A Center Inc. colocou o consórcio no centro de sua estratégia de diversificação e traçou a meta de vender R$ 500 milhões em cartas em 2026 e superar R$ 1 bilhão em 2027. A vertical já responde por 35% do resultado da companhia, apesar de alcançar apenas 8% da atual base de clientes.Nascida em Cascavel (PR) em 2010, a Center Inc tem mais de 10 mil clientes, 150 especialistas e presença em 22 cidades, sendo nove delas com filiais. A companhia assessora mais de R$ 6,5 bilhões considerando suas diferentes frentes de atuação. A XP é acionista da empresa.Nos últimos dois anos, a Center passou a se apresentar não apenas como uma assessoria de investimentos, mas como um ecossistema de serviços financeiros.Além dos investimentos, a estrutura inclui seguros, consórcios, atendimento a empresas e soluções internacionais, entre outras frentes.É nesse processo que o consórcio ganhou peso. Segundo Jocimar Correia, CEO da Center, a vertical representa atualmente 35% do resultado da companhia, mesmo com penetração de apenas 8% na base de clientes.“Não é que a gente vai virar uma empresa de consórcio, mas o consórcio virou uma matriz de receita muito relevante para o nosso negócio. É um terço do nosso negócio já”, afirma Correia.Planejamento financeiro reduz cancelamentosA estratégia da Center combina a oferta de consórcio com o chamado financial planning — ou planejamento financeiro. Antes da contratação, a companhia avalia objetivos, fluxo financeiro e horizonte de tempo do cliente para determinar se o produto faz sentido dentro de sua estratégia patrimonial.Segundo Correia, a taxa de cancelamento das cartas comercializadas pela Center está pouco acima de 3%, ante mais de 40% que ele atribui à média do mercado. “Quando você faz a coisa certa e consultiva, o reflexo é o cliente não cancelar. Por quê? Porque ele comprou do jeito certo, ele entendeu a estratégia, ele entende que aquilo está gerando valor para ele. Então ele não vai cancelar”, reflete Correia.“O seu baixo cancelamento é a maior chancela possível de que o trabalho está sendo diferente”, continua.A abordagem parte do planejamento financeiro que a Center já utilizava na área de investimentos. O serviço considera, entre outros pontos, estratégia de investimentos, gestão de riscos, organização financeira pessoal e empresarial, eficiência tributária, aposentadoria e sucessão patrimonial.R$ 250 milhões em menos de um anoA segunda etapa da estratégia foi levar o modelo para o canal digital. Segundo Correia, a operação foi estruturada há menos de um ano e já comercializou mais de R$ 250 milhões em cartas de consórcio.Agora, a Center pretende acelerar a expansão. A empresa mantém 40 profissionais dedicados à vertical e planeja contratar mais 60 até dezembro, encerrando 2026 com uma equipe de 100 pessoas na operação.A meta é vender R$ 500 milhões em cartas neste ano e mais de R$ 1 bilhão em 2027. Em um horizonte de três anos, a ambição declarada pela companhia é se tornar a maior operação de consórcio digital do país.“A ambição para três anos é ser a maior operação de consórcio digital do Brasil”, adianta Correia.Imóveis lideram procura por consórciosA Center divide a utilização do consórcio em três frentes principais: aquisição de bens, estratégias patrimoniais e atendimento empresarial.Segundo Correia, os imóveis concentram a maior parte das cartas comercializadas pela empresa, enquanto os veículos representam uma parcela menor — a proporção aproximada é de 90% para imóveis e 10% para veículos.Dentro da demanda imobiliária, Correia estima que cerca de metade esteja relacionada a estratégias de alavancagem patrimonial.No uso mais tradicional, o cliente contrata uma carta para adquirir um imóvel ou veículo de forma programada. A contemplação pode ocorrer por sorteio ou lance, sem garantia sobre quando acontecerá.Por isso, o próprio CEO da Center ressalta que o consórcio não serve para todas as situações.“Não cabe quando a pessoa quer muito rápido, quando a pessoa não pode esperar, quando a pessoa não pode se programar. Aí não deve ser vendido”, explica.Estratégia também mira empresasA Center também pretende ampliar o uso do consórcio no relacionamento com empresas. Um dos casos citados por Correia envolve empresários que possuem patrimônio imobiliário, mas buscam recursos para a operação do negócio.A frente corporativa da companhia oferece soluções de crédito, câmbio, investimentos, mercado de capitais, fusões e aquisições (M&A), planejamento sucessório empresarial e revisão tributária.O avanço do consórcio faz parte da estratégia da Center de ampliar o relacionamento com a mesma base de clientes por meio de diferentes serviços financeiros. Segundo o CEO, a expansão da vertical ocorrerá sem substituir a assessoria de investimentos que deu origem ao negócio.“Não vamos deixar de ser uma coisa para ser outra. A gente vai tratar várias coisas ao mesmo tempo, com lideranças e diretorias específicas para cada frente”, diz Correia.The post Center Inc. mira R$ 1 bi em consórcios em 2027 e busca liderança digital no Brasil appeared first on InfoMoney.
