Gestores globais reduzem exposição ao real com medo da eleição no Brasil

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As preocupações com a eleição começam a se infiltrar nos mercados brasileiros, levando alguns investidores a reduzir a exposição a uma das operações de carry trade mais rentáveis do ano.Na VanEck, os gestores David Austerweil e Eric Fine têm evitado apostas em renda fixa local brasileira, à espera de uma trajetória mais turbulenta até a eleição presidencial de outubro. Já Thierry Larose, da Vontobel, reduziu a posição no real, argumentando que a moeda oferece pouca proteção diante de um cenário desfavorável ao mercado. Kieran Curtis, da Aberdeen, também vem diminuindo a exposição à moeda brasileira.“Faz sentido entrar no período eleitoral com um pouco menos de risco no Brasil”, disse Curtis, chefe de dívida local de mercados emergentes da Aberdeen. Segundo ele, trata-se de “se preparar para a volatilidade, e não necessariamente seguir uma visão sobre o resultado” da eleição.Embora a campanha ainda não tenha começado oficialmente, o presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva lidera as pesquisas de opinião e tem cerca de dois terços de chance de garantir mais um mandato, segundo mercados de apostas. Isso deixa os investidores em alerta, já que o Brasil ameaça contrariar o movimento de guinada à direita observado em outros países da América Latina.Leia tambémQuanto o Tesouro IPCA+ rende se a inflação surpreender? Veja simulaçãoSimulação com cinco níveis de IPCA mostra que o valor de resgate varia 34%, enquanto o poder de compra final fica praticamente igualInflação perto de zero emagrece retornos do Tesouro IPCA+Com inflação de 0,07% no mês, o retorno dos títulos indexados fica quase todo por conta do juro real, mas gestores e consultores dizem que a taxa de entrada é o que deve pesar na decisãoA perspectiva de mais um mandato de Lula reacende dúvidas sobre a capacidade do governo de promover o ajuste fiscal necessário para estabilizar as contas públicas. As mesmas preocupações atingiram o auge em dezembro de 2024, quando a perda de confiança na capacidade do governo de conter a deterioração fiscal levou o real a uma mínima histórica e provocou uma forte queda em ações e na dívida em moeda local e estrangeira, levando investidores a correr para proteções contra um calote soberano.Larose, gestor de carteiras da Vontobel em Zurique, afirma não fazer ideia de quem vencerá a eleição presidencial. Mas diz ter certeza de uma coisa: o real “não está precificando absolutamente nenhum desenvolvimento desfavorável no campo político”.Na terça-feira, uma pesquisa que mostrou Lula com vantagem mais ampla sobre Flávio Bolsonaro do que a maioria das outras sondagens acompanhadas pelo mercado ajudou a impulsionar uma venda generalizada do real, que teve o pior desempenho entre 31 moedas importantes monitoradas pela Bloomberg. O ETF iShares MSCI Brazil, de US$ 8,4 bilhões, registrou sua maior saída diária desde 2013, enquanto o JPMorgan Chase & Co. cortou sua recomendação para ações brasileiras, afirmando preferir “ficar de fora a pagar pela incerteza”.Na quarta-feira, o real também ficou atrás da maioria das moedas pares, sendo negociado em queda frente ao dólar, enquanto a maior parte das divisas de mercados emergentes avançava.Os mercados de dívida local já mostram alguns sinais de estresse, incluindo alta nos juros e demanda instável nos leilões semanais do Tesouro. O real e as ações, no entanto, mantiveram-se relativamente resilientes até recentemente, à medida que um cenário global favorável para ativos de risco ajuda a compensar as preocupações domésticas.Dados da State Street mostram que as proteções cambiais sobre o real permanecem baixas em comparação com ciclos eleitorais anteriores, o que deixa mais espaço para a moeda se enfraquecer caso os investidores busquem proteção às vésperas da eleição, segundo Ning Sun, estrategista sênior para mercados emergentes da gestora em Boston.“Os investidores finalmente estão se atentando aos riscos eleitorais no Brasil”, disse Sun, que prefere o peso colombiano entre as moedas de maior rendimento.Leia também: Congresso aprova aval a despesa fora do limite, mas garante ajuste de R$10 bi em 2027A inquietação também começa a aparecer entre gestores locais, para quem as preocupações com a deterioração fiscal do Brasil e a inflação persistente estão sendo amplificadas pelos riscos eleitorais.A Ibiuna Investimentos está posicionada para juros mais baixos no curto prazo e mais altos no longo prazo, segundo sua carta mensal de julho aos investidores, refletindo preocupações mais amplas de que os riscos fiscais manterão o custo de financiamento elevado nos vencimentos mais longos.A Adam Capital, gestora carioca comandada por Marcio Appel, alertou que os juros reais dos títulos públicos atrelados à inflação superaram 8%, patamar classificado pela casa como “claramente insustentável”. Embora o real siga em trajetória favorável, sua força tem um custo elevado para a dinâmica da dívida brasileira e mascara a magnitude dos desafios pela frente, disse a gestora em sua carta de julho.O real brasileiro acumula alta de cerca de 6% frente ao dólar neste ano, um dos melhores desempenhos entre os mercados emergentes. Os ganhos são sustentados por alguns dos juros reais mais altos do mundo, o que torna a moeda uma favorita entre operadores de carry trade, que tomam empréstimos em moedas de menor rendimento para investir em moedas de maior rendimento.Embora Lula seja visto como favorito, algumas pesquisas sugerem que a disputa pode ficar mais equilibrada. O pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, chegou ao poder em uma eleição na qual superou as expectativas. Mas mesmo em caso de uma surpresa favorável ao mercado, o real deve ficar atrás dos juros nominais, o que o tornaria uma aposta menos atraente, segundo Larose.Caso Lula vença, o mercado deve se decepcionar e reprecificar os ativos brasileiros, disse Austerweil.“A história brasileira depende de como o mercado interpreta a restrição fiscal. Para que os ativos tenham bom desempenho, o resultado primário precisa ser positivo”, disse Philip Fielding, gestor de carteiras da Fidelity International Management Ltd, que passou a adotar uma postura mais neutra em relação à dívida brasileira nas últimas semanas. “A grande questão para mim é se isso vai acontecer sem pressão do mercado ou só depois de uma venda generalizada.”©️2026 Bloomberg L.P.The post Gestores globais reduzem exposição ao real com medo da eleição no Brasil appeared first on InfoMoney.

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