Smart Fit (SMFT3) apresenta balanço sólido no 2T, mas por que ações caíram quase 8%?

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A Smart Fit (SMFT3) apresentou um conjunto de resultados sólidos no segundo trimestre de 2026 (2T26), com crescimento de receita, expansão de margens e forte desempenho operacional, especialmente no Brasil e nos demais países da América Latina. Embora as despesas financeiras mais elevadas tenham limitado o avanço do lucro líquido, analistas enxergaram o balanço como uma demonstração da capacidade da companhia de continuar expandindo sua rede sem comprometer a rentabilidade.Contudo, as ações se destacaram como a maior baixa do Ibovespa na sessão desta quinta-feira (6), fechando em baixa de 7,82%, a R$ 18,38.O Morgan Stanley avaliou que, apesar do crescimento robusto das receitas e da expansão das margens operacionais, a Smart Fit apresentou pontos de atenção abaixo da linha do Ebitda, incluindo uma receita da divisão “Outros” ligeiramente abaixo do esperado e um lucro líquido pressionado por despesas financeiras mais elevadas. O banco também destacou uma geração de caixa mais fraca do que o previsto, refletindo maior consumo de capital de giro, aumento dos investimentos e elevação da dívida líquida para R$ 4,6 bilhões ao fim do trimestre.Na mesma linha, de acordo com o analista João Pedro Soares, do Citi, o resultado da SmartFit no segundo trimestre foi misto, com uma receita mais fraca do que o esperado e lucro aquém das estimativas, mas uma margem bruta caixa mais forte e um controle mais rígido das despesas operacionais.“Continuamos construtivos em relação à trajetória de crescimento da SmartFit, que permanece sólida e, em grande parte, intacta, embora tenha ficado ligeiramente abaixo de nossas expectativas neste trimestre”, afirmou Soares em relatório a clientes.Ele destacou que as margens foram o principal destaque positivo, com uma margem bruta mais forte e um controle de custos que permitiram que o Ebitda ficasse ligeiramente acima do consenso, apesar da receita abaixo do esperado. A margem bruta caixa aumentou de 50,9% para 51,9%.“Dito isso, não podemos descartar uma reação negativa do mercado no curto prazo, dado o lucro abaixo das expectativas e a elevada concentração de investidores no papel da SmartFit.”A receita líquida consolidada atingiu R$ 2,18 bilhões entre abril e junho, alta de 22% na comparação anual, impulsionada pela abertura de novas academias, aumento da base de clientes e crescimento do tíquete médio. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado pré-IFRS 16 somou R$ 712 milhões, avanço de 24%, enquanto a margem Ebitda subiu para 32,7%, ante 32,1% um ano antes. Já o lucro líquido recorrente alcançou R$ 204 milhões, alta de 8% na comparação anual.Para a XP, o principal destaque do trimestre foi justamente a rentabilidade. A corretora classificou o resultado como uma “forte surpresa positiva”, afirmando que as margens vieram acima das expectativas mesmo em um período sazonalmente mais fraco para o setor de academias. Segundo o relatório, a maior contribuição do TotalPass para o lucro bruto compensou tanto a pressão nos negócios tradicionais quanto o aumento das despesas corporativas.TotalPass assume papel cada vez mais relevanteO principal vetor de crescimento da Smart Fit continua sendo o TotalPass. O segmento “Outros”, que reúne a plataforma corporativa, franquias e negócios digitais, respondeu por 11% da receita consolidada no trimestre, ante 8% há um ano, e já representa 17% do lucro bruto da companhia.Leia mais:Confira o calendário de resultados do 2º trimestre de 2026 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 2T26 ganha destaque: veja ações e setores para ficar de olhoAo final de junho, a plataforma contabilizava 2,2 milhões de usuários no Brasil e no México, crescimento de 70% em relação ao mesmo período de 2025. A participação de mercado medida por usuários ativos mensais (MAU) atingiu 35% no Brasil, oito pontos percentuais acima do registrado um ano antes, enquanto permaneceu em 79% no México.O Morgan Stanley destacou que o TotalPass está deixando de ser apenas uma ferramenta de aquisição de clientes para se tornar uma fonte relevante de lucro. O segmento apresentou margem bruta de 84,7% e lucro bruto de R$ 195 milhões, crescimento de 79% na comparação anual. Na avaliação do banco, a evolução da operação pode justificar múltiplos mais elevados para a ação ao longo do tempo.A XP também ressaltou que os investidores não devem analisar apenas a receita gerada dentro das academias para avaliar os impactos da plataforma. Segundo a corretora, a monetização vinda das empresas contratantes e dos usuários do TotalPass precisa ser considerada para entender adequadamente a contribuição econômica do negócio.Por outro lado, embora o TotalPass continue crescendo rapidamente, a receita da divisão “Outros” ficou abaixo das projeções do banco, avalia o Morgan. O segmento faturou R$ 230 milhões, crescimento de 47% na comparação anual, mas cerca de 18% abaixo da estimativa do banco. Isso acabou limitando um desempenho ainda melhor da receita consolidada e do Ebitda.Segundo o banco, o trimestre mostrou um bom desempenho operacional, mas o crescimento menor que o esperado nessa divisão foi um dos fatores que impediram um “beat” mais