As ações da Natura (NATU3) fecharam em alta nesta terça-feira (11), após o balanço do segundo trimestre superar as baixas expectativas dos investidores. Os papéis da empresa de cosméticos fecharam em alta de 1,49%, a R$ 8,19, após uma abertura em queda, uma das poucas altas do Ibovespa em uma sessão de queda de 2,5% do índice. Na avaliação do Bradesco BBI, a Natura surpreendeu positivamente ao entregar resultados melhores do que o esperado, após expectativas terem sido revisadas para baixo em função da prévia de vendas decepcionante.O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) consolidado somou R$ 620 milhões, superando as estimativas do Bradesco BBI em 21% e o consenso em 14%, impulsionado por um controle mais rígido de despesas operacionais (G&A) e melhora na margem bruta, que compensaram a queda de 9% na receita consolidada em base anual.“Apesar do cenário ainda desafiador para a retomada das vendas, especialmente no Brasil e na marca Avon, a Natura mostrou forte resiliência na proteção de margens e geração de caixa”, escreveram os analistas Pedro Pinto e Flávia Meireles, do BBI. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, aponta que a virada das ações da Natura tem relação com cobertura de posições vendidas, apoiada por um resultado menos negativo do que a manchete sugeria.“Embora a receita e o lucro tenham vindo pressionados, o Ebitda ficou cerca de 17% acima do consenso de mercado. Além disso, a margem Ebitda avançou 4,7 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre, a companhia reduziu ligeiramente a alavancagem. Esses dados evitaram uma leitura completamente negativa do balanço e deram motivo para que investidores vendidos começassem a recomprar as ações”, avalia. Assim, como NATU3 possui uma posição vendida relevante e um custo de aluguel excepcionalmente elevado, qualquer resultado que não venha tão ruim como o esperado pode provocar uma reação desproporcional, aponta o especialista. Contudo, Lima evita classificar o movimento como um “short squeeze” clássico, porque normalmente envolveria uma alta mais violenta, acompanhada por forte expansão de volume e recompras compulsórias em sequência.Leia mais:Confira o calendário de resultados do 2º trimestre de 2026 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 2T26 ganha destaque: veja ações e setores para ficar de olhoA equipe do JPMorgan classificou o resultado como fraco, mas melhor do que o temido no segundo trimestre de 2026. Para o banco, a divulgação preliminar de julho já havia reduzido os riscos relacionados à receita, enquanto a maior resiliência da rentabilidade e a geração de caixa foram pontos positivos do balanço.A Natura gerou cerca de R$ 360 milhões em caixa no trimestre, considerando a variação da dívida líquida ajustada pelos efeitos do FDIC, financiamento de fornecedores e recompras de ações.Diante do desempenho fraco no primeiro semestre, a companhia revisou sua expectativa para a margem Ebitda reportada em 2026. A empresa agora trabalha com expansão em relação aos 10% registrados em 2025, e não mais em relação à margem Ebitda ajustada de 14,1% do ano passado. O JPMorgan projeta margem reportada de 11% para 2026 e de 12,3% em base ajustada.O JPMorgan destaca que o desempenho operacional superou as estimativas e veio acompanhado de geração de caixa, enquanto tanto sua projeção quanto o consenso já incorporavam uma contração da margem em 2026. Por isso, a revisão da rentabilidade não deve provocar mudanças relevantes nas estimativas de lucro por ação.Por outro lado, o JPMorgan ressalta que a visibilidade continua baixa, principalmente em relação ao ritmo de recuperação da receita no Brasil e à execução da companhia no segundo semestre.O Goldman Sachs também considerou fraco o resultado, pois as vendas recuaram 8% na comparação anual, conforme já havia sido reportado em julho. No entanto, o principal destaque negativo foi a intensidade da fraqueza na operação principal da Natura no Brasil, cuja receita recuou 15% em relação ao mesmo período do ano anterior.A margem bruta caiu 70 pontos-base, principalmente devido ao impacto temporário do ICMS-ST (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços por Substituição Tributária).As despesas foram o ponto positivo do resultado, segundo avaliação do Goldman Sachs. A companhia começou a capturar os benefícios do enxugamento realizado nas despesas gerais e administrativas (G&A) no 1T26, levando a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) a subir 40 pontos-base na comparação anual, mesmo diante da menor margem bruta e da alavancagem operacional negativa.O Morgan Stanley, por sua vez, avaliou que os resultados do segundo trimestre da Natura foram prejudicados principalmente pelo desempenho da operação brasileira.The post Natura (NATU3) surpreende baixas expectativas e ação sobe 1,5% após balanço do 2T appeared first on InfoMoney.
