O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu, nesta quarta-feira (5), pelo corte de 0,25% ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic. A decisão já era mais que esperada pelo mercado e os olhares se voltaram para o comunicado do colegiado em busca de sinalizações futuras. Não encontraram. O comunicado citou petróleo, juros nos EUA e inflação como fatores definidores de mais cortes na Selic. No entanto, mais uma vez, o colegiado reiterou que as futuras decisões ficam em aberto até que os cenários (no plural) se definam. “Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, afirma o comunicado.A comunicação do BC trouxe incertezas sobre questões geopolíticas e pressão inflacionária com o preço do petróleo, mas também apresentou a queda da inflação como justificativa, segundo Pedro Galdi, analista do AGF. A expectativa da casa é que a próxima reunião, em setembro, deve ser marcada pela cautela, em especial no aguardo de próximos dados de inflação.Leia tambémCopom: Petróleo, juros nos EUA e inflação vão ditar se haverá mais cortes na SelicComitê do Banco Central reduz juros em 0,25 p.p. de forma unânime, mas retira sinalizações futuras; pressão inflacionária e risco fiscal dividem analistas entre pausa e novos recuos em 2026Corte da Selic faz Brasil cair uma posição e leva país ao 2º maior juro real do mundoBrasil tem juro real de 9,33% com Selic em 14%; ranking considera as 40 maiores economias do mundo e é liderado pela Rússia“Diante da incerteza elevada, o Copom optou pela serenidade e cautela, sem sinalizar os próximos passos. A porta ficou aberta para mais um corte em setembro, mas a decisão dependerá da evolução dos dados”, afirma Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.A projeção do mercado, em sua visão, se mantém de outro corte de 0,25 ponto na próxima reunião. Com a manutenção das expectativas, a reação do mercado deve ser neutra, uma vez que a decisão de hoje estaria precificada.Leia mais: Copom: Petróleo, juros nos EUA e inflação vão ditar se haverá mais cortes na Selic“Como a redução já era esperada, vejo como neutro o anúncio para o Ibovespa”, afirma. Para Vitor Kayo, economista da Nomad, a decisão do Copom de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, não deve provocar reações relevantes nos mercados nesta quinta-feira, já que o resultado veio exatamente em linha com o esperado pelos investidores. Embora o Banco Central tenha promovido ajustes em suas projeções, o economista considera que as mudanças foram marginais e sem potencial para alterar de forma significativa a precificação dos ativos. A estimativa de inflação para 2026 caiu de 5,2% para 5,1%, enquanto a de 2027 avançou de 3,7% para 3,8%, com a projeção para o horizonte relevante mantida em 3,2%.“Diante da incerteza elevada, o Copom optou pela serenidade e cautela, sem sinalizar os próximos passos. A porta ficou aberta para mais um corte em setembro, mas a decisão dependerá da evolução dos dados”, afirma. Com isso, a tendência é de que os mercados mantenham as trajetórias já precificadas, sem ajustes expressivos motivados pela decisão do Banco Central.Segundo Augusto Parente, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, o comunicado manteve um tom cauteloso ao destacar riscos relacionados à inflação, como a alta do petróleo e os efeitos climáticos sobre os custos de energia, mas não trouxe elementos capazes de alterar significativamente as expectativas dos agentes econômicos. “Sem dúvidas, o comunicado já vinha sendo bem precificado no mercado e acredito que amanhã há pouco espaço na bolsa para grandes oscilações que venham apenas do tema Copom, já que não veio nenhuma surpresa”, afirma.Na avaliação de Parente, a leitura predominante entre os investidores deve ser de continuidade das tendências recentes observadas em bolsa, juros e câmbio. O especialista considera que o corte foi acertado porque ocorre em um ambiente de juros reais ainda elevados e diante de fatores que ajudam a aliviar as pressões inflacionárias, como a queda dos preços das commodities e uma desaceleração da atividade econômica mais intensa do que a prevista pelo Banco Central. “Apesar do tom cauteloso, seguimos com o juro real elevado e temos também alguns pontos positivos com relação à pressão inflacionária”, diz. O sócio da AW Capital ressalta, contudo, que a cautela do Banco Central deve continuar guiando as expectativas do mercado até o fim de 2026. Para ele, o cenário externo segue sendo a principal fonte de atenção dos investidores, especialmente diante da possibilidade de juros mais altos por mais tempo nos Estados Unidos e dos impactos persistentes da alta do petróleo. “Espero que a cautela se mantenha até o final de 2026, em função do cenário externo e da possibilidade de juros mais altos no mercado americano”, afirma Parente, acrescentando que os efeitos dos preços da energia tendem a ser sentidos pelos mercados por um período mais prolongado.Nova etapa para investidoresFabricio Voigt, economista-chefe da Aware Investments, avalia que a decisão do Copom de reduzir a Selic em 0,25 ponto deve ter efeito limitado na abertura dos mercados, uma vez que o resultado ficou em linha com as expectativas dos investidores.Segundo ele, o comunicado reforçou a continuidade do ciclo de flexibilização monetária, mas deixou claro que isso não representa uma sequência automática de cortes nas próximas reuniões. Para o economista, o Banco Central seguirá condicionando suas decisões à evolução da inflação, das expectativas econômicas, da atividade, do cenário fiscal e do ambiente internacional.Voigt afirma que o mercado reconhece avanços no processo de desinflação, mas ainda não considera esse movimento totalmente consolidado. Por isso, enquanto empresas, consumidores e investidores continuarem projetando inflação acima da meta oficial, o espaço para acelerar o ritmo de redução dos juros permanecerá limitado. Segundo o economista, esse continua sendo um dos principais desafios para a condução da política monetária brasileira e ajuda a explicar por que os investidores ainda exigem um prêmio elevado para financiar a dívida pública do país, refletindo também as incertezas fiscais, inflacionárias e externas.Na visão de Voigt, o cenário começa a entrar em uma nova etapa para os investidores. Embora a renda fixa continue oferecendo uma relação atrativa entre risco e retorno, especialmente nos títulos pós-fixados, uma eventual continuidade do processo de queda da Selic tende a aumentar a atratividade de ativos mais ligados ao ciclo doméstico, como ações, fundos imobiliários e títulos prefixados.The post Como os mercados vão receber a decisão do Copom nesta 5ª? appeared first on InfoMoney.
