Como o lendário investidor Warren Buffett, a carreira financeira de Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, começou na infância. Mas de uma forma excepcionalmente prática: Dimon passava horas jogando simulações de investimento com o pai.“Ele me dava um setor sobre o qual eu talvez soubesse alguma coisa, como um restaurante”, disse Dimon em um episódio recente do podcast The Master Investor, com Wilfred Frost. “E dizia: ‘Ok, olhe isto. Veja o histórico. Leia o relatório anual. Estude o setor, se quiser. Quanto você pagaria pela ação?’”Esse treinamento precoce se mostraria fundamental. Dimon, hoje com 70 anos, comanda o JPMorgan Chase há quase duas décadas e o transformou no maior banco dos Estados Unidos — mas o instinto para precificar um negócio começou ao lado do pai, muito antes da faculdade.Corretor da bolsa de Wall Street, o pai de Dimon, Theodore, incentivava os três filhos a aprender mais sobre os mercados, mas apenas Jamie embarcou de verdade. Enquanto os irmãos mostraram pouco interesse, Dimon se sentiu atraído por grandes apostas empresariais e usou os jogos de simulação para aprender os fundamentos da seleção de ações e da tomada de decisão.“É brutalmente difícil”, disse Dimon. “Então você aprende o ‘porquê’.”No ensino médio, a ideia de leitura de lazer de Dimon era tudo menos típica: ele passava o tempo livre lendo livros, artigos e relatórios sobre psicologia, economia e contabilidade.“Li Graham e Dodd no ensino médio — eu era um nerd”, disse Dimon. “Li todos os livros de Freud. Sempre estava absorvendo esse tipo de material.”Aos 14 anos, em 1970, Dimon comprou sua primeira ação com a orientação do pai e nunca mais olhou para trás. Ele se formou na Tufts University antes de obter um MBA na Harvard Business School. Após a formatura, conseguiu seu primeiro cargo em Wall Street como assistente de Sanford “Sandy” Weill, então presidente da American Express.“Meu primeiro objetivo era aprender alguma coisa e não dizer nada até que pudesse agregar valor”, disse Dimon, aos 28 anos, em um perfil de 1984 da Fortune.O aprendizado com Weill se tornou a verdadeira escola de negócios de Dimon. Ele se juntou a Weill como seu assistente na American Express em 1982 e, quando os dois saíram para assumir a financeira Commercial Credit em 1986, Dimon tornou-se CFO com apenas 30 anos. Sob a mentoria de Weill, Dimon aprendeu os meandros da atividade bancária, uma base que abriu caminho para cargos mais seniores no Citigroup e no Bank One — este último se fundiu com o JPMorgan Chase em 2004. Dois anos depois, em 2006, Dimon tornou-se CEO do JPMorgan Chase.Hoje, Dimon é um dos únicos CEOs de Wall Street remanescentes da crise financeira de 2008. Ele liderou o JPMorgan por quase duas décadas, o que o torna uma exceção entre seus pares, cujos mandatos geralmente duravam menos de uma década, segundo dados da Esgauge. O banco é hoje o maior dos Estados Unidos, classificado em 12º lugar na lista Fortune 500 e em 19º no Global 500.Em 2025, o banco gerou US$ 185,6 bilhões em receita, um aumento de US$ 5 bilhões em relação ao ano anterior, segundo o relatório anual de 2025 do JPMorgan.A habilidade financeira de Dimon também se traduziu em riqueza pessoal. Seu patrimônio líquido é de US$ 3,2 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index.O sucesso de DimonQuando perguntado se sempre acreditou que lideraria o JPMorgan Chase até um valor de mercado próximo de US$ 1 trilhão, ele respondeu de forma direta: “Não.”Em vez disso, Dimon descreveu uma filosofia mais baseada em disciplina do que em ambição. Embora seu interesse por finanças tenha sido moldado cedo pelo pai, ele disse que sua estratégia é inspirada tanto por atletas de elite quanto por seus pares de Wall Street.“Acho que você se mete em problemas se diz: ‘Quero ser o maior banco do mundo’”, disse Dimon, apontando para as lendas da NFL Tom Brady e Peyton Manning. “Eles dizem que não tinham o melhor braço e não eram bons corredores, mas se tornaram os melhores.”É uma filosofia que ele já compartilhou antes. No Fortune Most Powerful Women Summit de 2025, Dimon disse à editora-chefe da Fortune, Allyson Shontell, que dá 100% de esforço “todos os dias, em todas as reuniões”. E, embora nem toda tentativa seja bem-sucedida, é fundamental manter a diligência.“Você não pode acertar um home run toda vez que está no bastão”, disse Dimon a Shontell. “Você continua trabalhando, permanece humilde e se esforça.”É a mesma lição que seu pai estabeleceu ao folhear relatórios anuais meio século atrás: faça o trabalho e entenda o porquê.The post “Brutalmente difícil”: a brincadeira de infância que ensinou Jamie Dimon a investir appeared first on InfoMoney.
