O governo francês confirmou que um acesso ilícito aos sistemas da Direção-Geral das Finanças Públicas resultou na extração de dados de 678 mil contas de pessoas físicas e empresas. A intrusão ocorreu no fim de junho e foi revelada publicamente nesta sexta-feira (14). Segundo o gabinete do primeiro-ministro, uma reunião de crise interministerial será realizada nesta segunda-feira (17) para avaliar o plano de comunicação aos afetados e as medidas adicionais de proteção. As notificações individuais começarão a ser enviadas no mesmo dia, de acordo com comunicado citado pela Bloomberg neste domingo.A Procuradoria de Paris abriu investigação criminal para apurar a invasão aos sistemas da DGFiP, sob condução da unidade de cibercrime da polícia francesa. O objetivo é determinar a forma da intrusão, eventuais responsabilidades e se houve atuação de organização criminosa, crime que prevê pena mínima de cinco anos.Paralelamente, o Ministério da Economia anunciou uma auditoria técnica liderada pela Agência Nacional de Cibersegurança e Ciberdefesa (ANSSI), com conclusões a serem encaminhadas às comissões de Finanças da Assembleia Nacional e do Senado. Leia tambémOuro da Venezuela em Londres irá para contas do Tesouro dos EUA, diz deputadoPlano prevê uso dos recursos em moradias, escolas e centros de saúde, com gastos submetidos a auditoria internacionalPIB de Israel dispara 15,4% após contração provocada por guerra com IrãExportações de bens e serviços lideraram a recuperação, com alta de 35,2%Em mensagem na rede X, o ministro David Amiel apontou a proliferação de ataques a serviços públicos e disse que, com o avanço da inteligência artificial, a ameaça tende a crescer. Entre as ações em curso, citou a autenticação de dois fatores para servidores com acesso a ficheiros, sistemas de detecção precoce de fugas e a revisão dos protocolos de acesso a dados.Leia também: Greve atinge companhia aérea e cancela quase 100 voos em pleno verão europeuDados foram expostosNa nota oficial divulgada nesta sexta-feira (14), o governo informou que os acessos ilegítimos foram usados para consultar e extrair dados fiscais como renda tributável de referência, quociente familiar e a alíquota de retenção na fonte. Também houve consulta a dados cadastrais relativos a endereços e a informações de imóveis, como áreas, segundo o comunicado citado pela Bloomberg. No caso das empresas, constam razão social e identificadores administrativos, como SIREN, relatou o site Livecoins ao reproduzir trechos da comunicação oficial.Leia também: Museu do Louvre reabre galeria alvo de roubo, mas sem exposição de joiasA diretora-geral da DGFiP, Amélie Verdier, afirmou que o autor da intrusão utilizou a identidade de um agente público e que, inicialmente, a administração julgou não haver extração de dados. A confirmação veio após o alegado hacker se vangloriar do roubo em 12 de agosto, acrescentou Verdier. Ela disse ainda que não houve acesso a elementos que permitissem entrar nas contas pessoais dos contribuintes nem a declarações completas de imposto de renda.O volume total de vítimas não foi detalhado inicialmente pelo governo. O site especializado French Breaches, que acompanha incidentes cibernéticos na França, estimou 678.437 pessoas afetadas, sendo 392.867 particulares e 285.570 profissionais, e afirmou que o ficheiro com os dados estaria à venda por vários milhares de euros, conforme relatos da CNN Portugal. A mesma publicação citou declarações da French Breaches à AFP sobre uma segunda fuga relacionada à DGFiP que envolveria cerca de 2 milhões de proprietários de imóveis, com dados cadastrais como identificadores fundiários e parcelas, informação que não foi confirmada oficialmente até o momento.As autoridades francesas informaram que os contribuintes impactados receberão comunicação individual especificando quais informações podem ter sido consultadas e as orientações de segurança a adotar. The post França sofre ataque hacker e dados de 678 mil contas são extraídos de sistema fiscal appeared first on InfoMoney.
