Clãs divididos: políticos de famílias com tradição concorrerão em lados opostos

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Presente em grande parte das famílias brasileiras, as divergências eleitorais também colocam em campos opostos membros de tradicionais clãs políticos que disputarão votos em outubro. Um dos casos mais emblemáticos é o dos irmãos Ferreira Gomes, que concorrerão a cargos no Ceará em palanques rivais. Enquanto Ciro (PSDB) representa a oposição ao petismo na corrida pelo governo estadual, Cid (PSB) disputará a reeleição ao Senado na chapa do governador Elmano de Freitas (PT), candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).O cenário se repete em diferentes estados. Em Mato Grosso do Sul, o DNA político foi passado de pai para filhos na família Trad, que hoje se encontra rachada. O espólio familiar originado pelo ex-deputado federal Nelson Trad está divido em duas frentes.De um lado, o senador Nelsinho Trad (PSD) tenta reeleição em uma aliança com o centro. De outro, estão o ex-deputado federal Fábio Trad, que se filiou ao PT para disputar o governo estadual, e o vereador Marquinhos Trad, que ingressou no PV e será candidato à Câmara.Disputa de pautasDefensor de um “Estado enxuto” e de “valores cristãos”, Nelsinho se define como membro de um “centro-conservador”.— As divergências familiares existem, mas precisamos respeitar e sermos respeitados. Aprendemos isso em casa. Devemos ter racionalidade e mostrar que família não deve brigar. Eles trabalhando no campo deles e eu no meu — afirma o senador.Fábio, por sua vez, diz ter como principal bandeira o combate à desigualdade social:— Temos uma relação típica de irmãos. Sempre caminhamos juntos no mesmo campo político que tinha por pressuposto o respeito à democracia. Ocorre que, com o advento da extrema direita bolsonarista, eu fiz uma opção clara pela democracia constitucional — diz o petista, que completa: — O Marcos refletiu bastante e se posicionou também no campo democrático. Sobre a opção do Nelsinho, não comento.Leia tambémLula larga na campanha com aliados e estrutura, mas também com duas crises no radarPetista chega à convenção com Alckmin confirmado na vice, maior tempo potencial de TV e programa de governo em fase finalJá Marquinhos diz que “respeita” as escolhas de cada um dos irmãos.— Não entrei na política para criar divisões na família. Escolhi defender aquilo em que acredito: justiça social e o SUS, além de educação e geração de empregos. Podemos estar em lados opostos nas eleições, mas jamais serei adversário do meu irmão Nelsinho na vida, inclusive, além do Vander Loubet, votarei nele para o Senado.O Mato Grosso do Sul também é o berço político da família da ex-ministra Simone Tebet (PSB), que disputará o Senado por São Paulo. Aliada de Lula, Tebet é casada com o candidato à deputado estadual Eduardo Rocha (PSDB).No estado onde Jair Bolsonaro (PL) teve quase 60% dos votos no segundo turno de 2022, Rocha foi secretário da Casa Civil no governo do bolsonarista Eduardo Riedel (PP) até outubro do ano passado e tem alianças estaduais inclinadas à direita. Procurados, Rocha e Tebet não se manifestaram.Palanques opostosJá em Pernambuco, a reaproximação entre João Campos (PSB) e a prima Marília Arraes (PDT) não resultou em uma aliança integral entre as famílias em torno da candidatura do ex-prefeito do Recife ao governo estadual. Primo de João e Marília, o pré-candidato a deputado estadual Daniel Valença (PSOL) declara apoio a Ivo Moraes (PSOL) na corrida pelo Palácio do Campo das Princesas. Valença tem como principais bandeiras o direito à cidade, a mobilidade segura e políticas urbanas mais justas.— Minha família sempre conviveu de forma democrática com as divergências políticas, e fui educado entendendo que discordar não significa romper relações, mas reconhecer que as pessoas podem enxergar caminhos diferentes para enfrentar os problemas da sociedade. Tenho respeito e afeto por João, mas não acredito que o voto deva ser determinado por laços familiares — afirma Valença.Racha entre GomesCiro e Cid Gomes são pela primeira vez candidatos em lados opostos num pleito estadual, após o rompimento ocorrido em 2022. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na semana passada mostra ambos liderando a corrida pelo governo estadual e pelo Senado, respectivamente.Nesta eleição, Ciro se aliou ao bolsonarismo cearense e à federação União-Progressista, enquanto Cid acertou a presença na chapa petista após um pedido de Lula. O presidente trabalha para fortalecer o palanque de Elmano, diante da liderança de Ciro nas pesquisas de intenções de voto.Leia tambémLula prioriza Bahia e Ceará em meio a cenário desafiador contra ACM Neto e Ciro GomesEm 2022, ambos os estados deram cerca de 70% dos votos ao presidente no segundo turnoNos últimos meses, Cid chegou a afirmar ser “muito constrangedor ter um irmão e não votar nele”. O senador também rebateu uma declaração recente do tucano, na qual o candidato ao Palácio da Abolição disse que, quando Cid disputou a eleição para governador, em 2006, era conhecido como “irmão de Ciro”.— Me perdoe! Mas, eu tinha sido prefeito de Sobral, durante oito anos — disse Cid em evento partidário.Já Ciro disse em entrevista à rádio O Povo CBN que a frustração pelo não apoio do irmão é “grande e pesada”, mas já “mofada e vencida”.The post Clãs divididos: políticos de famílias com tradição concorrerão em lados opostos appeared first on InfoMoney.

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