Cursar a universidade e pegar um diploma ainda é um sonho distante para boa parte da população brasileira, embora o acesso ao ensino superior tenha se ampliado nas últimas décadas no país. Entre os filhos de famílias que compõem os 25% mais pobres do país, apenas 1,58% conclui essa etapa de ensino, segundo dados do novo Atlas da Mobilidade Social, plataforma pública e interativa desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), em parceria com o Prospera Lab, publicado.Os números mostram que a origem familiar faz uma diferença expressiva. Entre os jovens de classe média, a probabilidade de terminar uma graduação mais do que dobra, chegando a 4,17%, embora ainda sejam poucas chances. Já no quarto mais rico da população, essa proporção se aproxima de 38%.Leia tambémPor que mulheres vulneráveis têm metade da chance dos homens de sair da pobrezaRaça também pesa: 51,64% dos não brancos permanecem entre os mais pobres, ante 36,32% dos brancos— Essa baixa probabilidade (entre os mais pobres) representa um grande obstáculo para a mobilidade social ascendente dos mais pobres, já que a conclusão do ensino superior permite o acesso a empregos com remuneração mais elevada e maiores oportunidades de ascensão na carreira, especialmente diante do avanço de novas tecnologias como a inteligência artificial — diz Fernando Veloso, diretor de pesquisa do IMDS.O cenário só tem uma mudança mais expressiva ao chegar nos filhos dos 25% mais ricos, quando a chance chega a 37,77% — quase 24 vezes maior do que a registrada entre os de menor renda.— Isso significa que os filhos de famílias mais ricas terão acesso a melhores oportunidades de emprego que os filhos de famílias mais pobres — conclui Veloso.Desigualdade começa muito antesA desigualdade aparece antes mesmo da universidade. Entre os filhos dos 25% mais pobres, 47,05% concluem o ensino médio. A parcela aumenta para 59,54% na classe média e alcança 90,73% entre os jovens das famílias mais ricas.Os níveis educacionais em diferentes municípios também refletem a escolaridade deficiente no país. Embora as capitais e os grandes centros urbanos tenham os melhores resultados, nenhum município registra mais de 68,6% da população com o ensino fundamental completo ou mais de 54,7% com o ensino médio concluído.No ensino superior, a proporção de moradores com diploma não chega a 25% em nenhuma cidade brasileira.Quem são os mais pobresAs faixas de grupos sociais estudos são definidas pela posição dos pais na distribuição de renda. No estudo, os 25% mais pobres tinham renda domiciliar mensal de até R$ 2.183,41, enquanto os 25% mais ricos recebiam acima de R$ 7.266,03.A classe média reunia as famílias com rendimentos entre esses dois valores. Os números foram corrigidos para dezembro de 2019. A renda domiciliar corresponde à soma dos rendimentos recebidos por todos os moradores da casa.A nova versão do Atlas, lançado pela primeira vez no ano passado, agora conta com novos indicadores socioeconômicos municipais, incluindo os de escolaridade. Com isso, os pesquisadores concluíram que a educação é o principal fator associado à mobilidade social.O levantamento acompanha cerca de sete milhões de brasileiros nascidos entre 1983 e 1990, comparando a renda bruta média recebida pelos moradores da casa durante a infância e a adolescência dos filhos com os resultados alcançados por eles entre os 25 e os 29 anos.Para isso, combina registros da Receita Federal, da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (|CadÚnico) e do Bolsa Família com pesquisas domiciliares do IBGE.The post Nascidos em famílias mais pobres tem 1,58% de chance de concluir ensino superior appeared first on InfoMoney.
