Crise no STF chega à eleição, e PT tenta descolar Moraes de Lula

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Após a indefinição do Supremo Tribunal Federal e o potencial de desgaste provocado pelo caso Banco Master e às tentativas de adversários de levar a crise da Corte para a disputa presidencial, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve explorar à trajetória política e profissional de Alexandre de Moraes para rebater a associação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente. Aliados querem enfatizar que Moraes chegou ao Supremo por indicação de Michel Temer (MDB), em 2017, e construiu parte relevante de sua carreira no Executivo em administrações que faziam oposição ao PT. A estratégia de distanciamento ganhou força depois da sessão desta terça-feira (15), quando o STF terminou sem decidir se abrirá uma investigação sobre a relação do ministro com Daniel Vorcaro.Em um primeiro momento, ainda antes da sessão, a análise de dentro da campanha era quem uma eventual autorização para investigar o ministro poderia retornar a discussão pública para a disputa eleitoral e reforçaria o discurso de que o governo do presidente não pretende abafar nenhuma situação, não importando o personagem. Leia tambémQuando o STF retomará o julgamento de Alexandre de Moraes? Entenda os próximos passosPedido de vista de Flávio Dino suspendeu análise antes de o plenário decidir se ministro deve ser investigado; regra prevê prazo de até 90 diasEncontro com Vorcaro e pressão sobre a PF: o que pesa contra André MendonçaSTF deve analisar no dia 23 questionamentos sobre a atuação do ministro no caso Master, sua relação com Daniel Vorcaro e a decisão que afastou o comando da Polícia FederalCom o adiamento da análise do caso envolvendo Moraes, a avaliação no entorno de Lula mudou. Agora, a percepção é que a crise não oferece um cenário eleitoral favorável ao presidente. Diante disso, a prioridade passou a ser impedir que o episódio seja interpretado como um problema do governo ou da campanha petista. A defesa pública de uma investigação ampla sobre o Banco Master também integra essa resposta.Crise no STF não altera voto de mais de 80% dos eleitores, mostra DatafolhaDe Alckmin e Temer ao SupremoA biografia de Moraes fornece os principais argumentos para esse distanciamento. Ele foi indicado por Temer para a vaga aberta com a morte de Teori Zavascki, em fevereiro de 2017, quando ocupava o Ministério da Justiça. Tomou posse no STF no mês seguinte.Antes de integrar o governo federal, Moraes havia ocupado cargos em São Paulo. Foi secretário de Justiça e Defesa da Cidadania entre 2002 e 2005, durante uma gestão de Geraldo Alckmin, e secretário estadual de Segurança Pública entre 2015 e 2016, também sob o então governador tucano. Moraes era filiado ao PSDB quando foi escolhido por Temer para o Supremo.A aproximação de sua imagem com a esquerda ocorreu posteriormente, sobretudo em razão da atuação de Moraes nos inquéritos sobre ataques às instituições, milícias digitais e nos processos relacionados aos atos de 8 de Janeiro. Essa atuação transformou o ministro em alvo frequente de Jair Bolsonaro e de seus aliados.Datafolha: 28% defendem impeachment de Moraes; 12% querem saída de MendonçaA campanha de Lula pretende explorar essa cronologia para contestar a caracterização de Moraes como um ministro ligado ao petista. Aliados também discutem uma postura mais explícita do presidente diante da crise, inclusive com cobranças individualizadas aos integrantes da Corte.Lula cobra investigação de todosA estratégia já foi colocada em prática. O próprio Lula elevou o tom na noite de terça-feira. Em entrevista à Record, afirmou que as suspeitas relacionadas ao Master devem ser esclarecidas independentemente de quem esteja envolvido.“Não tem trégua, é preciso investigar todos, sem distinção”, afirmou o presidente. Lula disse ainda que Fachin tem condições de esclarecer as relações de integrantes da Corte com o escândalo depois da abertura de informações que estavam sob sigilo.Vorcaro pagou viagens de servidores do BC que agiam como “empregados”, diz PFO presidente também criticou a forma como André Mendonça administrou informações do caso e cobrou do Judiciário uma resposta capaz de recuperar a confiança da sociedade. A manifestação reforçou a linha adotada pelo Planalto de defender a investigação das suspeitas sem assumir a defesa de Moraes.Na campanha, outra frente será a cronologia do Banco Master. O objetivo é afastar a crise da administração federal e disputar a narrativa eleitoral sobre quem está politicamente exposto pelas revelações envolvendo Vorcaro.Esquerda mira FlávioParlamentares da esquerda já começaram a direcionar a discussão para Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na eleição presidencial. A estratégia ganhou espaço enquanto o STF discutia o caso Moraes nesta terça.A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) cobrou a divulgação, antes do primeiro turno, de informações das investigações relacionadas ao candidato do PL.A Fachin, Moraes acusa Mendonça de investigação ilegal e nega favorecimento a Vorcaro“O único candidato a presidente metido até o último fio de cabelo no escândalo do Banco Master é Flávio Bolsonaro. Este precisa ter o sigilo quebrado e os dados divulgados antes do dia 4 de outubro”, escreveu a parlamentar no X.Jandira também atribuiu dimensão eleitoral à divulgação de informações do caso Master e às disputas internas do Supremo. O ex-deputado Ivan Valente (PSOL-SP) seguiu linha semelhante e afirmou que o foco sobre Moraes estaria sendo usado para reduzir a atenção sobre as suspeitas envolvendo Flávio.A reação mostra como a crise do STF entrou na campanha a menos de três semanas do primeiro turno. Para o entorno de Lula, o desafio imediato é reduzir a identificação política entre o presidente e Moraes, enquanto seus aliados procuram deslocar o debate sobre o Banco Master para as conexões do caso com o candidato do PL.The post Crise no STF chega à eleição, e PT tenta descolar Moraes de Lula appeared first on InfoMoney.

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