Cinco em cada dez mulheres brasileiras afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência doméstica, em contrapartida somente um em cada dez homens admitem terem cometido algum tipo de agressão contra suas parceiras. Os dados fazem parte do estudo “20 anos da Lei Maria da Penha: Percepção da Sociedade Brasileira”.A divergência entre as respostas femininas e masculinas mostram como grande parte das agressões ainda é naturalizada. Ao serem questionadas sobre já terem sofrido violência de um parceiro, 34% das mulheres responderam que sim. O número subiu para 54% quando cinco formas de violência tipificadas pela lei foram apresentadas.Questionados se a lei protege as mulheres apenas parcialmente contra a violência doméstica e familiar, 25% dos entrevistados afirmaram que sim, 67% consideraram “em parte” e somente 8% afirmaram que não. Ao perguntar especificamente se a Lei Maria da Penha funciona “como deveria”, 80% afirmaram que não. Um número semelhante de entrevistados (82%) também compreende que a legislação sozinha não é o suficiente para enfrentar a violência contra a mulher.Os tipos de violênciaA violência psicológica é a mais frequente, tendo sido relatada por 42% das entrevistadas, seguida pela física (25%, de cunho moral (29%) e a violência sexual (10%).Apesar do conhecimento das entrevistadas sobre a Lei Maria da Penha, apenas 46% afirmaram saber que a lei alcança proteção contra a violência patrimonial.Outro ponto debatido com os entrevistados foram os entraves e barreiras que impedem o acesso à lei. Entre as maiores dificuldades apresentadas, está o medo de represálias ou ausência de proteção efetiva contra o agressor (68%), o receio da impunidade dos agressores (56%) e a lentidão da Justiça brasileira (39%).Perfil do agressorDe acordo com o estudo, a violência costuma ser praticada por homens próximos na percepção das entrevistadas.Questionadas sobre quem seria o principal agente da violência, 88% apontaram parceiros ou ex-parceiros como agressores, 33% citaram familiares ou parentes próximos, 29% pessoas conhecidas, 27% desconhecidos, 9% afirmaram enxergar todos os homens igualmente como potenciais agressores e somente 6% apontaram outras mulheres.Cultura da violênciaA pesquisa também mediu como a violência molda o comportamento das vítimas e sociedade: 82% dos entrevistados afirmaram que se omitem ao presencial agressões cometidas por homens.Questionados se chamariam a polícia caso flagrassem um ato de violência, 70% das mulheres afirmaram que sim, enquanto somente 56% dos homens entrevistados teriam a mesma atitude. Entre as mulheres, a Delegacia da Mulher é apontada como o meio de denuncia mais conhecido (75%), seguido pelo número de emergência 180 (64%), a Polícia Militar (55%) e o Disque Denúncia (54%).Confira o resto da lista: Juizados de Violência Doméstica: 34%CRAS e CREAS: 34%SOS Mulher: 32%Casa da Mulher Brasileira: 32%Defensoria Pública: 29%Ministério Público: 23%A pesquisa foi realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Locomotiva, com apoio da Uber. No total, 1.500 pessoas de ambos os sexos foram entrevistadas em todas as regiões do país.The post 54% das mulheres já sofreram violência doméstica, mas somente 11% dos homens admite appeared first on InfoMoney.
