Vale sobe na B3 mesmo com minério das mínimas desde 2025: commodity vai se recuperar?

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Os preços do minério de ferro seguem sob pressão em meio à combinação de demanda enfraquecida na China, aumento da oferta global e estoques elevados. Apesar disso, as ações da Vale (VALE3) avançavam cerca de 2% na manhã desta terça-feira, na casa dos R$ 76, acompanhando o movimento de mineradoras no exterior. Analistas avaliam que fatores sazonais podem trazer algum alívio para a commodity nos próximos meses, beneficiando empresas como a Vale (VALE3).Em relatório, o Bradesco BBI destacou que o minério de ferro com teor de 61% de ferro recuou US$ 2 por tonelada na comparação semanal, para US$ 97 por tonelada, refletindo a continuidade da demanda sazonalmente fraca na China. Segundo os analistas do banco, a produção de aço chinesa voltou a cair, com a taxa de utilização dos altos-fornos recuando pela terceira semana consecutiva, para 89,2%. Mesmo com a menor produção, os preços do aço continuaram caindo, já que a demanda dos setores consumidores se deteriorou ainda mais rapidamente. Isso levou as margens das siderúrgicas a níveis ainda mais pressionados, especialmente diante da alta dos preços do carvão metalúrgico. O BBI destaca que as margens do vergalhão atingiram o menor patamar desde dezembro de 2025, enquanto as do aço laminado a quente caíram ao nível mais baixo em quatro meses.O cenário também se refletiu no mercado futuro. Nesta terça-feira (4), o contrato mais negociado de minério de ferro na Bolsa de Dalian encerrou o pregão com queda de 0,43%, a 699,5 iuanes por tonelada, após atingir durante a sessão o menor nível desde junho de 2025. Em Singapura, o contrato de referência para setembro foi negociado próximo de US$ 94 por tonelada, também perto dos menores níveis em mais de um ano, segundo dados da Reuters.Analistas da Jefferies afirmaram que o excesso persistente de minério de ferro e os elevados estoques nos portos chineses continuam sendo os principais fatores por trás da queda dos preços. Dados da Mysteel mostram que as chegadas da commodity aos 47 principais portos chineses aumentaram em mais de 5 milhões de toneladas na semana passada, ampliando a sensação de excesso de oferta no mercado.O Bradesco BBI observa que as exportações de minério de ferro de Brasil e Austrália registraram forte recuperação na comparação semanal e devem permanecer sazonalmente elevadas nos próximos meses, reforçando um ambiente favorável do lado da oferta. Ao mesmo tempo, os estoques de aço aumentaram novamente ao longo da cadeia produtiva, acumulando alta de 27% em relação ao ano anterior nos distribuidores e de 10% nas usinas.Além dos estoques de produtos siderúrgicos, os estoques de minério mantidos pelas próprias siderúrgicas também continuam crescendo diante do ritmo mais lento de produção. Para o banco, esse conjunto de fatores deve manter os preços pressionados no curto prazo.Apesar disso, os analistas enxergam alguns elementos que podem evitar uma deterioração mais forte do mercado. Um deles é a aproximação do período conhecido como “Setembro de Ouro e Outubro de Prata”, tradicionalmente a temporada mais forte para a construção civil chinesa. Segundo analistas da AHCOF Futures Research, algumas siderúrgicas já começaram o processo de recomposição de estoques antes desse período, movimento que tende a sustentar a demanda por minério.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe com exterior e retoma os 180 mil pontosBolsas dos EUA avançam com valorização de ações de tecnologia Outra possível fonte de suporte vem do lado da oferta. Um sindicato australiano informou que haverá uma paralisação de dois dias nas operações da BHP em Port Hedland, um dos principais corredores de exportação de minério de ferro do mundo. Embora o impacto esperado sobre o mercado seja limitado, o episódio reforça que qualquer interrupção logística em um ambiente de preços deprimidos pode reduzir parte do excesso de oferta.O Bradesco BBI também chama atenção para a forte alta dos fretes marítimos. Os custos de transporte da Austrália subiram 14% na semana, enquanto os do Brasil avançaram 7%, alcançando US$ 12,5 e US$ 34,3 por tonelada, respectivamente. Na avaliação do banco, caso o minério permaneça abaixo de US$ 100 por tonelada por um período prolongado, o encarecimento do frete pode levar alguns produtores a revisarem suas estratégias de oferta.Diante desse quadro, o banco mantém uma visão cautelosa para o curto prazo, mas acredita que os ventos sazonais devem começar a melhorar ao longo de agosto. “Esperamos que os preços do minério de ferro continuem sob pressão no curto prazo, mas fatores sazonais devem emergir nas próximas semanas e podem impulsionar uma recuperação da commodity”, afirmam os analistas.No setor, o Bradesco BBI mantém recomendação outperform (desempenho acima da média, equivalente à compra) para Vale e Ternium, enquanto segue com classificação neutra para Gerdau (GGBR4), CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5).The post Vale sobe na B3 mesmo com minério das mínimas desde 2025: commodity vai se recuperar? appeared first on InfoMoney.

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