Como escolher o colchão ideal: o guia completo antes de comprar

Decoração

Comprar um colchão parece, à primeira vista, uma decisão simples. Basta escolher o tamanho da cama, testar algumas opções e decidir qual é a mais confortável.
Na prática, porém, a quantidade de materiais, tecnologias, níveis de firmeza e tipos de construção disponíveis pode transformar a compra em uma tarefa cheia de dúvidas. Afinal, o colchão acompanha o corpo durante horas todas as noites e influencia diretamente a sensação de conforto ao dormir.

“Não se trata apenas de um item de mobília, e sim um investimento em saúde e bem-estar. É preciso considerar pontos essenciais como material, nível de conforto e postura ao dormir”, explica Jeziel Rodrigues, consultor do sono da Anjos Colchões e Sofás.
Não existe, entretanto, um colchão universalmente ideal. O modelo mais adequado depende de características individuais, como a posição em que a pessoa dorme, seu peso e sua preferência de conforto. Também entram nessa conta fatores como dividir ou não a cama, sentir calor durante a noite e o tipo de suporte procurado.
Por isso, antes de se deixar levar pelo preço, pela aparência ou pela promessa de uma determinada tecnologia, vale entender o que existe dentro do colchão e, principalmente, como essas características se relacionam com o próprio corpo.

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Qual é o melhor colchão para cada posição de dormir?
Um colchão macio pode oferecer suporte adequado, enquanto um modelo extremamente firme não necessariamente será melhor para a colunakrakenimages.com/Freepik
A posição em que se dorme é um dos principais pontos de partida para escolher um colchão. Quem dorme de lado, por exemplo, concentra maior pressão sobre os ombros e quadris. Nesse caso, uma superfície que permita certa acomodação dessas regiões tende a ser mais confortável.
Já quem dorme de costas precisa de um colchão capaz de oferecer suporte à região lombar sem deixar o quadril afundar excessivamente. Para quem dorme de bruços, uma superfície mais firme pode ajudar a manter o corpo em uma posição mais estável.

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“Para fazer a escolha certa do material e nível de firmeza, é preciso perceber a posição que a pessoa dorme. Com isso, quem dorme de barriga para cima ou para baixo precisa de um colchão firme, e para quem dorme de lado, o ideal é um modelo mais macio, pois fica melhor acomodado”, ensina Rodrigues.
Quem muda frequentemente de posição durante a noite pode procurar uma opção intermediária, que ofereça suporte sem ser excessivamente rígida ou macia. O ponto central é que a coluna permaneça bem acomodada e que o colchão não crie pontos de pressão desconfortáveis.
Também é importante não confundir firmeza com suporte. Um colchão macio pode oferecer suporte adequado, enquanto um modelo extremamente firme não necessariamente será melhor para a coluna. A sensação final depende da combinação entre a construção do produto e as características de quem dorme sobre ele.

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Colchão firme ou macio: qual escolher?
O peso e a distribuição corporal fazem com que duas pessoas tenham sensações diferentes sobre o mesmo colchãoUnsplash/Reprodução
A firmeza é provavelmente um dos critérios que mais confundem o consumidor. Embora as marcas costumem classificar seus modelos como macios, intermediários ou firmes, essa percepção não é completamente objetiva.
O peso e a distribuição corporal fazem com que duas pessoas tenham sensações diferentes sobre o mesmo colchão.

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“Essa diferença está no suporte que oferece ao corpo. Um colchão firme tende a proporcionar uma superfície mais rígida, e o macio acolhe e molda os contornos do corpo”, explica o consultor.
Na hora do teste, o ideal é prestar atenção à maneira como o corpo se acomoda. Um colchão excessivamente firme pode gerar pressão em regiões como ombros e quadris, especialmente para quem dorme de lado. Já um modelo muito macio pode fazer com que determinadas partes do corpo afundem além do desejado.
O conforto também é individual. Não é necessário escolher um colchão firme simplesmente porque existe a ideia de que ele seria sempre melhor para a postura. O mais importante é encontrar uma superfície que ofereça suporte adequado e, ao mesmo tempo, seja confortável para aquela pessoa.

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“É importante pensar em um colchão que irá proporcionar uma noite de sono de qualidade, em que se acorda descansado e sem dores. Para isso, vale seguir a preferência, seja ela por um modelo mais firme, intermediário ou macio, desde que atenda o nível de conforto que se necessita, em que a coluna esteja alinhada ao colchão”, afirma Rodrigues.
Espuma, molas ou látex: qual é a diferença?
Os principais tipos encontrados no mercado são os modelos de espuma, molas, híbridos e látex. Cada um apresenta características próprias e pode produzir uma experiência diferente durante a noite.

