Casas Bahia tem mais R$ 11 bi em dívidas fora da recuperação judicial

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Além dos R$ 17,3 bilhões em dívidas que constam no pedido de recuperação judicial protocolado na última semana, a Casas Bahia tem ainda outros R$ 11 bilhões em débitos não incluídos na reestruturação. Os valores extras são devidos principalmente a bancos, fundos de investimentos e fornecedores de eletrodomésticos que, em alguns casos, aparecem duplamente na lista de credores da varejista, ou seja, com valores a receber dentro e fora da recuperação.Leia tambémArrecadação de julho, confiança do consumidor nos EUA e mais destaques desta terçaInfoMoney reúne as principais informações que devem movimentar os mercados nesta terça-feira (25)Casas Bahia: os sinais vermelhos que o mercado já identificava antes do pedido de RJEnquanto balanços oficiais apontavam desalavancagem, debêntures da varejista sofreram “apagão” de preçosO montante extra é de débitos classificados como extraconcursais, dívidas que, por lei, não são sujeitas a pedidos de recuperação judicial. Para especialistas, o fato de se tratar de um montante expressivo torna a tentativa de reestruturação da companhia mais complexa.Na lista fora do alcance da recuperação há dívidas como R$ 4,1 bilhões devidos ao Bradesco (entre valores devidos diretamente ao banco e ao Digio, do mesmo grupo), R$ 2,4 bilhões a serem pagos ao Banco do Brasil, R$ 165 milhões à Whirpool (dona da Consul e da Brastemp) e R$ 140 milhões à fabricante Atlas.Não há detalhes sobre as faturas em aberto e os contratos entre esses credores e a Casas Bahia, mas o que a lei autoriza é que fiquem de fora da recuperação dívidas garantidas por cessão fiduciária de recebíveis.É o que explica a advogada Tatiana Flores, sócia do escritório LDCM Advogados. Neste modelo de operação, recorrente no varejo, um banco concede um financiamento, (ou um fornecedor entrega as mercadorias) e tem como garantia de pagamento a retenção de valores que a varejista tem a receber num determinado prazo.Por exemplo: um banco empresta R$ 10 milhões e a loja tem um fluxo de recebíveis de R$ 2 milhões por mês. O contrato de financiamento autoriza que uma determinada fatia desse fluxo mensal seja retido pela instituição financeira para garantir aquela operação de crédito.A relação de débitos fora da recuperação da Casas Bahia ainda inclui R$ 1 bi de ICMS e R$ 49 milhões em PIS/Cofins. Créditos tributários são naturalmente classificados como extraconcursais.Na semana passada, a Justiça de São Paulo concedeu à Casas Bahia proteção temporária contra a execução das dívidas pelos credores. O pedido de recuperação ainda não foi aceito, e uma perícia foi determinada pela Justiça para que, entre outros pontos, as dívidas sejam avaliadas para confirmar quais estão sujeitas à restruturação e quais não.Caso a perícia conclua que os valores estão corretos e aceite o pedido de recuperação, os R$ 17,3 bilhões devidos a cerca de 28 mil credores serão negociados seguindo o passo a passo de renegociação em juízo.A empresa terá que apresentar um plano de recuperação, com propostas de pagamento e desconto nos valores das dívidas. A proposta deve ser votada em assembleia de credores e, depois de aprovada, os pagamentos começam.Mas com valores a serem renegociados dentro e fora do processo, a reestruturação ganha outros contornos. Na ponta do lápis, a varejista deverá reorganizar um passivo de R$ 28 bilhões. A empresa foi procurada, mas não respondeu.“A reestruturação terá de acontecer em duas frentes: dentro da recuperação judicial, com redução do endividamento e obtenção de novo dinheiro, e fora dela, por meio da negociação paralela com credores extraconcursais”, ressalta Fabiana Solano, sócia de Reestruturação e Insolvência no Feslberg Advogados.Entre os 28 mil credores incluídos na RJ, há nomes que também estão entre os extraconcursais. Caso do Banco do Brasil, Bradesco e BTG, e da Whirpool, por exemplo.Para Tatiana, a capacidade de a Casas Bahia chegar a um acordo também com os credores extraconcursais será importante para dar credibilidade ao próprio futuro plano de recuperação judicial:“Se o credor tem como garantia os recebíveis da companhia, a sobrevivência da empresa também é de interesse do credor. Não é raro que credores titulares de créditos dentro e fora da RJ sejam aderentes ao plano de recuperação. Isso, inclusive, traz uma segurança para os demais credores de que o plano que está sendo proposto é viável do ponto de vista econômico-financeiro.”The post Casas Bahia tem mais R$ 11 bi em dívidas fora da recuperação judicial appeared first on InfoMoney.

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