Por que é tão difícil achar plano de saúde individual? Freitas, da Unimed, explica

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Encontrar um plano de saúde individual sem coparticipação no Brasil é cada vez mais raro. Para Helton Freitas, presidente da Seguros Unimed, o motivo não é falta de interesse do mercado – é uma equação regulatória que torna o produto praticamente inviável.“A regulamentação colocou tanta proteção sobre o plano individual que o custo fica proibitivo. Você não pode rescindir com o beneficiário, o reajuste é apenas o que a ANS autoriza, e temos a judicialização”, disse o executivo em entrevista ao InfoMoney Entrevista.Freitas também citou uma espécie de fenômeno de aceitação: enquanto em seguros de automóveis tentar contratar a cobertura depois de um acidente é claramente identificado como fraude, na saúde suplementar a sociedade enxerga a mesma prática de forma mais permissiva. “Ninguém considera fraude alguém com doença grave tentar fazer um plano de saúde – mas, do ponto de vista securitário, é muito semelhante a bater o carro e correr para fazer seguro”, afirmou.Leia mais: Planos de saúde individuais encolhem e viram impasse entre consumidores e operadorasPara o executivo, a saída para equilibrar a conta está na coparticipação, modelo em que o beneficiário paga uma parte de cada consulta ou exame. “Em mercados onde a coparticipação é forte, o preço do plano é mais baixo. A coparticipação alinha os incentivos”, explicou.Segundo Freitas, São Paulo tem uma cultura muito pequena de coparticipação, mas a Seguros Unimed está num esforço para implantar o modelo nas apólices. “A gente tem visto que isso traz resultados muito importantes”, completou.O dilema do fee for servicePara Helton Freitas, o desafio da saúde suplementar vai além da regulação e do preço dos planos. Há um problema estrutural no modelo de remuneração da medicina brasileira.“O médico não ganha para te manter saudável. Ele ganha para fazer o procedimento. Se você ficar muito bem e não procurá-lo, ele não ganha nada”, afirma o presidente da Seguros Unimed.Esse formato, conhecido como fee for service (pagamento por procedimento), cria um incentivo ao excesso – de consultas, exames e cirurgias. E, segundo Freitas, isso se agrava em um contexto de transição demográfica, em que as pessoas vivem mais e carregam doenças crônicas por décadas.“O modelo ‘curativista’ perde lugar. Você vai desenvolver um diabetes, uma hipertensão e vai carregar isso a vida inteira. A estratégia precisa ser outra”, diz.Para endereçar a questão, a Seguros Unimed trouxe ao Brasil uma parceria com a organização canadense especializada que discutiu práticas médicas com os próprios médicos. A organização visitou consultórios para debater se os procedimentos solicitados tinham embasamento científico.Leia mais: Pessoas 50+ vão representar metade do consumo com saúde em 2044“No momento em que você coloca alguém capacitado, especializado, debatendo com fundamentos a prática médica, você melhora a qualidade. E muda muito”, afirma.Freitas introduz ainda o conceito de prevenção quaternária: evitar o excesso de exposição ao sistema de saúde. O exemplo que dá é o das cirurgias de coluna, procedimento em que, muitas vezes, uma boa fisioterapia prolongada poderia evitar os riscos de uma operação.“Você fixa um segmento da coluna e afeta o segmento posterior, que passa a ser mais exigido. Para isso serve a prevenção quaternária: evitar agravos à saúde causados pelo próprio sistema”, explica. “Eu tenho que oferecer como operadora de plano de saúde o necessário. Nem mais, nem menos. Essa é a grande questão”, completa.The post Por que é tão difícil achar plano de saúde individual? Freitas, da Unimed, explica appeared first on InfoMoney.

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