A Fifa desistiu da criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa vinculada à entidade que receberia investimento privado. A desistência vem depois de repercussão negativa do plano, incluindo ameaça de boicote às competições por parte da Uefa.O anúncio de que o projeto não irá avançar foi feito em comunicado atribuído ao presidente Gianni Infantino (veja na íntegra abaixo). O texto reitera que a intenção era de “fornecer uma base para fortalecer ainda mais as associações-membro” e que o projeto só seria efetivado se houvesse aprovação da maioria.Leia tambémTrump responde se já conversou com Infantino sobre proposta da Fifa de venda de açõesProjeto prevê que direitos comerciais da Copa sejam comercializados por fundo controlado por genro do presidente dos EUAPrincipal assessor de Infantino deixa cargo após plano de vender participação na CopaCarlos Cordeiro afirmou que a prioridade da Fifa deveria ser a proteção do futebol“Após ouvir atentamente todas as opiniões, tornou-se claro que o projeto criou divisões de uma natureza que, independentemente do nível de apoio, não estão mais no interesse do objetivo estabelecido em primeiro lugar”, diz um trecho do comunicado.Infantino também indicou que irá debater o assunto com associações. “Adiante, minha intenção é reunir todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas no espírito de interesse compartilhado em nosso jogo”, garantiu.Desde terça-feira, a entidade lida com uma crise gerada pelo anúncio do plano, que pegou de surpresa a comunidade do futebol. A reação foi de rejeição imediata da Uefa. Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) e AFC (Ásia) se juntaram aos europeus, enquanto a OFC (Oceânia) e Conmebol (América do Sul) foram mais brandas.A FFE foi apresentada como forma de venda de ações a sócios minoritários, que teriam até 20% das participações. A ideia era arrecadar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,3 bilhões, na cotação atual), número calculado sobre um valor estimado da subsidiária de 20 bilhões de dólares (R$ 101,5 bilhões).O que parecia somente um projeto de capitalização das associações nacionais de futebol, na realidade, conecta uma família, o presidente da maior democracia do mundo e a entidade que comanda o esporte com mais seguidores no planeta. Donald Trump está no centro de uma rede que liga Gianni Infantino a Joshua Kushner.Kushner é o empresário por trás da Thrive Eternal, holding que havia sido indicada pela Fifa para liderar um grupo de investidores interessados em aportar o equivalente a R$ 21,4 bilhões somente em 2026 em uma subsidiária que ostentaria em seu portfólio todas as competições masculinas, femininas e juvenis.O projeto veio depois da maior Copa da história, com 48 seleções, o que era uma promessa de campanha de Infantino. O torneio ajudou a Fifa a alcançar um recorde financeiro de US$ 13 bilhões (R$ 66 bilhões) de faturamento no ciclo 2023-2026.O cenário, portanto, é bem diferente de quando Infantino assumiu, em 2016. Na época, o rombo nas contas da Fifa era de US$ 550 milhões em 2016 (R$ 1,9 bilhão, na época). A entidade havia registrado déficit pela primeira vez em 15 anos, com prejuízo de US$ 102 milhões (R$ 330 milhões, na época).Veja o comunicadoO projeto FIFA Forward Enterprise tinha a intenção de fornecer uma base para fortalecer ainda mais nossas Associações Membro da FIFA e nosso esporte em todo o mundo, especialmente naqueles países onde o apoio é mais necessário. E mais ainda, como dissemos desde o início, para fazer isso, somente se uma maioria das Associações Membro da FIFA estivesse a favor e sempre sujeito a um processo de consulta com elas, o Conselho da FIFA, as Confederações e os demais interessados.Após ouvir atentamente todas as opiniões, tornou-se claro que o projeto criou divisões de uma natureza que, independentemente do nível de apoio, não estão mais no interesse do objetivo estabelecido em primeiro lugar.Nosso propósito sempre foi – e sempre será – unir e melhorar. Em consequência, esta proposta não prosseguirá.Adiante, minha intenção é reunir todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas no espírito de interesse compartilhado em nosso jogo, e com o objetivo de continuar a crescer o futebol em todos os lugares, particularmente naqueles países que mais precisam de nosso apoio.The post Infantino desiste de plano para investimentos privados na Fifa após ameaça de boicote appeared first on InfoMoney.
