A reunião feita ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir os programas de financiamentos para aquisições de carros para motoristas de aplicativos e taxistas, no âmbito do programa Move Brasil, ocorreu em um contexto de elevado pessimismo interno sobre os montantes que serão efetivamente emprestados.Interlocutores ouvidos pelo GLOBO apontam que, apesar dos R$ 30 bilhões de linha de crédito disponibilizados pelo governo, o cenário mais otimista é que sejam tomados em empréstimos cerca de um terço desse valor.Na avaliação mais realista, as contratações ficariam entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões, algo como o dobro do que foi efetivado desde maio, quando a linha de crédito foi criada e logo foi apontada como mais um item para a vitrine eleitoral da campanha de Lula à reeleição.Leia tambémLula: Vocês acham que quero brigar com China e EUA? Eu não sou louco“Ao invés de ficar brigando, eu quero derrotá-los estudando, investindo e pesquisando mais do que eles”, disse o presidenteAtlasIntel: Lula mantém liderança no 1º turno com 44,9%, contra 35,8% de FlávioRodada de julho reforça estabilidade na disputa eleitoral, com oscilações dentro da margem de erro nos cenários de 1º e 2º turnoApós a reunião de ontem com seus auxiliares, o presidente Lula criticou os bancos, que estariam criando dificuldades para conceder os empréstimos, mesmo contando com garantia federal para uma parcela das operações.Essa versão de linha de crédito incentivada para a compra de carrosnão tem grandes entusiastas no governo e seu fraco desempenho de certa forma serve de alento para as alas que achavam a ideia ruim. O mesmo vale para a linha voltada para a compra de motos e bicicletas para entregadores.Há uma leitura de que houve necessidade política de se fazer algo para o público de motoristas de aplicativos, mas também um reconhecimento de uma parcela do governo de que esse dinheiro poderia ser melhor aplicado.Os problemas desse programa surgiram no seu nascedouro. A ideia não veio da equipe econômica e sim da Secretaria de Comunicação da Presidência, que queria um programa para atender um público no qual o governo tem sido mal avaliado nas pesquisas de opinião. Durante sua gestação, os embates internos foram significativos até que o desenho que veio a público foi finalizado.O ritmo fraco dos empréstimos também está servindo de argumento para a equipe econômica defender que o impacto econômico dessas medidas é irrelevante, neutralizando as críticas de que estaria atuando na contramão do Banco Central — que contrai o crédito com juros altos para controlar a inflação.The post Programa Move Brasil patina, e governo prevê emprestar menos de 1/3 do previsto appeared first on InfoMoney.