robusto.O principal ponto negativo destacado pelo Morgan Stanley foi a linha abaixo do Ebitda. O lucro líquido reportado ficou em R$ 156 milhões, 30% abaixo da estimativa do banco. Mesmo o lucro recorrente, de R$ 204 milhões, ficou aquém das projeções devido ao aumento das despesas financeiras e dos impostos. A instituição classificou o trimestre como “good quarter, messy below the EBITDA line” (“bom trimestre, mas bagunçado abaixo da linha do Ebitda”), justamente porque os problemas vieram das despesas financeiras e da conversão do resultado operacional em lucro.Outro aspecto bastante enfatizado foi a conversão de caixa. O fluxo de caixa operacional somou R$ 530 milhões, abaixo da expectativa de R$ 694 milhões do Morgan Stanley. O consumo mais elevado de capital de giro e maiores pagamentos de impostos pressionaram a geração de caixa.Brasil surpreende positivamente nas margensApesar das discussões sobre aumento da concorrência no mercado brasileiro, os números do trimestre ajudaram a reduzir parte dessas preocupações.A receita da operação brasileira cresceu 17%, para R$ 695 milhões, sustentada por reajustes de preços, maior penetração do plano Black e aumento da utilização do TotalPass. O tíquete médio avançou 17% na comparação anual.Embora a receita líquida por academia tenha recuado 5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, a rentabilidade permaneceu resiliente. A XP destacou que o Brasil entregou margens acima das estimativas, beneficiadas pela maior contribuição do TotalPass, enquanto o JPMorgan apontou expansão de dois pontos percentuais na margem Ebitda da operação brasileira, para 43,6%.Leia tambémBradesco: 10º tri seguido de alta do lucro, mas qualidade dos ativos divide mercadoOs números vieram próximos ou ligeiramente acima das expectativas do mercado, mas a deterioração de alguns indicadores de qualidade de crédito impediu uma visão unanimemente positiva entre analistasOutro dado observado de perto pelo mercado foi o desempenho das academias maduras. Segundo a companhia, essas unidades mantiveram margem próxima de 51%, praticamente estável e considerada bastante saudável para o setor.Se o Brasil apresentou resultados sólidos, a operação em outros países latino-americanos foi o maior destaque positivo do trimestre.A receita da região avançou 22%, para R$ 737 milhões, tornando-se pela primeira vez a maior operação da Smart Fit em faturamento entre os negócios próprios, superando o Brasil. O crescimento foi impulsionado pela maturação das academias abertas nos últimos dois anos, aumento da base de clientes e reajustes de preços.O JPMorgan destacou que o Ebitda da região cresceu cerca de 30%, enquanto a margem avançou 3,2 pontos percentuais, alcançando 50,8%. A XP também classificou a região como a principal surpresa positiva do trimestre.Enquanto isso, o México seguiu em trajetória de crescimento, mas se manteve como a geografia mais pressionada da companhia.A receita cresceu 16% na comparação anual, para R$ 448 milhões, apoiada pelo aumento de 13% da base de clientes e elevação de 7% no tíquete médio. Entretanto, a margem bruta recuou cerca de quatro pontos percentuais, afetada pelo aumento dos custos trabalhistas, ocupação e serviços de terceiros.Para XP e JPMorgan, a operação mexicana continua sofrendo efeitos da forte expansão recente, uma vez que boa parte das novas academias inauguradas ainda está em fase inicial de maturação.A companhia também demonstrou confiança na continuidade de seu plano de expansão.No primeiro semestre, foram inauguradas 98 academias, enquanto outras 134 estavam em construção ao final do trimestre. Ao todo, a Smart Fit encerrou junho com 232 unidades no pipeline, aproximando-se do guidance de 330 a 350 aberturas em 2026. Além disso, já possui cerca de 200 contratos assinados para inaugurações previstas para 2026 e 2027.A rede chegou a 2.126 unidades no fim do trimestre, entre operações próprias e franquias, um aumento de 343 academias em relação ao mesmo período do ano anterior.Outro destaque foi a BeOn, braço de estúdios da companhia, que encerrou o trimestre com 311 salas e 192 unidades, sendo 89% delas operadas por franqueados. A Smart Fit também concluiu no início de agosto a aquisição de 60% da Evolve, reforçando sua estratégia de diversificação.Mercado vê fundamentos preservadosApesar do lucro líquido abaixo das expectativas de alguns bancos devido ao aumento das despesas financeiras e da geração de caixa mais fraca no trimestre, a leitura predominante foi positiva. Goldman Sachs classificou os resultados operacionais como amplamente em linha com o esperado, enquanto JPMorgan destacou a solidez do desempenho operacional e a expansão das margens. Já a Morgan Stanley avaliou que a companhia continua demonstrando crescimento robusto e diversificação crescente das fontes de receita.Na visão da XP, os números do segundo trimestre reforçam que a companhia segue conseguindo combinar expansão acelerada, crescimento de receita e aumento de rentabilidade, reduzindo as preocupações recentes do mercado sobre competição e pressão nas margens do negócio brasileiro.(com Reuters)The post Smart Fit (SMFT3) apresenta balanço sólido no 2T, mas por que ações caíram quase 8%? appeared first on InfoMoney.

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