A eleição presidencial de 2026 começa a apresentar uma dinâmica que lembra mais a disputa de 2014 do que a de 2022. A avaliação é do fundador do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, durante sua participação no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (7). O ponto central da análise, segundo o especialista, parte de um eleitorado que demonstra desejo de mudança, mas ainda não enxerga em nenhuma das principais candidaturas uma resposta clara para essa demanda. O comportamento aparece especialmente entre os eleitores da classe C, grupo que hoje representa mais da metade do eleitorado brasileiro e que teve papel decisivo nas últimas disputas presidenciais. “A demanda do eleitor é por mudança. Mas ele não enxerga na oferta da classe política essa mudança”, afirmou Meirelles. Segundo ele, esse foi também um dos paradoxos da eleição de 2014. Naquele ano, uma parcela expressiva da população dizia querer mudanças, mas isso não significou necessariamente uma migração automática de votos para a oposição. Leia tambémFlávio diz que Lula está em processo de “bidenização, perigoso para o Brasil”Entre 2023 e 2024, enquanto era presidente, Biden passou por episódios de perda do fio das falas, confusão de nomes e datas e aparentes lapsos de memóriaTarifas, visto de embaixadora e guerra: o que pode entrar na conversa de Lula e TrumpPresidente sinalizou a aliados de partidos da esquerda, nesta quarta-feira, que buscaria falar com o americano na próxima semana“A Dilma ganhou uma reeleição em que 70% queriam mudança, mas não enxergavam no Aécio essa mudança”, disse Meirelles.Na avaliação dele, Lula enfrenta hoje um cenário parecido. Parte do eleitorado não considera que o presidente tenha entregado tudo o que esperava desde 2022, especialmente na melhora da vida cotidiana. Ao mesmo tempo, esse descontentamento não se transforme automaticamente em apoio a Flávio Bolsonaro. “Existe um sentimento de que o Lula não entregou a picanha que foi prometida e também o entendimento de que o Flávio não vai entregar a picanha que foi prometida”, afirmou.Para Meirelles, esse eleitor não deve ser interpretado a partir de uma lógica estritamente ideológica. A classe C, segundo ele, tende a fazer escolhas mais pragmáticas, levando em conta segurança econômica, continuidade de benefícios e a percepção de que seria o candidato que ofereceria menos risco. “A gente tem uma classe C que é pragmática e não ideológica. Uma classe C que enxerga no Lula uma segurança para que alguns programas continuem e talvez não ache que o Flávio seja a mudança que o Brasil precisa”, afirmou.O paralelo com 2014 aparece justamente neste ponto, conforme a análise de Meirelles. Mesmo quando há insatisfação com o governo, a troca de candidato depende de o eleitor identificar no adversário uma alternativa suficientemente segura. “Se as coisas não mudarem, a pessoa vai ter medo de perder ou vai falar: ‘eu quero mudar tudo’. A gente já teve essas duas coisas na história. Em 2014, as pessoas não trocaram o certo pelo duvidoso”, disse.Para ele, o dilema do eleitor se baseia exatamente nesta percepção. Enquanto isso, a campanha de Lula precisa convencer o eleitor de que vale a pena preservar o que já existe, enquanto Flávio deve buscar provar que representa uma mudança desejável, e não só uma rejeição ao governo atual. O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post Por que a eleição de 2026 pode repetir um fenômeno visto em 2014 appeared first on InfoMoney.
