A aposta bilionária de Larry Ellison: do topo do mundo ao risco de um tombo histórico

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O empresário Larry Ellison, fundador da Oracle e aliado de Donald Trump, viu sua fortuna encolher em cerca de US$ 200 bilhões desde um pico em setembro de 2025, quando chegou, inclusive a ultrapassar Elon Musk e tomar a dianteira na lista de pessoas mais ricas do mundo. A queda acompanhou o derretimento das ações da Oracle, que recuaram 60% desde o pico no ano passado. Neste cenário, a empresa cortou 18% da sua força de trabalho. Mas o que levou a companhia e seu fundador a este movimento brusco? Segundo uma reportagem do The New York Times, a história começou no primeiro dia útil do segundo governo Trump, 21 de janeiro. Nesta data, Larry Ellison, tinha um encontro marcado na Casa Branca para anunciar um plano ambicioso: a Oracle, a OpenAI e outros parceiros investiriam até US$ 500 bilhões nos próximos quatro anos em um conjunto de data centers gigantescos.O projeto se chamava Stargate e levaria a humanidade da era pós-industrial para a era da inteligência artificial. Na época, Trump se referiu ao empresário como “o CEO de tudo” e disse que ele era “um homem e um empresário extraordinário.”Mas em 2026, os ventos viraram. Embora todas as empresas de tecnologia estejam investindo pesado em IA, a Oracle, segundo a reportagem, estaria em um outro patamar. No final do ano passado, enquanto a empresa tomava bilhões de dólares emprestados para financiar a construção de data centers no Texas, Wisconsin e Novo México, dois analistas de crédito do Morgan Stanley enviaram uma nota a investidores estimando que a dívida da Oracle e as obrigações com arrendamento de data centers poderiam triplicar nos próximos três anos. Ainda mais impressionante era a chamada relação dívida/capital próprio da Oracle, que girava em torno de 500% — o que significava que ela tinha US$ 5 de dívida para cada US$ 1 de patrimônio líquido. Em comparação, a da Amazon era de cerca de 50%. Os empréstimos, contudo, continuaram e em um único dia de fevereiro, a companhia emitiu mais US$ 25 bilhões em títulos. Leia tambémOfensiva de IA da China cria ‘zona da morte’ para concorrentes dos EUACinco modelos lançados em oito semanas reduzem distância para o Vale do Silício e colocam pressão sobre preços da OpenAI e AnthropicEm março, a Oracle foi forçada a reorganizar seu planejamento para a Stargate depois que vários bancos insistiram em limitar seus compromissos com o projeto porque a Oracle era a locatária. No mesmo mês, a empresa demitiu milhares de funcionários, cerca de 18% de sua força de trabalho. Em seu relatório anual divulgado em junho, a companhia celebrou o sucesso de sua migração para a IA e garantiu aos investidores que seu negócio de nuvem ainda estava crescendo e que seu forte fluxo de caixa seria suficiente para cobrir suas obrigações. Mas o documento também mostrou que a empresa não podia garantir que seria capaz de gerenciar sua dívida, que agora havia crescido para US$ 130 bilhões. No mês seguinte, a S&P Global Ratings rebaixou a classificação de crédito da Oracle para apenas um degrau acima do nível de ‘junk’. Com isso, no final de julho, as ações da Oracle estavam cerca de 60% abaixo do pico do ano anterior. Para a empresa, contudo, os desafios são, em parte, uma questão de timing: a partir de 2027, a empresa deve começar a receber pagamentos de dezenas de bilhões de dólares da OpenAI. Mas há outros motivos para preocupação também: agora, o ChatGPT enfrenta concorrência de diversos modelos de IA, como o Claude e os chinesesEnquanto isso, os projetos de data centers passaram a ser questionados por reguladores locais que alegam que os estabelecimentos consomem muitos recursos em suas comunidades. Em uma das cidades, por exemplo, a comissão de serviços públicos quer que a empresa a cubra as atualizações da rede elétrica necessárias pela construção de quatro edifícios de data centers em um terreno de 672 acres. Isso exigiria que a Oracle levantasse pelo menos mais US$ 7 bilhões.Problemas em casaAlém da situação complexa da empresa, Ellison também vive uma questão com o filho, David Ellison. David é CEO da Paramount e sua oferta de US$ 111 bilhões para comprar a Warner Bros. Discovery enfrenta desafios. O acordo de compra é questionado juridicamente e mais: seu pai Larry, apoiou a oferta do filho com um compromisso de US$ 45,7 bilhões – um valor que, agora, representa uma porcentagem muito maior de seu patrimônio líquido.Mais uma bolha?Para especialistas, há um risco alto de estarmos diante de uma bolha da IA. Uma das explicações mais simples é que a inteligência artificial tem feito bilhões de dólares em receita depois de trilhões de dólares de investimentos. Desta forma, a conta não fecha. Esta, contudo, não seria a primeira vez que Ellison viveria uma bolha. O empresário já passou pela bolha das pontocom, a bolha internet, no começo dos anos 2000. E sobreviveu.The post A aposta bilionária de Larry Ellison: do topo do mundo ao risco de um tombo histórico appeared first on InfoMoney.

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