Quando a Ferrari anunciou o Luce, seu primeiro carro 100% elétrico, as críticas vieram aos montes, dividindo investidores e admiradores da tradicional fabricante italiana, conhecida por seus esportivos com motores a combustão. Houve quem criticasse a decisão de migrar para este mercado e quem falasse mal do design, assinado por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, que trouxe um visual pouco convencional para o carro. A repercussão negativa também foi sentida no mercado financeiro: as ações da empresa chegaram a cair mais de 8% no primeiro pregão após a apresentação do modelo.Tudo indicava para um fracasso de vendas da marca, que tem um público cativo e chega a banir compradores que descaracterizam os carros. Mas em dois meses, os pouco menos de 500 unidades do Luce foram vendidos, segundo o jornal Financial Times. De acordo com a publicação, a demanda foi impulsionada principalmente pela forte demanda da China, que vem se destacando pela produção de carros elétricos e híbridos das suas próprias montadoras, fazendo com que o público interno já tenha rompido a resistência aos modelos elétricos (são 40 milhões veículos, sendo 37 milhões puramente elétricos). Soma-se a isso, o fato de que para os chineses, já é mais fácil carregar as baterias, já que o país conta com 16,7 milhões de eletropostos. Os pedidos das revendedoras do gigante oriental surpreendeu a matriz da Ferrari.Leia tambémGasolina com 32% de etanol pode prejudicar motor? Veja como medida impacta carrosA partir deste sábado, 1º de agosto, gasolina passará a ter adicional de 32% de etanol, e não mais de 30% como era antesEnvolto em polêmicas, Ferrari esgota vendas do seu primeiro carro elétricoMeta de vendas para 2026 foi atingida em apenas dois meses; modelo Luce enfrentou críticas de fãs da marca, investidores e até de um ex-presidente da fabricanteAlém dos chineses, a fabricante italiana encontrou mercado em empresários do setor de tecnologia nos Estados Unidos. Para Scott Sherwood, analista independente do mercado de carros de luxo, ouvido pelo Financial Times, a Ferrari demonstrou conhecer com precisão o perfil do cliente que pretende conquistar com seu primeiro veículo elétrico.A meta teria sido alcançada no início de julho, cerca de dois meses após o lançamento do veículo, que custa a partir de 550 mil euros (cerca de R$ 3,2 milhões) e foi desenvolvido para atrair um novo perfil de clientes de alto poder aquisitivo.Mesmo diante da resistência dos apaixonados pelos motores a combustão, a Ferrari manteve sua estratégia de posicionar o Luce como uma vitrine tecnológica e uma porta de entrada para uma nova geração de consumidores, especialmente na China e em polos de inovação como o Vale do Silício, nos Estados Unidos, onde os veículos elétricos já são amplamente aceitos. Ainda de acordo com o Financial Times, foi a demanda do público chinês que impulsionou as vendas do modelo.Segundo a publicação, a empresa orientou suas concessionárias a não pressionarem os clientes tradicionais e colecionadores da marca a migrarem para modelos elétricos. A intenção é manter o Luce voltado a um público específico, sem comprometer a base de consumidores dos esportivos a combustão.A Ferrari também estabeleceu uma meta de longo prazo de comercializar cerca de 2.500 unidades do Luce até 2030, o equivalente a aproximadamente 600 veículos por ano — cerca de 5% das vendas anuais da montadora. O CEO Benedetto Vigna já afirmou que a entrada da empresa no segmento de elétricos não deverá comprometer sua elevada margem operacional, graças ao baixo volume de produção.A expectativa agora é que a primeira unidade de produção do Luce seja leiloada durante a Monterey Car Week, na Califórnia, em agosto. Segundo a casa de leilões Sotheby’s, o exemplar especial poderá ser arrematado por mais de US$ 1,1 milhão, ou R$ 5 milhões.The post Como mercado chinês salvou o primeiro modelo 100% elétrico da Ferrari de um fracasso appeared first on InfoMoney.
