Ventos fortes atingem o Rio, com metrô, trem e barcas parados

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A chegada da frente fria ao litoral do Sudeste começou a provocar impactos no Rio na tarde desta quarta-feira. Além da mudança nas condições do tempo, a cidade registra ventos fortes, interrupções no fornecimento de energia elétrica em diversos bairros e reflexos no transporte público. Metrô, trem, VLT e barcas estão parados. O pedido do prefeito Eduardo Cavaliere é que as pessoas evitem deslocamentos que não são essenciais.— Estamos morrendo de medo. Estou preocupada com meu filho, com meu neto. A gente só quer saber a hora que vai conseguir chegar em casa — desabafou Maria das Graças Abaranga da Silva, que voltava do trabalho em Botafogo e teve a viagem de metrô interrompida pela falta de energia.O prefeito do Rio usou as redes sociais para pedir à população que evite áreas abertas e marquises de prédios. Segundo balanço das 16h45, todas as regiões da cidade tiveram registro de ventos fortes. Também há quedas de árvores em toda a cidade, assim como sinais de trânsito apagados.Segundo a Light, uma falha externa no sistema afeta o fornecimento de energia na Zona Sul, no Centro e na Tijuca.Transportes afetadosNo Aeroporto Santos Dumont, houve um apagão perto das 16h40. O Centro de Operação da Prefeitura informou que houve registro de vento forte no Aeroporto do Galeão (74,1 km/h), onde quatro voos foram desviados após as condições adversas do tempo. A ponte Rio-Niterói entrou em sistema de pare e siga.Já a estação Dom Bosco do BRT, no Recreio, Zona Sudoeste, foi fechada temporariamente após o telhado ter sido danificado pelo vento. Já na Zona Oeste, a estação do BRT Santa Veridiana está com embarques e desembarques interrompidos após a queda de uma árvore na Estrada de Pedra.A gare da Central do Brasil, por exemplo, está lotada de passageiros que se aglomeram à espera da normalização dos trens. No momento, um aviso é estampado nas televisões instaladas sobre as catracas: “Temporariamente não temos partidas de trens, devido as condições climáticas que atingem a Região Metropolitana”. Do lado de fora, pontos de ônibus também estão com grande procura.— É tudo um caos. Todo mundo está com medo do vento, do que ele pode causar, e agora o transporte também virou um problema — observou Gláucia Nascimento Archer, que se deparou com a estação Uruguaina do metrô fechada. — Comentaram no trabalho que ia ventar, mas ninguém esperava que fosse nesse nível.O metrô também teve a circulação suspensa em todas as suas linhas. A assistente de RH Jamile Rodrigues usaria o modal para se deslocar da Cinelândia até a Central, onde pegaria um trem até Piedade, onde mora. Mas, com a suspensão da circulação do metrô, sua opção foi por um ônibus da linha 249 (Carioca—Água Santa) até o Méier.— Está bem assustador, ventou muito. Há caixas de ar-condicionado voando e árvores caídas. Pensei até em pegar o VLT, mas ele também está parado. Tem um trem, inclusive, empacado na estação Carioca — conta Jamile, a bordo do ônibus lotado.Segundo a concessionária VLT Carioca, suas linhas foram suspensas por conta de interrupção do fornecimento de energia.Com o transporte público afetado, o que se vê é o preço dos carros por aplicativo disparar. Uma viagem entre Ipanema e a Lapa, que custa pouco mais de R$ 30 normalmente, está em R$ 110 no fim da tarde.Poeira levantadaNo entorno do Jóquei Clube, na Zona Sul, a ventania levantou a areia, que podia ser vista pairando no ar. A cena chegava a lembrar um bombardeio. O mesmo acontece no Aterro do Flamengo, onde a terra levantada obriga os motoristas a fecharem as janelas dos carros. Na Avenida Infante Dom Henrique, galhos e pedaços de árvores estão caídos sobre a pista.Quem passa pela Linha Vermelha também tem a visibilidade afetada pela poeira levantada pela ventania.Árvores derrubadasA Rua Riachuelo, na Lapa, também está às escuras — uma árvore caiu na esquina da via com a Rua Frei Caneca, no Centro. Apenas comércio com geradores, como mercados e alguns restaurantes, mantiveram funcionamento. Nas calçadas, há muito lixo, folhas e galhos de árvores espalhados. Pedestres e comerciantes tentam se proteger dentro de lojas. Uma moça que passava próximo ao mercado Mundial, nesta mesma rua, chegou a ser atingida pela tampa de uma caixa d’água. Sinais de trânsito estão desligados devido à falta de luz.Um posto de combustíveis na Praça da Cruz Vermelha, no Centro do Rio, teve parte de sua cobertura levada pelo vento. Também há árvores caídas em vários pontos, como na Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo; na Avenida Chile, no Centro. Na Rua Guilhermina Guinle, em Botafogo, um poste com placa de sinalização tombou.Previsão do tempoAs rajadas podem alcançar mais de 90 km/h entre esta quarta e a quinta-feira, com a passagem do sistema pelo litoral fluminense. Moradores relataram falta de luz em bairros como Centro, Gávea, Laranjeiras, Cosme Velho, Tijuca, Catete, Jardim Botânico, Copacabana, Cidade Nova e Botafogo. Ainda não há um balanço oficial sobre a extensão das ocorrências.Às 16h50 desta quarta-feira, o Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio) colocou o município em Estágio 2, o segundo nível em uma escala de cinco, devido ao registro de ventos fortes e muito fortes e à previsão de intensificação das rajadas nas próximas horas. Segundo o Sistema Alerta Rio, a aproximação de uma frente fria pelo oceano tem provocado o aumento da intensidade dos ventos.A previsão para o restante da tarde e da noite é de céu parcialmente nublado, sem chuva, mas com ventos variando de moderados a muito fortes. O Estágio 2 indica risco de ocorrências de alto impacto e pode ser elevado caso as condições meteorológicas se agravem.The post Ventos fortes atingem o Rio, com metrô, trem e barcas parados appeared first on InfoMoney.

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