Colchão de espuma

Os colchões de espuma podem ser produzidos com diferentes tipos de materiais e combinações de camadas. Entre eles está o chamado memory foam, ou espuma viscoelástica, que se molda aos contornos do corpo e costuma oferecer uma sensação maior de acolhimento.
Uma característica valorizada nesses modelos é o isolamento de movimento. Para quem divide a cama, isso pode ser interessante porque reduz a propagação dos movimentos de uma pessoa para o outro lado do colchão.
Por outro lado, algumas pessoas não gostam da sensação de afundamento característica de determinadas espumas e outras podem sentir mais calor durante a noite. Por isso, é importante observar não apenas o material, mas a composição completa do produto.
Outro termo que merece atenção é a densidade. Ela não é sinônimo de firmeza. A densidade corresponde à quantidade de matéria-prima presente em determinado volume de espuma e deve ser analisada em conjunto com a construção do colchão, as camadas utilizadas e o perfil de quem irá dormir nele.
No Brasil, os colchões de espuma devem seguir requisitos estabelecidos pelo Inmetro, incluindo informações sobre composição, tipos e densidades das espumas, dimensões, data de fabricação e origem. A etiqueta, portanto, é uma fonte importante de informação na hora da compra.

Colchão de molas

Nos colchões de molas, o sistema de sustentação é formado por estruturas metálicas que podem apresentar diferentes configurações. Entre as mais conhecidas estão as molas ensacadas individualmente, que trabalham de maneira mais independente e podem reduzir a transferência de movimento entre os lados da cama.
Para escolher entre os modelos, vale observar o tipo de molejo, a quantidade média de molas por metro quadrado, a bitola do arame e as camadas de espuma utilizadas na parte superior.
Outro possível benefício é a ventilação. Como existe espaço entre as estruturas de molas, esses modelos tendem a permitir maior circulação de ar do que algumas construções inteiramente em espuma.
Mas, novamente, não basta escolher um colchão apenas porque ele é “de molas”. A experiência depende também das camadas que ficam sobre o sistema de sustentação e da combinação entre os diferentes materiais.

Colchão híbrido

Os colchões híbridos combinam dois ou mais sistemas de construção, geralmente um núcleo de molas com camadas de espuma, látex ou outros materiais na parte superior.
A ideia é reunir características diferentes em um mesmo produto: a sustentação e a resposta das molas com a capacidade de acomodação das espumas, por exemplo.
É uma categoria ampla e, por isso, o nome “híbrido” sozinho não diz exatamente como o colchão irá se comportar. Um modelo com uma camada espessa de memory foam terá uma sensação bastante diferente de outro que utilize látex na camada de conforto.

