O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (5), para 14% ao ano, na quarta queda seguida da taxa. Com o novo patamar, a referência do CDI passa a girar em torno de 13,90% ao ano. E o número de ações capazes de superar esse retorno apenas com dividendos segue curto: 13 papéis, de 12 empresas.É o que mostra levantamento feito pelo InfoMoney com dados da Economatica, que considera os ativos presentes no Ibovespa, no Índice de Dividendos (Idiv) e no Índice Brasil 100 (IBrX 100), e utiliza o dividend yield (DY) calculado sobre os proventos distribuídos nos últimos 12 meses.Entenda melhor: Dividendos em Dólar: o que são e como receberO número pressupõe que a política de dividendos e os lucros das empresas se mantenham no mesmo nível nos próximos 12 meses, o que não é garantido – menos ainda nas primeiras colocadas, onde o yield elevado tem origem em eventos que não se repetem todo ano.EmpresaDYSyn Prop Tec (SYNE3)63,26%Grendene (GRND3)42,83%Vulcabras (VULC3)32,80%LOG Commercial Properties (LOGG3)26,95%Lavvi (LAVV3)24,34%Marcopolo ON (POMO3)21,70%Petzcobasi (AUAU3)20,47%Marcopolo PN (POMO4)20,26%Even (EVEN3)19,45%Moura Dubeux (MDNE3)18,98%Marfrig (MBRF3)16,76%Unipar PNB (UNIP6)16,03%Azzas 2154 (AZZA3)15,51%Fontes: Economatica e B3Nove dos 13 papéis aparecem exclusivamente no Idiv, o índice que reúne as maiores pagadoras de dividendos da Bolsa. Apenas três integram o Ibovespa – Marcopolo, Marfrig e Azzas 2154 –, e somente dois deles, Marcopolo e Marfrig, estão nos três índices ao mesmo tempo.Sinais de alerta nas maiores pagadorasA Syn Prop Tec (SYNE3) lidera com DY de 63,26%, quase o triplo do que registrava em abril. O yield da companhia não reflete resultado operacional recorrente, mas vem da combinação entre venda de ativos imobiliários e reduções de capital, mecanismo pelo qual a empresa devolve ao acionista o capital excedente às operações. Em 2024, o DY chegou a superar o próprio valor de mercado da ação.Na Grendene (GRND3), segunda colocada, o número carrega o efeito das distribuições extraordinárias aprovadas no fim de 2025, pagas em parcelas ao longo deste ano. O payout do exercício superou 170% do lucro líquido, contra uma média histórica em torno de 80%. Descontados os eventos extraordinários, o DY recorrente da fabricante de calçados fica historicamente entre 6% e 8% ao ano.A Vulcabras (VULC3) também teve 2025 marcado por distribuições excepcionais, em parte ligadas à antecipação da tributação de dividendos que passou a valer neste ano. A empresa reduziu o dividendo mínimo obrigatório de 25% para 1% do lucro líquido e já sinalizou que uma política mais ativa de proventos só deve ser retomada a partir de 2027.Como olhar além do DYPara quem considera ações como fonte de renda, o DY histórico é ponto de partida, não de chegada. Antes de decidir, cabe avaliar a consistência dos pagamentos, a geração de caixa da empresa e a sustentabilidade do payout. Companhias com margens consistentes e endividamento baixo tendem a oferecer proventos mais previsíveis, ainda que o yield nominal fique abaixo do das primeiras da lista.Vale lembrar que o retorno com dividendos não inclui a variação da cotação: um papel pode entregar DY acima do CDI e, ainda assim, gerar perda de capital que zera ou inverte o retorno total de quem precisar vender a posição.E a régua permanece alta mesmo com o corte. Com a Selic a 14%, o juro real do Brasil está em 9,33% ao ano – o segundo maior entre as 40 maiores economias do mundo, atrás apenas da Rússia. Um DY que bate o CDI nesse ambiente costuma sinalizar uma distribuição que não se repetirá, enquanto um yield menor e recorrente tende a compor melhor o retorno ao longo do tempo.The post 13 ações pagam dividendos acima do CDI com a Selic a 14%; veja quais appeared first on InfoMoney.
