A inadimplência do aluguel no Brasil recuou ligeiramente 0,02 ponto percentual em junho comparado a maio, fechando o mês em 3,20%, mas o movimento foi insuficiente para retirar a pressão sobre os pequenos negócios desde o início do ano, conforme dados do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), da Superlógica. Na comparação com junho de 2025, quando o indicador era de 3,59%, a redução foi mais expressiva, de 0,39 ponto percentual.Embora o indicador permaneça controlado, os dados revelam que a pressão financeira continua, especialmente entre pequenos negócios instalados em imóveis comerciais de menor valor e famílias de menor renda. “A oscilação observada nos últimos meses é pequena e revela estabilidade, principalmente diante do cenário econômico atual. Mas é importante acompanhar indicadores como juros e inflação, que podem alterar essa trajetória ao longo de 2026”, afirma o diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, Manoel Gonçalves.Segmento de maior inadimplênciaO levantamento mostra que os imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1.000 continuam concentrando a maior taxa de inadimplência do mercado, com 7,40%, mais que o dobro da média nacional. Entre os imóveis residenciais da mesma faixa de preço, o índice também é o mais elevado da categoria, atingindo 6,27%.Segundo Gonçalves, o resultado reflete a maior vulnerabilidade financeira dos pequenos empreendedores e das famílias de menor renda. “Os aluguéis mais baixos acabam sendo mais sensíveis ao cenário econômico. No caso dos imóveis comerciais, eles são ocupados principalmente por micro e pequenas empresas, que enfrentam dificuldades com crédito caro e menor ritmo da atividade econômica. Já no mercado residencial, o impacto está relacionado ao aumento do custo de vida das famílias”, explica o diretorNo sentido oposto, os menores índices de inadimplência foram registrados entre os imóveis residenciais com aluguel entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, com 1,68%, e nos imóveis comerciais entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, que encerraram junho em 3,36%.Outro dado que se destaca é o comportamento dos imóveis de maior valor. Os aluguéis acima de R$ 13 mil aparecem como a segunda faixa com maior inadimplência tanto no mercado residencial quanto no comercial. Em junho, o índice ficou em 5,42% para imóveis residenciais e 4,63% para os comerciais, apesar da redução registrada em relação ao mês anterior.Segundo a Superlógica, essa faixa reúne principalmente empresários, comerciantes e empreendedores que, apesar da renda mais elevada, continuam sendo impactados pelo ambiente de juros altos, crédito mais caro e menor dinamismo da economia.“Esse público costuma possuir renda familiar significativamente superior ao valor do aluguel, mas também está exposto ao aumento da carga tributária, ao enfraquecimento da atividade econômica e ao elevado custo do crédito. Enquanto esse cenário persistir, a inadimplência tende a permanecer elevada nesse segmento”, afirma Gonçalves.Imóveis comerciaisNa análise por tipo de imóvel, os comerciais continuam apresentando o maior índice de inadimplência, embora tenham registrado recuo em junho. O segmento fechou o mês com 4,19%, contra 4,39% em maio.Entre as residências, a inadimplência em casas caiu de 3,69% para 3,45%, enquanto os apartamentos passaram de 2,35% para 2,16%, mantendo o menor índice entre todas as categorias analisadas.Leia Mais: Aluguel acumula alta de 5,24% no semestre e segue pressionando orçamentoNordeste mantém liderançaRegionalmente, o Nordeste continua concentrando a maior taxa de inadimplência do país, com 5,15%, apesar da redução de 0,24 ponto percentual em relação ao mês anterior. Em seguida aparecem o Norte, com 4,30%, e o Centro-Oeste, única região a registrar alta em junho, passando de 2,85% para 3%. O Sudeste reduziu o índice para 2,96%, enquanto o Sul permaneceu com a menor inadimplência do país, encerrando o período em 2,71%, mesmo com leve alta frente a maio.Na avaliação da Superlógica, o comportamento do índice mostra que o mercado de locação continua relativamente resiliente, mas ainda convive com bolsões de maior vulnerabilidade financeira. O principal sinal de alerta permanece concentrado nos imóveis comerciais de menor valor, segmento mais dependente da saúde financeira de micro e pequenas empresas e, por isso, mais sensível ao ambiente de juros elevados e crédito restrito.Onde a inadimplência é maior?Por tipo de imóvelComercial: 4,19%Casa: 3,45%Apartamento: 2,16%Por faixa de aluguelComercial até R$ 1.000: 7,40%Residencial até R$ 1.000: 6,27%Residencial de R$ 3 mil a R$ 5 mil: 1,68% (menor índice)Por regiãoNordeste: 5,15%Centro-Oeste: 3,00%Norte: 4,30%Sudeste: 2,96%Sul: 2,71%The post Inadimplência do aluguel recua em junho, mas pequenos negócios seguem sob pressão appeared first on InfoMoney.
