Gianni Infantino deu o primeiro grande passo para tentar estancar a maior crise política de seus dez anos à frente da Fifa. Pressionado por dirigentes, confederações e federações nacionais após o fracasso do projeto de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), o dirigente suíço reconheceu erros na condução do processo, pediu desculpas formalmente às 211 associações filiadas e, por ora, garantiu sua permanência na presidência da entidade.De acordo com e rede inglesa BBC, a mudança de postura aconteceu durante uma reunião de emergência realizada nesta quarta-feira, em Rabat, no Marrocos, convocada pelo próprio Infantino para tentar reconstruir pontes após a onda de críticas provocada pelo plano de vender participação dos torneios da Fifa, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina, a investidores privados.Ao fim do encontro, a Fifa divulgou uma nota em que reconhece falhas na condução do projeto e afirma que o conselho administrativo reafirmou apoio ao presidente.Leia tambémCrise ameaça reeleição de Infantino: veja como funciona a eleição para a FifaDirigente ainda é candidato único, mas rebelião interna abre espaço para o surgimento de adversários antes da votação de março de 2027Infantino ofereceu final da Copa ao Marrocos em troca de apoio político, diz jornalEm busca de apoio nas próximas eleições da maior entidade do futebol Infantino teria prometido que final de 2030 será no futuro maior estádio do mundo, em Casablanca, diz The TimesAlém do comunicado oficial, Infantino e o secretário-geral da entidade, Mattias Grafström, enviaram uma carta conjunta aos vice-presidentes, membros do Conselho da Fifa e às 211 federações nacionais. No documento, os dois admitem que cometeram erros e pedem desculpas pela forma como o processo foi conduzido.— Pedimos sinceras desculpas pelos erros cometidos e nos comprometemos a garantir que eles não voltem a acontecer — afirma o texto.Reconhecimento de falhasA principal concessão feita por Infantino foi admitir que a proposta da FFE deveria ter sido debatida previamente com o Conselho da Fifa e com as associações nacionais, algo que não ocorreu.Segundo a própria entidade, “não era intenção” excluir dirigentes das discussões e o processo “deveria ter sido conduzido de maneira diferente”.A Fifa também reconheceu que a gestão da crise após o vazamento das informações para a imprensa agravou o desgaste político.Apesar da autocrítica, o comunicado mantém o discurso de que todas as ações foram realizadas dentro das normas da entidade e afirma que a Fifa não aceitará ataques à sua governança ou à reputação da instituição.Apoio interno evita quedaO pedido de desculpas veio acompanhado de um movimento estratégico para demonstrar unidade.Mattias Grafström, que havia classificado internamente toda a condução do caso como uma sequência de acontecimentos “tristes e repreensíveis”, apareceu ao lado de Infantino após a reunião e assinou o comunicado que reafirma apoio ao presidente.Os dois também foram fotografados juntos durante uma partida da Copa Africana de Nações Feminina, em Rabat, gesto interpretado como uma tentativa de transmitir estabilidade após dias de forte turbulência.O respaldo da alta cúpula da entidade reduz, ao menos temporariamente, o risco de uma saída antecipada de Infantino.Crise política continuaEmbora tenha conseguido conter a pressão dentro da Fifa, o dirigente segue enfrentando resistência no cenário internacional.A Uefa continua afirmando que perdeu a confiança no presidente e considera que o projeto foi desenvolvido sem transparência. A entidade europeia chegou a ameaçar recorrer à Justiça para contestar a condução do processo.Nos últimos dias, algumas federações nacionais também retiraram apoio à candidatura de Infantino para um quarto mandato, entre elas o País de Gales. A Inglaterra avalia adotar posição semelhante.Fora do futebol, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, declarou que não confia mais na liderança do dirigente suíço. Já o ex-jogador português Luís Figo pediu sua renúncia imediata, afirmando que Infantino “degradou o cargo que prometeu engrandecer”.Base de apoio permanece sólidaApesar da ofensiva europeia, Infantino ainda mantém uma ampla base de sustentação política.Diversas federações da África e da Ásia reiteraram apoio ao dirigente nos últimos dias, incluindo Marrocos, Egito, Filipinas, Níger, Mauritânia e República Democrática do Congo.Grande parte desses países recebeu investimentos do programa Fifa Forward, principal iniciativa de financiamento da entidade durante a gestão Infantino, fator apontado como decisivo para preservar sua influência política.Esse apoio pode ser determinante na eleição presidencial marcada para março de 2027, quando serão necessários ao menos 106 votos das 211 associações filiadas para garantir a vitória.Estratégia para virar a páginaAo reconhecer publicamente os erros, abandonar o projeto da Fifa Forward Enterprise e reafirmar o compromisso com mudanças nos processos internos, Infantino tenta transformar uma derrota política em um gesto de reconstrução institucional.A estratégia busca reduzir a tensão com parte das federações e impedir que a crise se transforme em um movimento global capaz de ameaçar sua permanência no comando da entidade.The post Infantino pede desculpas, reconhece erros e tenta fim à turbulência de sua gestão appeared first on InfoMoney.
