O temor de parte do mercado em relação a uma possível recessão no Brasil em 2027 ainda não encontra respaldo nos dados históricos do mercado acionário brasileiro. É o que conclui um novo estudo do Bradesco BBI, que analisou mais de três décadas de informações macroeconômicas e de mercado para desenvolver um modelo capaz de antecipar crises econômicas e financeiras no país. Segundo o banco, a probabilidade de uma crise ter início nos próximos 12 meses é de apenas 0,5%, bem abaixo da média histórica de 11%.Batizado de “Two Clocks, One Alarm” (“Dois relógios, um alarme”), o relatório elaborado pelos estrategistas Pedro Grimaldi e Ben Laidler testou a capacidade de diversos indicadores de prever recessões e períodos de estresse. A base do estudo reuniu informações mensais entre 1995 e 2026, abrangendo 1.419 ações listadas na bolsa brasileira, incluindo empresas que já fecharam capital ou deixaram de existir.A principal conclusão é que crises no Brasil raramente chegam sem aviso prévio. Segundo o banco, os sinais mais importantes costumam surgir na combinação entre indicadores de valuation e de expansão do crédito, complementados por gatilhos de curto prazo, como aumento do risco-país e deterioração da amplitude do mercado.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta terçaÍndices futuros dos EUA avançam com valorização de ações de tecnologia “Os ingredientes para uma crise sistêmica simplesmente não estão presentes neste momento”, afirmam os estrategistas.O que torna o cenário atual diferenteNa avaliação dos estrategistas do BBI, a principal diferença entre o momento atual e períodos que antecederam crises importantes, como a recessão de 2014, está no ciclo de crédito. O indicador de crédito em relação ao PIB, apontado pelo estudo como um dos melhores antecedentes de crises, encontra-se atualmente em território negativo, muito distante dos níveis observados antes dos episódios mais severos do passado.Além disso, o banco argumenta que o mercado brasileiro continua negociando a preços atrativos. O CAPE, métrica que ajusta os lucros ao longo do ciclo econômico, está 1,4 desvio-padrão abaixo da média histórica. Já as small caps seguem deprimidas, situação oposta ao comportamento típico dos momentos de euforia que costumam preceder crises.O relatório também destaca que o Brasil permanece entre os mercados mais baratos do mundo, oferecendo uma margem de segurança para os investidores.Apesar da visão positiva, o Bradesco BBI identifica alguns pontos de atenção, destacando como principal a inadimplência das famílias, que segue elevada e em trajetória de alta. Outro fator monitorado é a baixa participação das ações na tendência positiva do mercado, um sinal técnico que indica fragilidade interna da bolsa.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta terçaÍndices futuros dos EUA avançam com valorização de ações de tecnologia Ainda assim, os estrategistas ressaltam que esses fatores, isoladamente, não são suficientes para indicar uma crise iminente. Segundo o modelo, seria necessário observar uma deterioração persistente dos indicadores ligados ao crédito e aos gatilhos de curto prazo para que o risco aumentasse de forma relevante.Um dos achados mais relevantes do estudo é o papel do setor bancário como indicador antecedente de crises. O BBI verificou que o múltiplo preço sobre valor patrimonial (P/B) dos bancos apresentou capacidade preditiva superior à do mercado como um todo, elevando significativamente a precisão do modelo.A análise mostra que os retornos sobre patrimônio projetados para os bancos atingiram níveis muito elevados antes da crise financeira global de 2008, refletindo um excesso de otimismo. Hoje, porém, a situação é inversa: as expectativas para o setor já incorporam boa parte do estresse do crédito, reduzindo o risco de uma surpresa negativa sistêmica.Exposição mantidaDiante desse cenário, o Bradesco BBI reafirmou sua recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para o Brasil, classificando o país como sua principal aposta entre os mercados latino-americanos. O banco avalia que investidores ainda subestimam o potencial de valorização decorrente do ciclo de juros e das perspectivas para o ambiente político-eleitoral à frente.A instituição acrescenta que a recente melhora dos lucros corporativos, a redução das saídas de recursos dos fundos locais e um posicionamento mais neutro dos investidores estrangeiros podem ampliar a sensibilidade da bolsa a novos fluxos de capital externo. Por isso, o portfólio recomendado pelo banco permanece concentrado em empresas ligadas à queda dos juros, beneficiárias da atividade do mercado de capitais e estatais, combinadas com teses de crescimento estrutural e de geração de dividendos.The post Brasil segue longe de crise sistêmica e Bolsa do país está atrativa, diz Bradesco BBI appeared first on InfoMoney.
