Para muitos pequenos e médios empresários, a emissão de notas fiscais é uma rotina que acaba ficando quase inteiramente nas mãos do escritório de contabilidade. O problema é que, com a reforma tributária e a entrada gradual de novas regras, essa distância pode aumentar o risco de erros em um momento de transição mais complexa.Mudanças em classificações, campos obrigatórios, cadastros e sistemas exigem atenção não só de quem presta o serviço contábil, mas também de quem fornece as informações que dão origem às notas. Quando algo sai errado, o problema pode chegar à escrituração, à apuração dos tributos e até à relação com clientes. O InfoMoney ouviu especialistas para entender quais pontos merecem atenção nessa rotina, e como as empresas podem acompanhar o trabalho do escritório de contabilidade. Veja a seguir os principais pontos que eles destacaram.Leia também: Prazo para aderir ao Simples Nacional em 2027 começa; veja o que mudaEntenda quais responsabilidades são da empresaContratar um escritório de contabilidade não transfere para ele todas as responsabilidades relacionadas à emissão de notas fiscais.Cabe a ele orientar sobre as regras tributárias, revisar parametrizações e cumprir as atribuições previstas no contrato. Já a empresa responde pelos dados da própria operação, como:Produto ou serviço vendido;Natureza da operação, como venda, devolução, bonificação ou remessa;Destinatário;Valores;Informações cadastrais e classificações fornecidas ao contador.“A nota fiscal nasce de uma operação da própria empresa, que responde perante o Fisco pela correção das informações e pela emissão no prazo adequado”, afirma Antonio Carlos Santos, presidente do Sescon-SP e da Aescon-SP.Francisco Paludo, advogado tributarista e sócio da Tahech Advogados, recomenda que essa divisão de atribuições também esteja clara no contrato com o escritório, incluindo quem cuida da parametrização dos sistemas, da revisão das notas e da comunicação de mudanças que afetem a empresa.Não pergunte apenas se “está tudo certo”Acompanhar a contabilidade não significa revisar nota por nota ou dominar códigos fiscais. O empresário pode pedir informações que mostrem se as conferências estão sendo realizadas e se cadastros e sistemas acompanham as mudanças.Entre os pontos que podem fazer parte desse acompanhamento estão:Notas rejeitadas, canceladas ou emitidas com inconsistências;Conciliação entre os XMLs autorizados e o que foi escriturado e apurado;Revisão de cadastros e classificações de produtos e serviços;Atualização do sistema emissor e das parametrizações fiscais;Mudanças na legislação que afetem especificamente a operação da empresa.Paludo recomenda pedir relatórios de notas rejeitadas ou com inconsistências, com a indicação do motivo e da correção adotada.“Mais importante do que receber a informação de que ‘está tudo certo’ é ter evidências objetivas de que a conferência foi realizada”, afirma.Leia também: Emitiu nota fiscal sem IBS e CBS? Veja os riscos e como corrigirEdson Hideki, sócio-fundador da REVIO, acrescenta que o acompanhamento pode incluir relatórios de cruzamentos e conformidade, o registro das divergências encontradas e a verificação de que o sistema emissor está atualizado e os cadastros passaram por revisão. Ele também recomenda pedir ao escritório um plano de transição por escrito.Durante a transição da reforma tributária, esse acompanhamento também envolve classificações como NCM, NBS, CST e Classificação Tributária, além dos campos relacionados ao IBS e à CBS. Antonio Carlos Santos, presidente do Sescon-SP e da Aescon-SP, chama atenção ainda para a atualização e a parametrização correta dos sistemas.Se houver erro, procure a causa antes que ele se repitaQuando uma nota apresenta erro, o primeiro passo é identificar sua origem. O problema pode estar em uma informação fornecida pela empresa, no cadastro, na parametrização do sistema ou na aplicação da regra tributária.A forma de correção varia conforme o erro e o documento envolvido. Dependendo do caso, pode ser necessário cancelar a nota, emitir carta de correção, fazer outro documento fiscal de ajuste ou retificar informações já escrituradas.Também é importante verificar se o mesmo problema atingiu outras operações. Um cadastro ou parâmetro incorreto, por exemplo, pode ter sido usado na emissão de várias notas.Hideki recomenda registrar a ocorrência por escrito e pedir respostas objetivas sobre cinco pontos:O que aconteceu;Qual documento foi afetado;Como será feita a correção;Em quanto tempo será feita a correção;O que será alterado no processo para evitar uma nova ocorrência.“Corrigir a nota resolve a consequência. Corrigir o cadastro resolve o problema”, resume Hideki.Antonio Carlos Santos afirma que empresa, contador e, quando necessário, fornecedor do sistema devem atuar em conjunto quando a origem estiver na parametrização ou no fluxo de informações.Paludo acrescenta que, se o erro tiver reflexos na escrituração, na apuração de tributos ou no aproveitamento de créditos, esses efeitos também precisam ser verificados durante a correção.The post Nota fiscal: 3 pontos que as empresas devem acompanhar com a contabilidade appeared first on InfoMoney.
