Descolando-se da alta firme de Nova York por mais uma sessão, o Ibovespa renovou mínima no período da tarde desta terça-feira e passou a cair levemente, com investidores redobrando a cautela em quatro frentes domésticas: eleições, diplomacia com os Estados Unidos, balanços e incerteza sobre a política monetária após a quarta-feira.Somou-se a isso a queda da Petrobras (PETR3, PETR4), que tem grande peso no índice, com o petróleo abaixo de US$ 80 por barril diante da expectativa de um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz.Distanciando-se da máxima de 180.679,47 pontos (+1,51%) atingida pela manhã, o Ibovespa fechou em baixa de 0,06%, aos 177.894,97 pontos, após mínima aos 177.580,77 pontos (-0,24%). No setor financeiro, apenas a unit do Santander Brasil (SANB11) subiu 0,59%. A Petrobras (PETR3, PETR4) recuou cerca de 1%, pressionada pela queda superior a 5% do petróleo. Já a Vale (VALE3) avançou 2,24%, recuperando-se da baixa da véspera e servindo como contraponto positivo junto às Bolsas de Nova York, que chegaram a subir até 2,59% no Nasdaq.Há preocupações políticas quanto à falta de um vice para o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, e diante dos temores de que os Estados Unidos adotassem novas sanções diplomáticas contra o Brasil, que se confirmou posteriormente. Leia tambémEm meio a atritos, governo Trump revoga visto da embaixadora do Brasil nos EUAGoverno americano atribui medida ao atraso do Brasil em autorizar o novo embaixador dos EUAIbovespa fecha com leve baixa, com Petrobras e Itaú; Vale sobeÍndices nos EUA fecham fortes altas, com valorização de ações de tecnologia e guerraOs bancos acentuaram a queda após reportagem da Exame apontar que o governo Luiz Inácio Lula da Silva aguardava que os EUA revogassem vistos a autoridades brasileiras e até voltassem a sancionar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito da Lei Magnitsky. Mais tarde, foi confirmado que os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, após o Brasil não conceder aprovação diplomática formal ao embaixador indicado pelo governo Trump para Brasília e depois de negativa de vistos a diplomatas norte-americanos, disse nesta terça-feira uma autoridade do Departamento de Estado dos EUA.O visto da diplomata brasileira será restabelecido se a situação for resolvida, disse a autoridade em entrevista a jornalistas, sob condição de anonimato.O Itaú Unibanco (ITUB4) liderou as perdas do setor bancário, com recuo de 2,48%, em meio também à expectativa pelo balanço do segundo trimestre, que será divulgado após o fechamento. “A temporada de resultados ainda não animou por completo”, comenta o especialista em investimentos Felipe Sant’Anna, do Grupo Axia Investing.No âmbito da Selic, ainda que a produção industrial de junho tenha vindo abaixo do esperado (queda de 1,8%, ante mediana de 0,6%) e possa abrir espaço para mais cortes, a ampla maioria do mercado projeta pausa no ciclo de flexibilização após a reunião de quarta-feira, quando os juros básicos devem ser reduzidos em 0,25 ponto percentual, para 14%, mostra pesquisa Projeções Broadcast da última quinta-feira.“O mercado continua acompanhando um cenário misto. De um lado, a queda da produção industrial em junho reforça a percepção de desaceleração da atividade econômica, que pode abrir espaço para um ciclo de redução dos juros à frente, e os sinais de avanço nas negociações envolvendo o Estreito de Ormuz ajudam a reduzir parte da aversão a risco internacional. Por outro lado, os investidores permanecem atentos às questões políticas e diplomáticas”, resume o especialista Pedro Henrique Cardoso, da Valor Investimentos.Sant’Anna, do Axia, nota que “matematicamente, olhando o IPCA de junho, o IPCA-15 de julho e a produção industrial de junho, há espaço para a Selic continuar caindo, mas, ao considerar a eleição e o cenário adverso lá fora, com EUA, Europa e Japão focando em alta de juros, a realidade é que o ambiente não é tão favorável para mais cortes na Selic”. Do ponto de vista político, o início das sabatinas eleitorais indica que o pleito deve se refletir cada vez mais nos preços da Bolsa, acrescenta.Para Cardoso, a desidratação do Ibovespa ocorreu porque o mercado prefere aguardar novos desdobramentos tanto na política doméstica quanto nas relações entre EUA e Brasil.De acordo com analistas do Itaú BBA, o Ibovespa segue sem direção definida e encontrará sua primeira resistência nos 179.500 pontos. Em caso de queda, afirmaram, o índice encontrará suportes em 172.200 e 167.600 pontos.