Lançado há mais de um mês como uma das apostas para a campanha à reeleição do presidente Lula, o programa de renegociação de dívidas para trabalhadores informais começa a sair do papel nesta segunda-feira, depois de mudanças promovidas pelo governo. A pedido da Caixa e do Banco do Brasil, o governo alterou as regras para participação das instituições financeiras no Desenrola Adimplentes e espera que a iniciativa agora ganhe tração, inclusive com a participação de bancos privados, que inicialmente rejeitaram a medida.Entenda melhor: CDB: guia com o passo a passo para investirO que é o programa?O programa permite que até R$ 15 mil em dívidas sem garantia no crédito pessoal de trabalhadores informais — sem nenhum vínculo formal de emprego — sejam renegociadas com juros de até 1,99% ao mês.Atualmente, essas operações têm taxa média de cerca de 7%. É necessário ainda que o cliente tenha ao menos quatro parcelas já quitadas e que os pagamentos estejam em dia ou tenham atraso inferior a 90 dias.Na avaliação do governo, esse público era o único que continuava desassistido diante das altas taxas no mercado de crédito neste momento, considerando que trabalhadores CLT, idosos e servidores públicos têm acesso a linhas consignadas, com juros mais baixos, e os inadimplentes há mais de 90 dias já haviam sido contemplados pelo Desenrola 2.0.Leia tambémA IA está danificando seus próprios data centers — e o problema é a energiaOscilações bruscas no consumo sobrecarrega equipamentos críticos das instalaçõesPor que o programa atrasou?O atraso, por sua vez, segundo interlocutores, foi causado por gargalos na regulamentação do Fundo de Garantia de Operações (FGO), em meio à série de programas de crédito lançados pelo governo antes do início do defeso eleitoral, em 4 de julho, como o próprio Desenrola para inadimplentes e as diferentes versões do Move Brasil, para compra de veículos.Entenda melhor: Minha Casa, Minha Vida: entenda como as novas regras ampliaram o público que pode participarAlém disso, houve um desconforto de BB e Caixa, agentes financeiros da iniciativa, com as regras iniciais para as instituições financeiras participantes, alteradas em medida provisória (MP) no último sábado.Agora, qualquer participante do programa pode combinar capital próprio com o funding de até R$ 3 bilhões disponibilizado pela União como fonte de recursos para as repactuações. Antes, o uso do capital próprio estava restrito a BB e Caixa, que teriam então de comprometer seus recursos em operações de outros bancos.A necessidade da mudança foi detectada após a edição da MP que criou o Desenrola Adimplentes, em 29 de junho. Dentro das instituições estatais, especialmente no BB, que tem capital aberto, a preocupação era de que esse formato anterior poderia gerar questionamentos de governança.Agora, com a mudança, Caixa e BB serão apenas repassadores de recursos da União para os demais bancos e também poderão conceder operações próprias. Segundo a justificativa da MP, ela busca “gerar os incentivos adequados, ao mesmo tempo em que preserva a eficiência no uso dos recursos públicos” aportados no programa.O que dizem os bancosCom a mudança, os bancos públicos devem começar a operar a linha. Procurado, o BB afirmou, em nota, que “mantém diálogo permanente com o Ministério da Fazenda sobre a operacionalização do programa”. Já a Caixa não se manifestou.Há maior confiança agora também pelo governo na entrada de instituições privadas, que inicialmente rejeitaram a modalidade devido ao público-alvo restrito e à análise de que faz pouco sentido se engajar em uma renegociação de um público que ainda está pagando em dia.A própria Federação Brasileira de Bancos (Febraban) alterou o posicionamento sobre o programa. Após o lançamento, a entidade disse que o potencial de adesão tendia a ser mais “limitado” do que a versão para inadimplentes.Agora, diz que o desenho final evoluiu, o que contribuiu para aumentar “a viabilidade de implementação pelas instituições financeiras”.“Algumas condições do desenho final evoluíram positivamente em relação às discussões iniciais, o que contribuiu para aumentar a previsibilidade operacional e a viabilidade de implementação pelas instituições financeiras”, disse, em nota.A entidade avaliou que a regulamentação trouxe maior detalhamento sobre critérios de elegibilidade, custos, mecanismos de garantia, condições operacionais e de implementação. A decisão sobre a adesão é individual de cada banco.The post Desenrola Adimplentes começa hoje após ajustes para atrair os bancos appeared first on InfoMoney.