Colchão de látex

O látex é conhecido por sua elasticidade e pela capacidade de distribuir a pressão do corpo sem produzir necessariamente a sensação de afundamento típica de algumas espumas viscoelásticas. Também costuma apresentar boa ventilação e durabilidade.
Assim como acontece com outros materiais, porém, é importante conferir a composição real do produto. No Brasil, há regras específicas para o uso de determinadas nomenclaturas relacionadas à composição dos colchões, justamente para evitar que o consumidor seja induzido a interpretar de maneira equivocada o que existe no interior do produto.
Como testar um colchão antes de comprar?
O ideal é deitar e permanecer alguns minutos na posição em que normalmente se dormeFoto/Divulgação
Sentar na ponta do colchão ou apertar a superfície com a mão não é suficiente para descobrir se ele é adequado. O ideal é deitar e permanecer alguns minutos na posição em que normalmente se dorme.
Se a pessoa dorme de lado, deve testar o colchão nessa posição. Se dorme de costas, vale fazer o mesmo. Também é importante experimentar a mudança de posição para entender se o corpo consegue se movimentar com facilidade.
Quem divide a cama deve, sempre que possível, fazer o teste acompanhado. O comportamento de um colchão pode mudar quando duas pessoas estão sobre ele, e a transferência de movimento passa a ser um fator importante.
Uma boa pergunta é: se uma pessoa se mexe ou se levanta, quanto esse movimento é percebido do outro lado?
Para quem compra pela internet, a política de teste e devolução ganha ainda mais importância. Antes de finalizar o pedido, confira o período de experimentação oferecido pela marca, as condições para troca ou devolução, os eventuais custos envolvidos e a garantia.
O tamanho do colchão também importa
Pessoas mais altas devem prestar atenção especial ao comprimentoFabio Jr. Severo/Divulgação
Escolher o colchão certo não significa apenas encontrar a superfície mais confortável. As dimensões precisam ser compatíveis com a cama e com as necessidades de quem irá utilizá-la.
Para casais, a largura deve permitir que os dois tenham espaço suficiente para mudar de posição sem esbarrar constantemente um no outro. Pessoas mais altas devem prestar atenção especial ao comprimento.
A altura do colchão também merece atenção, principalmente quando ele será colocado em uma cama box, estrutura com baú ou cama com laterais mais altas. O conjunto precisa ser confortável tanto para deitar quanto para levantar.
Antes da compra, portanto, vale medir a estrutura existente e conferir as medidas exatas do colchão, em vez de confiar apenas no nome comercial do tamanho.
Colchão novo pede travesseiro novo?
Para manter o alinhamento da coluna, principalmente da parte cervical, a regra é quando trocar o colchão, troque o travesseiroAless Mikhalenko/Pexels
Um detalhe frequentemente esquecido na troca do colchão é o travesseiro. Os dois trabalham juntos para manter a cabeça, o pescoço e a coluna em uma posição confortável durante o sono.
“Para manter o alinhamento da coluna, principalmente da parte cervical, a regra é quando trocar o colchão, troque o travesseiro. Não adianta comprar um colchão novo e não se atentar ao travesseiro, muitas pessoas trocam um e esquecem o outro, acreditando que problemas de dores, por exemplo, vão ser solucionadas, o que não necessariamente acontece”, afirma Rodrigues.
A altura ideal do travesseiro também varia de acordo com a posição de dormir. Quem dorme de lado costuma precisar preencher o espaço entre o ombro e a cabeça, enquanto quem dorme de costas tende a precisar de uma altura diferente.
Por isso, se o colchão mudou significativamente de firmeza ou altura, o travesseiro antigo pode deixar de oferecer o mesmo suporte. A compra dos dois itens deve ser pensada em conjunto.
Quem sente calor deve prestar atenção ao material
Para quem costuma acordar com calor, o colchão também pode fazer diferença. Alguns materiais e construções favorecem maior circulação de ar, enquanto determinadas espumas podem concentrar mais calor junto ao corpo.
Colchões de molas, por exemplo, tendem a ter uma estrutura interna que permite maior ventilação. Já algumas espumas mais conformáveis envolvem o corpo de maneira mais intensa e podem produzir uma sensação térmica diferente.
Isso não significa que exista um único material indicado para quem sente calor. Camadas, revestimentos, densidade e construção interna também interferem no resultado. Na loja, portanto, vale perguntar não apenas qual é o material do colchão, mas como ele é utilizado em sua composição.
Para casais, o movimento importa
Um colchão com bom isolamento de movimento pode evitar que o parceiro acordeFreepik/Reprodução
Dividir a cama acrescenta outro critério à escolha: a capacidade do colchão de absorver os movimentos.
Se uma pessoa se movimenta muito durante a noite, um colchão com bom isolamento de movimento pode evitar que o parceiro acorde cada vez que ela mudar de posição.
Espumas, especialmente as viscoelásticas, costumam apresentar bom isolamento, enquanto determinados sistemas de molas ensacadas também conseguem limitar a transferência de movimento.
Casais com grande diferença de peso ou com preferências muito diferentes de firmeza devem prestar atenção especial a esse aspecto. Nesse caso, o teste conjunto é ainda mais importante.
O que observar na etiqueta do colchão?
Em vez de se concentrar apenas no nome comercial ou na aparência, o consumidor deve olhar para a etiqueta. Ela reúne informações que permitem comparar produtos de maneira mais objetiva.
Nos colchões de espuma, a identificação deve trazer informações como composição, tipo e densidade das espumas, espessura das lâminas, revestimento, dimensões, data de fabricação e origem.
Nos colchões de molas, também aparecem dados relacionados ao sistema utilizado, como tipo de molejo, número médio de molas por metro quadrado, bitola do arame e composição das camadas.
Também vale conferir a presença das informações e certificações exigidas pelos órgãos responsáveis. No Brasil, o Inmetro estabelece requisitos de conformidade para diferentes categorias de colchões e fiscaliza sua comercialização.
Por fim, como resume Rodrigues, “é importante pensar em um colchão que irá proporcionar uma noite de sono de qualidade, em que se acorda descansado e sem dores”.
Antes de escolher pelo visual ou pela promessa estampada na embalagem, portanto, vale conhecer o que existe por dentro. É ali que começa uma compra realmente bem informada.

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