“Seguiremos para os próximos dias com um Ibovespa estável e à espera do próximo grande movimento de 2026”, afirmaram no relatório Diário do Grafista.DESTAQUESA Vale (VALE3) avançou 2,24%, acompanhando o movimento das mineradoras no exterior, apesar de nova queda dos futuros do minério de ferro na China. O presidente da companhia, Gustavo Pimenta, também afirmou nesta terça-feira que a Vale desacelerou seus projetos para o desenvolvimento de complexos industriais (“mega hubs”) no Oriente Médio com parceiros diante da guerra no Irã. No setor, a CSN (CSNA3) subiu 6,21%, após cinco quedas seguidas, período em que acumulou perda de 21%. Investidores seguem acompanhando as negociações envolvendo a unidade de cimentos do grupo. Fontes afirmaram à Reuters que a CSN está realizando uma segunda rodada de propostas, visando fechar um negócio até o fim do ano.A Petrobras (PETR4) cedeu 1,28%, em novo dia negativo para o setor diante do declínio dos preços do petróleo no exterior. A diretora de engenharia, tecnologia e inovação da estatal, Renata Baruzzi, disse nesta terça-feira que a sonda da Petrobras em atividade exploratória na área de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, ainda não atingiu o reservatório, o que deve acontecer neste mês. No setor, a Brava Energia (BRAV3) perdeu 4,58%, tendo no radar também o leilão da oferta pública de aquisição (OPA) a ser realizada pela colombiana Ecopetrol para aquisição do controle da petrolífera na quarta-feira. A PRIO (PRIO3), que divulga balanço ainda nesta terça-feira, cedeu 0,09%.O Itaú Unibanco (ITUB4) fechou em baixa de 2,48%, acentuando as perdas à tarde, tendo no radar o resultado do segundo trimestre após o fechamento do mercado. Previsões de analistas compiladas pela Reuters apontam lucro líquido de R$ 12,5 bilhões para o período de abril a junho. No setor, o Bradesco (BBDC4), que divulga seus números no final da quarta-feira, fechou em queda de 1,7%, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) caiu 1,32% e o Santander Brasil (SANB11) subiu 0,59%.A BB Seguridade (BBSE3) valorizou-se 1,72%, após balanço do segundo trimestre divulgado na noite da véspera, com lucro líquido ajustado de R$ 2,15 bilhões, queda de 3,9% em relação ao mesmo período de 2025. O braço de seguros e previdência do Banco do Brasil (BBAS3) está trabalhando com a avaliação de que o fenômeno climático El Niño deve gerar efeitos pouco relevantes para seus resultados neste ano, embora veja riscos para 2027, a depender de como as chuvas impactarem o setor agrícola no Centro-Sul do país.A Marcopolo (POMO4) caiu 10,43% na esteira da repercussão do resultado do segundo trimestre apresentado na segunda-feira, após o fechamento do mercado. A companhia registrou lucro líquido de R$ 271 milhões, queda de 15,5% na comparação anual, acompanhada de deterioração das margens. O Ebitda encolheu 15%, para R$ 339 milhões, enquanto a margem caiu de 17,3% para 14,3%. Analistas do Citi avaliaram que a empresa reportou um segundo trimestre fraco, principalmente devido a um mix de entregas menos favorável no Brasil.A ISA Energia Brasil (ISAE4) recuou 0,86%, um dia após reportar lucro líquido de R$ 174 milhões no segundo trimestre, 32% abaixo do registrado um ano antes. À Reuters, a diretora financeira da companhia, Silvia Wada, afirmou que a empresa decidiu não participar do leilão de transmissão programado para o segundo semestre deste ano, mas continua avaliando o certame voltado à contratação de baterias.A Bradesaúde (SAUD3), que não integra o Ibovespa, perdeu 11,56%, após a empresa de planos de saúde e rede hospitalar ligada ao grupo Bradesco (BBDC4) reportar alta de quase 25% no lucro líquido do segundo trimestre, para R$ 1,11 bilhão, mas com piora da sinistralidade. Os papéis também vinham de uma sequência de quatro altas, acumulando valorização de 7,7% no período.A Pague Menos (PGMN3), que não faz parte do Ibovespa, fechou em alta de 8,92%, após reportar lucro líquido ajustado de R$ 73,6 milhões no segundo trimestre, avanço de 22,2% na comparação anual. O Ebitda ajustado cresceu 15,4%, para R$ 281,7 milhões, com a margem passando de 6,1% para 6,5%. “A companhia conseguiu entregar uma margem Ebitda recorde, sustentada por uma gestão disciplinada das despesas com vendas, gerais e administrativas e por uma alavancagem operacional relevante”, afirmaram analistas da XP.(com Reuters e Estadão Conteúdo)The post Ibovespa descola de novo de NY após saltar 1,5% e tem leve queda – 4 fatores explicam appeared first on InfoMoney.
