As ações de empresas de menor porte sofreram em julho, com o Índice de Small Caps (SMLL) da bolsa registrando queda de 0,8%, enquanto o Índice Bovespa apresentou alta de 3,5% no mês. No ano, o SMLL recua 5,3%, ante alta de 10,5% do Ibovespa.O receio de que o atual ciclo de cortes de juros esteja próximo do fim e sinais de desaquecimento da economia reduziram o apetite no mês passado pelas ações de empresas de menor porte, em geral voltadas para o mercado interno. Além disso, resultados financeiros abaixo do esperado no segundo trimestre e revisões piores para o ano diante do cenário mais desafiador de juros e atividade prejudicaram algumas companhias, com destaque para a 3tentos (TTEN3), que fechou em baixa de 21,9% no mês após sinalizar perspectivas piores para os próximos trimestres. Mesmo assim, a 3tentos, que divulga o balanço do segundo trimestre dia 13 de agosto, permanece como uma das preferidas dos analistas entre as small caps.Leia também: Após blue chips, small caps podem liderar nova alta da Bolsa, diz André MoraesA melhora das expectativas no fim de julho, após a divulgação de indicadores de inflação mais baixos e atividade mais moderada, abriu espaço para uma revisão das estimativas para as próximas reuniões do Comitê de Política Monetária. As projeções agora, segundo o relatório Focus do Banco Central, são de pelo menos mais dois cortes de 0,25 ponto porcentual, o que pode ajudar as ações e, em especial, as pequenas empresas, que em geral estão com seus preços bem descontados. O mercado brasileiro de ações segue oferecendo uma das relações risco-retorno mais atrativas entre os principais mercados emergentes, abaixo também de sua média histórica, avalia o BB Investimentos. Mas a materialização desse potencial continua dependendo da estabilização do cenário macroeconômico local, com a redução das taxas de juros reais. Além disso, é necessária uma redução dos prêmios de risco e uma retomada do fluxo de investimentos estrangeiros, diz o banco em relatório. Entenda melhor: Índice Small Cap (SMLL): o que é e como funcionaApesar do cenário macro e político desafiador, a XP Investimentos diz que segue construtiva com relação ao mercado de ações, dados os níveis atrativos de valuation e fatores técnicos, com o indicador de sentimento da corretora ainda perto do território de “Extremo Pessimismo”. “Mantemos nosso valor justo do Ibovespa para o fim de 2026 em 200 mil pontos e vemos uma boa assimetria dos preços à frente”, diz a corretora em seu relatório “Raio-XP”.Confira abaixo as small caps mais indicadas em agosto e seu desempenho.Carteira Small CapsAçãoCódigoIndicaçõesRent. julho (%)OrizonORVR35-10,9Smart FitSMFT35+0,1C&A ModasCEAB34-12,2CuryCURY34-14,23tentosTTEN34-21,9BemobiBMOB33+1,1CopasaCSMG33+7,1OceanpactOPCT33+1,8Fonte: Ágora Investimentos, Ativa Investimentos, BB Investimentos, BTG Pactual, Itaú BBA, Santander Brasil, Terra Investimentos, XP Investimentos e Economatica. Confira a avaliação das small caps mais indicadas para o mês.Orizon (ORVR3) Uma das preferidas em agosto, a empresa de tratamento e valorização de resíduos Orizon possui excelente histórico de alocação de capital e atua em um setor fragmentado, com amplo espaço de crescimento, avalia o BTG Pactual. A conclusão da aquisição da Vital, esperada para os próximos meses, deve trazer sinergias e potencial adicionam no segmento de biometano, de elevado retorno.Smart Fit (SMFT3) A rede de academias segue como um dos papéis mais indicados entre as small caps. Para o Santander Brasil, a empresa apresenta uma grande oportunidade de crescimento impulsionada pelo mercado de bem-estar. A estratégia do TotalPass também é um vetor de valor cada vez mais relevante, adicionando uma nova camada de crescimento e lucratividade, devendo representar 17% da base de associados da rede em 2026, diz o Santander.C&A Modas (CEAB3)Para o Santander Brasil, a C&A está sendo negociada a 5,5 vezes o lucro por ação estimado para este ano e ainda oferece um ponto de entrada atraente. O banco espera que a empresa continue focada na agenda de aumento da produtividade das lojas e de abertura de novas unidades e investimentos em logística, que devem fortalecer o crescimento da companhia no médio prazo.Cury (CURY3)A construtora Cury segue como a principal preferência da Ágora no segmento de baixa renda, apoiada por fundamentos ainda saudáveis e um valor atrativo após a correção recente das ações do setor. Para o banco, a reação negativa do mercado à queda de lançamentos e vendas no primeiro semestre foi excessiva, sobretudo diante do avanço dos valores médios de vendas. A empresa está sendo negociada a 6,1 vezes o lucro esperado para 2027.3tentos (TTEN3) A empresa de insumos para a agricultura sofreu bastante em julho, com queda de mais de 20%, e puxou para baixo a rentabilidade de várias carteiras de small caps no mês passado. Para a XP, que manteve a ação, mas reduziu sua participação na carteira de 10% para 5%, o momento para o papel no curto prazo segue desafiador pois parte do mercado ainda precisa ajustar suas expectativas após a revisão de estimativas da empresa para o segundo semestre. Mas os analistas da XP seguem confiantes na tese estrutural do negócio.Bemobi (BMOB3) A companhia combina crescimento de dois dígitos, rentabilidade elevada e retorno de caixa para os acionistas, uma combinação rara no setor de tecnologia brasileiro, destaca o BTG Pactual. A ação também parece barata em praticamente todas as métricas, negociando a apenas 12 vezes o lucro líquido estimado para 2026.Copasa (CSMG3) A empresa concluiu em junho seu processo de privatização com a Equatorial se tornando a acionista de referência, lembra o BTG Pactual. O banco cita a renegociação dos contratos de concessão, com cerca de 40% da receita já coberta pelo novo modelo. Os novos contratos devem reduzir custos e destravar valor adicional por meio de novas ligações de esgoto, prazos de concessão mais longos e um arcabouço regulatório mais favorável, diz o BTG, que estima um retorno em dividendos médio de 7,6% de 2026 a 2028 e de dois dígitos a partir daí.Oceanpact (OPCT3) Para a Ágora, a combinação entre a Oceanpact e a CBO cria uma companhia de serviços marítimos e logística de maior escala, melhor perfil de geração de caixa e assimetria atrativa no mercado de apoio marítimo. A nova companhia deve se tornar a segunda maior operadora do setor no Brasil, ampliando a relevância operacional e o potencial de atração de investidores.The post À espera do Copom, analistas indicam as melhores small caps para agosto; Veja quais appeared first on InfoMoney.
