day trade a swing trade: operação de Ivy Hypolito alcançou 10 mil pontos no ÍndiceTecnologia entre veteranosNa avaliação de Gargantini, profissionais experientes estão adotando ferramentas quantitativas principalmente pela praticidade. Ele compara a transição à mudança de um carro manual para um automático: o motorista preserva o conhecimento, mas reduz tarefas. “Depois que você tem o conforto do automático, chega um momento em que você não está mais a fim de ficar lá na embreagem, todo aquele trampo e tal”, argumenta.Além da confirmação, a ferramenta pode funcionar como filtro. Gargantini relata o caso de um veterano que desistiu de uma operação de compra após a ASG indicar força vendedora. O mercado recuou, segundo ele, e o alerta evitou uma entrada contrária ao movimento. Assim, a tecnologia também reforça a decisão de não operar.Leia mais: De guitarrista a trader: a história de superação de Sérgio Gargantini, criador da ASGEsse avanço ocorre enquanto participantes institucionais ampliam o uso de algoritmos, inteligência artificial e machine learning. Consequentemente, a leitura discricionária convive com um ambiente mais automatizado.Para Gargantini, softwares como a ASG oferecem informações que ferramentas tradicionais nem sempre apresentam. “O mercado está cada vez mais competitivo em relação a essa parte tecnológica”, observa.Nesse cenário, Gargantini diferencia a função da ASG conforme a experiência. Para veteranos, a ferramenta acrescenta validação ou invalidação à leitura construída por anos. Para quem desenvolve um método, a proposta é organizar informações. “É um apoio auxiliar para quem já é profissional, é um GPS principal para quem está começando”, define.Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice. The post Com 13 anos de mercado, Ivy Hypolito integra IA ao operacional e vira parceira da ASG appeared first on InfoMoney.
